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Música
Bagunceiro
arrumadinho
Marcelo D2 jura ter abandonado para
sempre o discurso
pró-maconha e que
agora só quer ser marido e pai exemplar

Sérgio
Martins
Pedro Rubens
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| O
rapper Marcelo D2: "Não sou rebelde, sou músico. Rebelde era
o Che Guevara" |
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Por muitos anos, o carioca Marcelo Maldonado Peixoto, o Marcelo
D2, foi sinônimo de encrenca. Vocalista do grupo Planet Hemp,
ele criava letras a favor da liberação da maconha,
atitude que já foi confundida muitas vezes com o que se lê
no artigo 287 do Código Penal, que fala da apologia ao crime.
"Nossos shows viviam repletos de policiais. Já eram quase
parte do cenário", lembra o cantor. Em 1997, após
uma apresentação em Brasília, a banda acabou
sendo presa, enquadrada justamente no artigo 287. Seus integrantes
foram libertados depois de passar oito dias atrás das grades.
O Planet Hemp também tinha o hábito de organizar festas
de arromba, recheadas de tietes e de moças alegres e desinibidas.
Se depender das promessas mais recentes feitas por Marcelo D2, cenas
como essas fazem parte do passado. "Encontrei outros valores: casar,
criar filhos, morar numa casa legal. Igualzinho ao meu pai!", afirma
D2. Será que o bagunceiro ficou mesmo arrumadinho?
O cantor jura que sim e dá até a data da guinada.
Ela teria ocorrido em 1999, quando Marcelo, de 36 anos, se casou
com Camila Aguiar, de 26. Os dois têm histórias bastante
diferentes. Os pais de Marcelo se separaram quando ele era adolescente,
e o cantor não se entendeu com o padrasto. Saiu de casa e
passou um bom tempo sem endereço fixo, trabalhando como camelô
até formar o Planet Hemp, no início dos anos 1990.
Camila vem de uma família de ambiente de classe média
alta, e mais harmonioso. Seus pais não fizeram restrições
quando ela começou a namorar o músico. Pelo contrário.
"Eles praticamente adotaram o D2", diz Marcelo Lobato, empresário
do rapper. Camila tem jeitão tranqüilo e faz estilo
meio hippie. Mas os amigos dizem que ela sabe como tomar as rédeas
da casa quando necessário. Num recente especial da MTV, ela
apareceu submetendo o cantor a uma bronca. Dizem que a cena se repete
com alguma freqüência.
Camila e Marcelo têm um filho de 2 anos, Lucas, e estão
esperando o segundo. O rapper é um pai corujíssimo.
Chorou no primeiro dia em que levou Lucas à escola e se diverte
fazendo o garoto repetir o vocabulário que lhe ensina
no qual se destaca a palavra skate. Marcelo D2 também estreitou
laços com os filhos que teve em relações anteriores
Stephan, de 12 anos, e Lourdes, de 4. "Stephan não
suporta nem ouvir falar em maconha", conta o cantor, que incluiu
o garoto nas gravações e no clipe de Loadeando,
uma das faixas de À Procura da Batida Perfeita, seu
último CD.
A carreira de Marcelo D2 passa por uma boa fase. O Planet Hemp não
acabou oficialmente, mas seus shows rareiam. Marcelo investe mesmo
é na trajetória-solo. As apresentações
do Planet Hemp eram constantemente canceladas por causa da militância
"pró-erva". Sozinho, o rapper não enfrenta esse tipo
de problema. Faz até quinze apresentações mensais,
a um cachê médio estimado de 25.000 reais. As referências
à maconha sumiram quase que completamente de suas letras.
O velho ramerrão foi substituído por letras inspiradas
em fatos do cotidiano, e Marcelo se esforça para criar um
casamento entre o samba e o rap. Dois meses atrás, ele se
rendeu ao charme da burguesia e tocou na Daslu, butique paulistana
freqüentada pelos endinheirados. O ato rendeu críticas
de que ele estaria "se vendendo ao sistema". O cantor não
se abalou. "Não sou rebelde, sou músico", explica
ele. "Rebelde era o Che Guevara."
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