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Televisão
Beleza
negra
Taís Araújo é heroína
de uma novela pela
segunda vez e faz história na televisão

Ricardo Valladares
Oscar Cabral
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| Taís
Araújo: salário de 35 000 reais e 215 mililitros
de silicone nos seios |
Taís
Araújo, Camila Pitanga, Adriana Lessa, Ildi Silva, Viviane
Porto travam duas batalhas particulares. Uma, de apelo bem popular,
envolve a discussão sobre qual seria a musa negra da TV brasileira.
Como todas são lindas, eleger uma delas com base em atributos
físicos é o tipo de proposta que causaria uma guerra
em qualquer roda de amigos. A outra batalha diz respeito ao espaço
que elas conquistaram no meio artístico. Nesse caso, Camila
Pitanga e Taís Araújo deixam o resto do grupo para
trás. E que os fãs de Camila nos perdoem, mas a coroa,
pelo menos neste momento, tem tudo para ser entregue a Taís
Araújo. Até hoje, só se contam duas novelas
nacionais com uma personagem negra como protagonista. A primeira
foi Xica da Silva, que a extinta TV Manchete exibiu em 1996.
A segunda é Da Cor do Pecado, folhetim das 7 que estréia
na Rede Globo no fim deste mês. Em ambas as ocasiões,
a tarefa de interpretar a protagonista coube a Taís. Por
causa disso, ela é dona de um currículo único,
e só por isso já se pode dizer que cravou seu nome
na história da TV brasileira.
Quando Xica da Silva foi ao ar, Taís Araújo
não havia saído da adolescência. Ela completou
18 anos durante as gravações, e a data foi celebrada
com uma cena especial: um banho de cachoeira em que ela aparecia
nua, e que causou um compreensível estardalhaço. Desde
então, Taís fez outros nove trabalhos em televisão,
três peças de teatro e três filmes. Foi eleita
uma das mulheres mais bonitas do mundo pela revista americana People,
em 2000 (Xica da Silva fez sucesso nos Estados Unidos nesse ano),
e tornou-se embaixadora da paz em Angola. Seu carisma é comprovado.
Quanto aos dotes físicos, pode-se dizer que ela se tornou
ainda mais faceira. Aos 25 anos, Taís faz pouca ginástica
e come tudo o que quer. Sua beleza é um dom quase que inteiramente
natural. Quase. Em 2002, ela colocou uma prótese de 215 mililitros
de silicone nos seios.
Nascida em família de classe média alta, a atriz tem
pai branco e economista e mãe negra e pedagoga. Ela estudou
em colégios caros no Rio de Janeiro, e, como todos os demais
negros de classe média, passou por algumas situações
explícitas de preconceito. "Perguntavam se era a patroa de
minha mãe quem pagava as mensalidades", afirma Taís.
"Eu não tinha modelos negros em quem me espelhar, crescia
encantada com a Xuxa, e acabei entrando numa fase de muita timidez.
Finalmente uma professora me deu um chacoalhão e eu aprendi
a levantar a cabeça", conta ela. Taís começou
a trabalhar como modelo aos 11 anos e fez sua primeira ponta na
televisão aos 15. Ela ainda mora com os pais, no Recreio
dos Bandeirantes, no Rio. Ganha 35.000 reais por mês na Globo
e estima ter um patrimônio de 800.000 reais. "Ela rende um
bom dinheiro", brinca sua mãe, Mercedes, que virou sua assessora.
Durante quatro anos, Taís teve um relacionamento tumultuado
com o cantor e apresentador de TV Netinho. Certo dia ela descobriu,
por intermédio da secretária de Netinho, que ele havia
engravidado outra mulher. Atualmente, ela mantém relações
cordiais com o ex. Sua cara-metade é o lutador de jiu-jítsu
Márcio Feitosa, de 27 anos. Os dois noivaram recentemente.
Uma das maiores reclamações dos movimentos negros
no Brasil é que apenas os atores brancos acabam sendo escalados
para interpretar certos papéis. Aos negros são reservados
alguns tipos sociais específicos. Quando não são
escravos em uma produção de época, são
pobres numa trama contemporânea. Apesar do crescimento da
classe média negra, raros são os personagens como
o de Camila Pitanga em Mulheres Apaixonadas, em que ela era
neurocirurgiã. Desse ponto de vista, a personagem de Taís
Araújo em Da Cor do Pecado poderá causar reclamações.
Seu nome é Preta, e seu ganha-pão é a venda
de ervas medicinais numa feira. Preta viverá uma paixão
com o biólogo Paco (Reynaldo Gianecchini). Durante o romance,
os dois vão enfrentar as intrigas de uma loira má
(Giovanna Antonelli, de cabelos tingidos) e o preconceito do pai
do galã (Lima Duarte). O tema do preconceito racial, contudo,
não deve ficar em primeiro plano. "Não sou o Manoel
Carlos e essa não é uma novela polêmica. Quero
contar uma história romântica", afirma o autor João
Emanuel Carneiro. A idéia de uma novela com heroína
negra foi do próprio Carneiro e, segundo ele, o fato de uma
atriz carismática como Taís Araújo encabeçar
a produção pode ter mais impacto social do que forçar
a mão na temática do preconceito. Além de Taís,
há outros cinco atores negros em Da Cor do Pecado.
Juntos, eles representam 25% do elenco. "Há um projeto no
Congresso que transforma essa porcentagem em cota obrigatória
nas produções de TV, mas a novela se antecipou e isso
é muito positivo", comemora Joel Zito Araújo, autor
do livro A Negação do Brasil O Negro na
Telenovela Brasileira.
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Da
cor do sucesso
Atrizes
negras têm cada vez mais espaço na tela
Rafael Campos
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Rede Globo/divulgação
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Marco de Bari
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| CAMILA
PITANGA: médica
em Mulheres Apaixonadas |
VIVIANE
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Pimenta |
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que São Elas |
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