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Recomenda CINEMA
À
Procura da Felicidade (The
Pursuit of Happyness, Estados Unidos, 2006.
Desde sexta-feira em cartaz no país) Na ultrapopulosa categoria
dos filmes feitos para a platéia se sentir bem (os feel-good movies),
é obrigatório que o protagonista primeiro coma o pão que
o diabo amassou para que o espectador ache que, ao menos em comparação,
é um sortudo , e depois encontre uma saída gloriosa para seus
problemas, de forma que ninguém deixe o cinema deprimido. À Procura
da Felicidade não modifica a fórmula. Mas a emprega com uma
decência e uma honestidade que não têm nada de comum no gênero.
Will Smith interpreta um personagem verídico: Chris Gardner, um vendedor
de equipamentos médicos que, durante um ano péssimo de sua vida,
perdeu tudo o que tinha e chegou a viver como sem-teto, com o filho pequeno, enquanto
enfrentava um período de teste numa empresa de corretagem financeira. Dirigido
pelo italiano Gabriele Muccino e contracenando com o próprio filho, o fofésimo
Jaden, Smith retorna aqui a uma delicadeza dramática que não revelava
desde Seis Graus de Separação. O final feliz: Gardner hoje
é milionário, e Smith concorre ao Oscar pelo papel. Veja
cenas. LIVRO
O
Homem Duplo, de Philip K. Dick
(tradução de Ryta Vinagre; Rocco; 307 páginas; 38,50 reais)
O americano Philip K. Dick era um doidão que vivia sob o efeito
de drogas e fazia da escrita compulsiva um jeito de expiar suas paranóias.
Ao morrer, em 1982, era um joão-ninguém. Seus 36 romances e 130
contos só ganhariam reconhecimento com o sucesso de Blade Runner, inspirado
em sua obra. Depois vieram Steven Spielberg e seu Minority Report e, agora,
a versão filmada de O Homem Duplo (em cartaz no país). O
livro que a inspirou, de 1977, se passa numa Los Angeles futurista, onde câmeras
vigiam os cidadãos e o tráfico de entorpecentes reina. Seu protagonista
(no cinema, Keanu Reeves) é um tira que investiga uma droga que leva os
usuários a desenvolver dupla personalidade e se vicia nela. A narrativa
é Dick em seu melhor: um texto claustrofóbico, em que só
aos poucos os detalhes da trama são revelados. Leia
trecho. DVD
Eric Lee/AP  |
| Uma Verdade Inconveniente: aula
sobre o aquecimento global com Al Gore | Uma
Verdade Inconveniente (An Inconvenient Truth, Estados Unidos, 2006. Paramount)
Al Gore passou décadas de sua carreira fazendo papel de chato ao
falar insistentemente sobre um problema que parecia distante, o aquecimento global.
Ficou com fama de bobão e, como se sabe, perdeu a eleição
para George W. Bush de forma nebulosa. Enquanto a popularidade do atual presidente
despenca, entretanto, a dele anda nas alturas até em Prêmio
Nobel já se fala. Tudo graças a esse bem urdido documentário
sobre o tema mais caro ao ex-vice-presidente: as mudanças climáticas.
Envolvente, ritmado e didático sem ser condescendente, o filme chega ao
DVD com dados atualizados em relação à versão vista
no cinema e é um programa quase que obrigatório para quem deseja
entender por que o clima anda tão louco e o que se pode fazer, no dia-a-dia,
para não agravar o problema. Veja
cenas. DISCOS
Divulgação
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| Os roqueiros do OK Go:
do YouTube para a fama | Oh
No, OK Go (EMI) Esse quarteto
americano realizou uma façanha notável: gravou um clipe sem nenhum
efeito especial e tão criativo quanto os do cantor Beck e do DJ Fatboy
Slim que até hoje são referências para quem deseja
brilhar nessa seara. Em Here It Goes Again, primeiro vídeo de Oh
No, eles brincam com esteiras de uma academia de ginástica, com resultados
hilários. O vídeo foi parar no site YouTube e o grupo virou sensação
instantânea. Mas a sonoridade da banda também faz jus à sua
originalidade como videomaker. Esse disco que contou com a produção
de Tore Johansson, o mesmo do grupo escocês Franz Ferdinand tem rocks
deliciosos, com influência nítida dos Pixies, banda que ditou o rock
alternativo da década de 80.
Divulgação
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| Anna Netrebko: versão
erudita da Gata Borralheira | Russian
Album, Anna Netrebko (Universal) A soprano russa é a versão
erudita da Gata Borralheira. Em meados da década passada, Anna trabalhava
como faxineira do Teatro Mariinsky, de Kirov, quando foi descoberta pelo maestro
Valery Gergiev. De acordo com algumas biografias não oficiais, Anna também
teria sido ajudada por pessoas ligadas à máfia russa, que bancaram
aulas de canto e expressão corporal boato que nunca chegou a ser
comprovado. Com ou sem influências espúrias, não há
como negar seu talento. Russian Album traz interpretações
de personagens trágicas da ópera russa, como a Natasha de Guerra
e Paz e a Tatyana de Eugene Onegin. Com sensibilidade e paixão
raras no mundo erudito atual, não é de admirar que Anna esteja entre
as principais vendedoras de disco de sua companhia, a tradicional Deutsche Grammophon.
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