Edição 1835 . 7 de janeiro de 2004

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Cinema
De braçada

Charlotte Rampling brilha
no francês Swimming Pool


Isabela Boscov

 
Charlotte: iogurte, uísque e frieza

À parte o deslize de 8 Mulheres, o francês François Ozon vem se firmando como um grande cineasta – e parte do crédito cabe à sua musa, a inglesa Charlotte Rampling. Há três anos, ela protagonizou o trabalho mais perturbador de Ozon, Sob a Areia, como uma mulher incapaz de racionalizar o desaparecimento de seu marido. Agora, em Swimming Pool (França/Inglaterra, 2003), que estréia nesta sexta-feira, a dupla muda o registro, com idêntico sucesso. Charlotte é Sarah Morton, uma escritora de romances policiais fria, metódica e que se alimenta quase que só de iogurte, refrigerante dietético e uísque – uma síntese de sua relação passivo-agressiva com tudo o que seja prazer sensual. Refugiada no campo francês para escrever um novo livro, Sarah depara com sua antítese: Julie (Ludivine Sagnier), que é jovem, exuberante e leva um homem diferente para casa a cada noite. Tudo em Julie agride Sarah, até que uma intrigante simbiose se instala entre as duas. O palco desse dueto é a piscina do título – e, em maior medida ainda, o corpo e o rosto de Charlotte, que sob o comando de Ozon se revela uma atriz muito mais destemida do que em sua juventude.

 
 
 
 
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