Edição 1848 . 7 de abril de 2004

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Turismo
Dólar em prestações

Após sete anos, brasileiro volta a parcelar
despesas do cartão de crédito internacional


Chrystiane Silva

Quem usa cartões de crédito para fazer compras internacionais pode festejar. Desde a semana passada, o pagamento desse tipo de despesa já pode ser parcelado em reais. A mudança é um alívio para 2 milhões de turistas que anualmente viajam para o exterior e também para quem importa artigos pela internet. Tal opção de parcelamento esteve proibida pelo governo nos últimos sete anos. O pagamento à vista era obrigatório. Agora, a despesa do cartão será convertida em reais e, como ocorre com as despesas nacionais, o devedor poderá pagar o valor mínimo do débito e financiar o restante em prestações. Cada empresa de cartão de crédito definirá o limite de parcelas. Apesar da nova facilidade, ninguém vai escapar do imposto sobre as transações internacionais, de 2%. Nem terá como fugir das taxas de juro cobradas pelo cartão de crédito, que, em média, superam 200% ao ano.

A mudança da regra foi resultado de um pedido feito ao governo pela American Express Card (Amex). "Muita gente gastava com cartão internacional e nem sabia que não podia parcelar", diz Hélio Magalhães, presidente da Amex. "Com a mudança, pelo menos as queixas vão diminuir." A novidade não provocará uma explosão de consumo nem terá impacto relevante na economia. Mas vai facilitar a vida de muita gente. Isso porque as compras com cartão internacional estão presentes em 97% das transações feitas por brasileiros no exterior. Em 2003, esse tipo de despesa atingiu pouco mais de 1 bilhão de dólares.

A alteração anunciada pelo Conselho Monetário Nacional derruba a última medida adotada pelo governo em 1997 para evitar que o Brasil fosse contagiado pela crise financeira asiática. À época, o real estava valorizado em relação ao dólar. Férias em Miami eram mais baratas que as viagens para o Nordeste. De acordo com a Embratur, mais de 4 milhões de brasileiros foram para o exterior naquele ano – o dobro do número registrado nos últimos anos. A gastança desse contingente lançava dólares para fora do país em profusão e contribuía, mesmo que de maneira parcimoniosa, para minar as reservas internacionais do Brasil. Esse era um motivo periférico, mas o governo achou que também representava um risco para a sustentação do valor da moeda nacional. Desde então, a situação mudou, mas o governo havia se esquecido de derrubar a restrição às parcelas para as compras com cartão internacional.

 

 
 
 
 
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