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Livros
140
histórias de amor
Esse
é o número de obras já lançadas
pela americana Nora Roberts, grande
sucesso da ficção romântica

Marcelo Marthe
John Earte
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Nora:
"No futuro valorizarão meus livros como hoje se valorizam
as novelas de Jane Austen"
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No fim dos anos 70, a americana Nora Roberts vivia uma fase de vazio
profissional. Ela acabara de ser demitida do cargo de secretária
num escritório de advocacia, por ter dificuldades com datilografia.
Assumiu, então, o papel de dona-de-casa: vivendo numa região
rural dos Estados Unidos, sua principal ocupação era
cuidar dos filhos pequenos e dos cavalos de sua propriedade. Durante
uma nevasca, ficou tão entediada em casa que foi em busca
de uma válvula de escape. E assim desandou a escrever histórias
de amor açucaradas. De lá para cá, Nora produziu
140 romances uma média de seis por ano. Tornou-se
um fenômeno editorial: já vendeu 145 milhões
de livros (500.000 deles no Brasil) e desde os anos 90 tem uma espécie
de assento permanente nas listas americanas de best-sellers. Atualmente,
Nora é a estrela mais vistosa da ficção romântica,
um filão no qual também fazem sucesso autoras como
as americanas Danielle Steel e Barbara Delinsky e a escocesa Rosamunde
Pilcher. Voltado para o público feminino, o gênero
foi responsável por 53% das vendas de ficção
em formato popular nos Estados Unidos em 2002. Pode-se dizer que,
dentre todos os gêneros literários, esse é o
mais artificial. Do enredo ao cenário, tudo é codificado.
"Minhas leitoras sabem que meus romances não são sobre
mulheres em busca de homens, e sim sobre uma mulher muito especial
que procura o homem de sua vida", explicou Nora em entrevista
a VEJA.
Chega
às livrarias nesta semana o 27º título da autora
no país. Dançando no Ar (tradução
de Renato Motta; Bertrand Brasil; 380 páginas; 39 reais)
narra a história de uma moça que, depois de padecer
nas mãos de um marido abusivo, recomeça sua vida sob
nova identidade, numa ilha de visual deslumbrante. Ela se apaixona
pelo xerife local, mas terá de livrar-se do antigo cônjuge
para encontrar a felicidade. Para tanto, irá se valer dos
poderes mágicos nos quais é iniciada na tal ilha.
Como toda ficção romântica que se preze, trata-se
de um conto de fadas desbragado e sem medo de ser piegas. Mas Nora
tem um diferencial: ela capricha nas cenas de sexo, coisa que até
alguns anos atrás era tabu no gênero.
Fustigada
pela crítica em razão do excesso de clichês,
a ficção romântica hoje dispõe de uma
entidade que zela por sua imagem nos Estados Unidos. É a
Romance Writers of America, uma espécie de sindicato da categoria
que reúne 8.600 escritores ou melhor, escritoras,
porque não chegam a dez os homens em seus quadros. A associação
promove cursos e palestras para ensinar os truques do gênero
a autoras novatas, edita uma revista especializada e criou até
uma certa normatização. Em sua definição
"oficial", um livro só pode ser considerado ficção
romântica autêntica se tiver no centro da trama uma
heroína à procura de sua cara-metade. Também
é obrigatório que a obra tenha final feliz. "A pior
traição às nossas leitoras é um livro
que termina sem a consumação do romance pelo qual
elas estão torcendo tanto", informa Charis Calhoon, porta-voz
da entidade.
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A
fórmula da ficção romântica inclui outro
item importante: o cenário. Quanto mais pitoresca a paisagem
em que se desenrola a história, melhor. E cada época
é marcada por uma tendência nessa área. Por
exemplo: nos anos 90, estavam em alta os romances ambientados nos
Estados Unidos dos tempos coloniais. Atualmente, o quente são
as histórias contemporâneas, seja na zona rural americana,
seja numa ilha exótica. Alguns cenários, no entanto,
estão sempre na moda: é o caso da Escócia,
com seus castelos e montanhas. Nora Roberts já explorou as
mais variadas locações, mas tem predileção
por fazendas e haras. As pesquisas de comportamento mostram que
o público valoriza esse tipo de locação. As
pesquisas fornecem também outras indicações
curiosas. As leitoras que se concentram na faixa dos 35 aos
44 anos e são em grande parte casadas admiram nas
heroínas qualidades como força de caráter.
Nora Roberts segue isso à risca. "Não escrevo sobre
mulheres fracas", diz.
Na vida real, Nora também viveu uma paixão de conto
de fadas: conheceu seu segundo e atual marido quando ele foi contratado
para instalar prateleiras em sua biblioteca, em 1985. Hoje com 53
anos, a autora tem um faturamento anual estimado em 20 milhões
de dólares. Só uma coisa a irrita: o fato de os críticos
classificarem seus livros de literatura de segunda classe. Ela julga
que um dia sua obra será vista com outros olhos. "No futuro
as pessoas valorizarão meus livros como hoje se valorizam
as novelas de Jane Austen", diz ela, comparando-se à autora
que no século XIX expôs os anseios femininos e os maneirismos
da aristocracia inglesa em clássicos como Razão
e Sensibilidade. Difícil essa história ter final
feliz para Nora.
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