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Polícia
O
Big Brother é inglês
Milhões
de câmeras de segurança
não reduzem a criminalidade no
país mais vigiado do mundo
AP
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| Nos
monitores, a visita de Bush a Londres, em 2003: cidade sob observação
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Os
ingleses são, de longe, o povo mais observado que existe.
Um levantamento divulgado recentemente por grupos preocupados com
a privacidade dos cidadãos constatou que o número
de câmeras de vigilância instaladas nas ruas e em locais
fechados da ilha passa de 4 milhões. O mesmo informe registra
que há perto de 50 milhões de aparelhos desse tipo
no mundo. A Inglaterra abriga, portanto, quase 10% das câmeras
de vigilância do planeta, uma para cada catorze habitantes.
Uma pergunta óbvia é se com isso as cidades inglesas
estão ou não mais seguras. Um relatório do
governo inglês concluiu que vigiar eletronicamente as ruas
é eficaz na prevenção de delitos menores, como
infração de trânsito, roubo de veículos
e depredação do patrimônio. Não funciona
tão bem em crimes graves, como assalto a mão armada
e seqüestro. Uma câmera pode até ajudar a identificar
seu autor, mas quase sempre só depois que ele agiu. De acordo
com o relatório, a adoção de outras medidas
preventivas, como o aumento do policiamento ostensivo e a melhoria
da iluminação de ruas e avenidas, seria mais útil
no combate à criminalidade. Essa certeza foi reforçada
por uma pesquisa recente da Universidade Leicester com criminosos
detidos. A maioria afirmou nunca ter se preocupado com as câmeras,
até ser flagrada por uma delas.
A
falsa sensação de segurança que esse tipo de
tecnologia oferece é um dos argumentos usados pelos ativistas
que lutam para pôr freio na disseminação de
seu uso. "O montante investido nos últimos dez anos pelo
governo inglês em câmeras de vigilância (o equivalente
a 1,3 bilhão de reais) poderia ser mais bem utilizado na
área de segurança pública, e sem invadir a
privacidade dos cidadãos", disse a VEJA Simon Davies, diretor
da Privacy International, organização não-governamental
com sede em Londres que defende o direito à privacidade.
Segundo Davies, as câmeras instaladas nas ruas violam um direito
elementar dos cidadãos nas sociedades democráticas,
o da presunção de inocência.
O
boom do Big Brother inglês teve início em 1992, quando
as câmeras de vigilância de um shopping center de Liverpool
registraram o seqüestro de um menino de 2 anos. Ele morreu
dias depois, mas seus seqüestradores foram identificados graças
às imagens das câmeras. Desde então, a onda
de bisbilhotice eletrônica atingiu supermercados, restaurantes,
bancos e até igrejas. A legislação inglesa,
mais frouxa nesse assunto que a de outros países europeus,
contribuiu para a expansão dessa prática. Como no
Brasil, não há restrição ao uso de vigilância
eletrônica em estabelecimentos privados. A lei inglesa determina
apenas que uma placa indique o monitoramento do local por câmera.
Mesmo assim, 80% dos estabelecimentos ignoram a exigência.
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