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Turismo
Dólar
em prestações
Após
sete anos, brasileiro volta a parcelar
despesas do cartão de crédito internacional

Chrystiane
Silva
Quem
usa cartões de crédito para fazer compras internacionais
pode festejar. Desde a semana passada, o pagamento desse tipo de
despesa já pode ser parcelado em reais. A mudança
é um alívio para 2 milhões de turistas que
anualmente viajam para o exterior e também para quem importa
artigos pela internet. Tal opção de parcelamento esteve
proibida pelo governo nos últimos sete anos. O pagamento
à vista era obrigatório. Agora, a despesa do cartão
será convertida em reais e, como ocorre com as despesas nacionais,
o devedor poderá pagar o valor mínimo do débito
e financiar o restante em prestações. Cada empresa
de cartão de crédito definirá o limite de parcelas.
Apesar da nova facilidade, ninguém vai escapar do imposto
sobre as transações internacionais, de 2%. Nem terá
como fugir das taxas de juro cobradas pelo cartão de crédito,
que, em média, superam 200% ao ano.
A
mudança da regra foi resultado de um pedido feito ao governo
pela American Express Card (Amex). "Muita gente gastava com cartão
internacional e nem sabia que não podia parcelar", diz Hélio
Magalhães, presidente da Amex. "Com a mudança, pelo
menos as queixas vão diminuir." A novidade não provocará
uma explosão de consumo nem terá impacto relevante
na economia. Mas vai facilitar a vida de muita gente. Isso porque
as compras com cartão internacional estão presentes
em 97% das transações feitas por brasileiros no exterior.
Em 2003, esse tipo de despesa atingiu pouco mais de 1 bilhão
de dólares.
A
alteração anunciada pelo Conselho Monetário
Nacional derruba a última medida adotada pelo governo em
1997 para evitar que o Brasil fosse contagiado pela crise financeira
asiática. À época, o real estava valorizado
em relação ao dólar. Férias em Miami
eram mais baratas que as viagens para o Nordeste. De acordo com
a Embratur, mais de 4 milhões de brasileiros foram para o
exterior naquele ano o dobro do número registrado
nos últimos anos. A gastança desse contingente lançava
dólares para fora do país em profusão e contribuía,
mesmo que de maneira parcimoniosa, para minar as reservas internacionais
do Brasil. Esse era um motivo periférico, mas o governo achou
que também representava um risco para a sustentação
do valor da moeda nacional. Desde então, a situação
mudou, mas o governo havia se esquecido de derrubar a restrição
às parcelas para as compras com cartão internacional.
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