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Diogo
Mainardi
O
plano B de bom
"Eu
sei que os
brasileiros se orgulham de
suas estatais. Cinqüenta anos de propaganda
massacrante produziram esse resultado.
O brasileiro é um tipo pitoresco: acha que
todo político é safado, mas insiste em
entregar suas maiores empresas a eles"
Eu
tenho um Plano B para a economia. Os paloccianos afirmam que a mera
existência de um Plano B pode prejudicar o Brasil. Bobagem.
O que prejudica o Brasil é a falta de um bom Plano B. Em
primeiro lugar, devemos diminuir a dívida pública
vendendo tudo o que der para vender, dos imóveis às
empresas estatais. Só a venda de Petrobras, Eletrobrás
e Banco do Brasil pode abater cerca de 10% de nossa dívida
interna. Eu sei que os brasileiros se orgulham de suas estatais.
Cinqüenta anos de propaganda massacrante produziram esse resultado.
O brasileiro é um tipo pitoresco: acha que todo político
é safado, mas insiste em entregar suas maiores empresas a
eles.
A
Petrobras, por exemplo, é cara demais para nós. Veja
o caso das plataformas petrolíferas P-51 e P-52. Durante
a campanha eleitoral, Lula prometeu que elas seriam construídas
no Brasil. Quando fez a promessa, no fim de 2002, cada plataforma
estava orçada em cerca de 500 milhões de dólares.
Quase um ano e meio depois, a P-52 foi encomendada a um estaleiro
de Cingapura, por 775 milhões. E a P-51 ficou a cargo da
subsidiária brasileira do mesmo estaleiro de Cingapura, por
800 milhões. A esse valor, porém, é necessário
acrescentar os 150 milhões de isenções fiscais
concedidos pelo Estado do Rio de Janeiro. E os 360.000
barris diários de petróleo que deixamos de produzir
entre uma licitação e outra. O BNDES vai financiar
a obra em 600 milhões de dólares. Apesar de todo esse
dinheiro, serão criados menos de 5 000 empregos diretos no
Brasil, metade dos quais na Nuclep, uma estatal que deu 35 milhões
de prejuízo anual nos últimos dez anos e que já
deveria estar fechada há muito tempo. Difícil calcular
quanto a bravata nacionalista de Lula pode ter custado ao país.
Alguém aí me ajude a fazer a soma, por favor.
Um
bom Plano B para a economia também deve dobrar o superávit
primário. O de Palocci foi insuficiente. Tivemos mais de
4% de déficit nominal no ano passado. Significa que faltou
uma montanha de dinheiro para pagar os juros. O governo Lula nunca
será capaz de zerar a conta. Por mais que ele aumente os
impostos, o gasto público sempre irá crescer mais
rápido. Em 2003, o Estado empregou 50 000 funcionários
a mais. Só no Palácio do Planalto, o aumento de pessoal
superou os 17%. O único a ser demitido foi Waldomiro Diniz,
sem o qual o governo se embananou todo. Descobriu-se que era ele
o verdadeiro manobrador por trás de José Dirceu, azeitando
toda a barganha política no Congresso Nacional. O secretário
executivo do Ministério do Planejamento, Elvio Gaspar, afirmou
que o governo pretende contratar muito mais servidores até
o fim do mandato. Elvio Gaspar foi secretário de Planejamento
do Rio de Janeiro no governo Benedita da Silva, que deixou um rombo
nas finanças do Estado e teve suas contas rejeitadas pela
Justiça. Estamos, portanto, em boas mãos.
Cortar
gastos é o melhor Plano B que existe. E é o melhor
instrumento de moralidade política que o Brasil pode ter.
Pena que ninguém tenha votado em mim na última campanha
presidencial.
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