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Edição 1994

7 de fevereiro de 2007
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CINEMA

À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness, Estados Unidos, 2006. Desde sexta-feira em cartaz no país) – Na ultrapopulosa categoria dos filmes feitos para a platéia se sentir bem (os feel-good movies), é obrigatório que o protagonista primeiro coma o pão que o diabo amassou – para que o espectador ache que, ao menos em comparação, é um sortudo –, e depois encontre uma saída gloriosa para seus problemas, de forma que ninguém deixe o cinema deprimido. À Procura da Felicidade não modifica a fórmula. Mas a emprega com uma decência e uma honestidade que não têm nada de comum no gênero. Will Smith interpreta um personagem verídico: Chris Gardner, um vendedor de equipamentos médicos que, durante um ano péssimo de sua vida, perdeu tudo o que tinha e chegou a viver como sem-teto, com o filho pequeno, enquanto enfrentava um período de teste numa empresa de corretagem financeira. Dirigido pelo italiano Gabriele Muccino e contracenando com o próprio filho, o fofésimo Jaden, Smith retorna aqui a uma delicadeza dramática que não revelava desde Seis Graus de Separação. O final feliz: Gardner hoje é milionário, e Smith concorre ao Oscar pelo papel. Veja cenas.

 

LIVRO

O Homem Duplo, de Philip K. Dick (tradução de Ryta Vinagre; Rocco; 307 páginas; 38,50 reais) – O americano Philip K. Dick era um doidão que vivia sob o efeito de drogas e fazia da escrita compulsiva um jeito de expiar suas paranóias. Ao morrer, em 1982, era um joão-ninguém. Seus 36 romances e 130 contos só ganhariam reconhecimento com o sucesso de Blade Runner, inspirado em sua obra. Depois vieram Steven Spielberg e seu Minority Report e, agora, a versão filmada de O Homem Duplo (em cartaz no país). O livro que a inspirou, de 1977, se passa numa Los Angeles futurista, onde câmeras vigiam os cidadãos e o tráfico de entorpecentes reina. Seu protagonista (no cinema, Keanu Reeves) é um tira que investiga uma droga que leva os usuários a desenvolver dupla personalidade – e se vicia nela. A narrativa é Dick em seu melhor: um texto claustrofóbico, em que só aos poucos os detalhes da trama são revelados. Leia trecho.

 

DVD

Eric Lee/AP
Uma Verdade Inconveniente: aula sobre o aquecimento global com Al Gore

Uma Verdade Inconveniente (An Inconvenient Truth, Estados Unidos, 2006. Paramount) – Al Gore passou décadas de sua carreira fazendo papel de chato ao falar insistentemente sobre um problema que parecia distante, o aquecimento global. Ficou com fama de bobão e, como se sabe, perdeu a eleição para George W. Bush de forma nebulosa. Enquanto a popularidade do atual presidente despenca, entretanto, a dele anda nas alturas – até em Prêmio Nobel já se fala. Tudo graças a esse bem urdido documentário sobre o tema mais caro ao ex-vice-presidente: as mudanças climáticas. Envolvente, ritmado e didático sem ser condescendente, o filme chega ao DVD com dados atualizados em relação à versão vista no cinema e é um programa quase que obrigatório para quem deseja entender por que o clima anda tão louco e o que se pode fazer, no dia-a-dia, para não agravar o problema. Veja cenas.

 

DISCOS

 
Divulgação
Os roqueiros do OK Go: do YouTube para a fama

Oh No, OK Go (EMI) – Esse quarteto americano realizou uma façanha notável: gravou um clipe sem nenhum efeito especial e tão criativo quanto os do cantor Beck e do DJ Fatboy Slim – que até hoje são referências para quem deseja brilhar nessa seara. Em Here It Goes Again, primeiro vídeo de Oh No, eles brincam com esteiras de uma academia de ginástica, com resultados hilários. O vídeo foi parar no site YouTube e o grupo virou sensação instantânea. Mas a sonoridade da banda também faz jus à sua originalidade como videomaker. Esse disco – que contou com a produção de Tore Johansson, o mesmo do grupo escocês Franz Ferdinand – tem rocks deliciosos, com influência nítida dos Pixies, banda que ditou o rock alternativo da década de 80.

 
Divulgação
Anna Netrebko: versão erudita da Gata Borralheira

Russian Album, Anna Netrebko (Universal) – A soprano russa é a versão erudita da Gata Borralheira. Em meados da década passada, Anna trabalhava como faxineira do Teatro Mariinsky, de Kirov, quando foi descoberta pelo maestro Valery Gergiev. De acordo com algumas biografias não oficiais, Anna também teria sido ajudada por pessoas ligadas à máfia russa, que bancaram aulas de canto e expressão corporal – boato que nunca chegou a ser comprovado. Com ou sem influências espúrias, não há como negar seu talento. Russian Album traz interpretações de personagens trágicas da ópera russa, como a Natasha de Guerra e Paz e a Tatyana de Eugene Onegin. Com sensibilidade e paixão raras no mundo erudito atual, não é de admirar que Anna esteja entre as principais vendedoras de disco de sua companhia, a tradicional Deutsche Grammophon.

 




Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Saraiva, Leitura; Recife: Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Saraiva, Submarino, Nobel.

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