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Turismo
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aventuras fabulosas
Viagens radicais e inusitadas para
quem quer férias turbinadas com
altas doses de emoção

Daniel
Hessel Teich
É
lugar-comum dizer que cada canto do planeta já foi explorado
pelo turismo de massa e que os tempos de aventura acabaram. Não
é bem assim. Para viajantes dispostos a experimentar, há
passeios fabulosos, que pouca gente faz. São restritos por
vários motivos: custam caro, exigem esforço físico
excepcional ou envolvem complexas logísticas de transporte
e alojamento. As oito aventuras fabulosas desta reportagem são
o resultado de uma seleção feita por VEJA entre duas
dezenas de possibilidades. Foram levados em conta os seguintes critérios:
originalidade, participação ativa do turista, número
restrito de participantes, contato com situações e
paisagens extremas. O mais importante é que já foram
vividas por brasileiros, que nos puderam contar a emoção
da experiência.
Nos Estados Unidos, essa modalidade de turismo é chamada
de "experiência extrema". Há por lá mais de
100 agências especializadas. A oferta é bem menor no
Brasil. Mas é possível comprar por aqui a maioria
dos pacotes turísticos para experiências extremas.
De qualquer forma, todas essas viagens podem ser encomendadas pela
internet, a principal fonte de informação sobre o
assunto. Algumas aventuras, como o vôo em jato supersônico,
que é realizado na Rússia, exigem do turista um check-up
médico. Em outras, recomenda-se treinamento ou aclimatação.
O custo é elevado, se comparado ao do turismo rotineiro
começa em 2.300 dólares e pode ultrapassar 30.000
dólares numa aventura na Antártica. Note que os preços
publicados nesta matéria se referem apenas a expedições
ou programas, sem a passagem aérea.
1.
FLUTUAR
NA GRAVIDADE ZERO
É
o mesmo tipo de simulação de ausência de gravidade
usado no treinamento de astronautas. O avião cargueiro russo
decola de uma base aérea em Moscou, sobe a 11 000 metros
de altitude e mergulha várias vezes em alta velocidade. Informações
em agências americanas ou na agência Tchekhov Viagens,
de São Paulo. Preço: 7 400 dólares.
Space Adventures.com
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Divulgação
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"Muita
gente confunde a gravidade zero com um vôo no vazio. A sensação
não é essa. Não se tem controle de para onde
se vai. O Ilyushin, um avião enorme, praticamente despenca
no ar e nosso corpo sempre se desloca para cima. Eu tentava nadar
no ar, mas, como não havia resistência, não
ia a lugar nenhum. A tendência é os pés subirem
e a cabeça, mais pesada, ficar pendurada para baixo. Em nosso
vôo, o avião simulou seis vezes a ausência de
gravidade. Só não foram dez porque uma italiana começou
a berrar que ia morrer e o passeio teve de ser encerrado antes da
hora."
Lulu
Santos, cantor carioca, gravou
um videoclipe em gravidade zero, em 2002
2.
IR
AO PÓLO SUL DE
ESQUI
Chega-se
à Antártica de avião e se esquia durante oito
dias, 16 quilômetros por dia, até o Pólo. A
viagem é organizada pela agência americana Northwest
Passage e
custa 30 000 dólares por pessoa.
Álbum de família
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"Chegar
ao Pólo Sul esquiando não é fácil. A
temperatura média é de 35 graus negativos e a altitude
é de mais de 3 000 metros. No meio da minha viagem, uma das
três mulheres que participavam teve um colapso e desmaiou
sobre a neve. Achei que tivesse morrido, mas sobreviveu. Chamamos
o avião de resgate para socorrê-la. Ao chegar ao Pólo,
eu não me cansava de admirar o deslocamento do Sol pelo céu.
Em lugar de nascer de um lado do horizonte e se pôr do outro,
o Sol circulava no sentido horizontal, sempre na mesma altura, sem
nunca se pôr."
Julio Fiadi, empresário
paulista, foi ao Pólo Sul em 2001
3.
MERGULHAR COM TUBARÕES-BRANCOS
O
mergulhador desce dentro de uma gaiola de aço nas águas
próximas à costa
da Austrália e da África do Sul. Pode-se fotografar
de perto o cardume de tubarões gigantes. A agência
australiana White Shark Expeditions e
a americana Big Animals organizam a
viagem. Preço: 2 600 dólares.
Álbum de família
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"Passamos seis dias em um barco no Oceano Pacífico cercados
por um grupo de tubarões. O barco soltava uma mistura de
carne de baleia e óleo de bacalhau para atrair os animais.
Durante o mergulho, a gaiola descia a 30 metros de profundidade
e era imediatamente cercada pelos tubarões, cujo tamanho
impressiona. São bichos com 6 metros de comprimento e uma
bocarra capaz de engolir um homem inteiro. Eu já fiz outros
mergulhos com tubarões, sem gaiola, mas eram animais menores
e bem menos assustadores. A diferença entre esses tubarões
e o branco é a mesma existente entre um rotweiler e um tigre."
Luciano
Huck, empresário e apresentador
de TV,
mergulhou com os tubarões-brancos em 2000
4.
PILOTAR UM CARRO DE
FÓRMULA 1
As corridas para amadores são realizadas num autódromo
francês, com carros de temporadas passadas. A agência
alemã Innovation+Trend Consulting cobra 6 400 dólares
por quinze voltas na pista.
AFP
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Álbum de família
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"Sempre
gostei de dirigir e um amigo indicou essa aventura na França.
O passeio dura um dia. De manhã, recebemos instruções
sobre pilotagem e treinamos em um carro da Fórmula 3. São
veículos com o câmbio e a embreagem muito duros. Depois
do almoço, pegamos os Fórmula 1. São carros
inacreditáveis. Tinha a sensação de ser parte
da máquina, de que o pneuzão ali na frente era uma
extensão do meu braço. Cheguei a andar a 280 quilômetros
por hora numa reta. Quase não se tem noção
da velocidade. O que mais se percebe é o motor imenso rugindo
atrás de você. Gostei tanto que já reservei
outro pacote, agora para pilotar um carro com câmbio eletrônico."
Syang,
cantora, pilotou um Fórmula 1 em junho de 2003
5.
VIAJAR EM TRENÓ DE
CÃES NO ÁRTICO
A
expedição é inspirada nas viagens dos primeiros
exploradores polares e dura em média duas semanas. Agências
americanas, como a Outer Edge Expeditions, cobram 5 000 dólares
pelo passeio.
Álbum de família
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"O objetivo da expedição era cruzar o mar congelado
ao norte da Groenlândia. O único transporte usado foi
o trenó puxado por cães. O meu pesava 250 quilos e
era conduzido por quinze animais. Percorremos 250 quilômetros
em doze dias de viagem. Guiar um trenó é relativamente
simples, pega-se o jeito em dois dias. É só decorar
um código de comandos em língua esquimó que
vai de Tuk Tuk! (Vamos!) a Ai ai ai! (Parem!), passando
por athok (esquerda) e hakoh (direita). O mais complicado
era quando os cachorros brigavam entre si. Tínhamos de parar
para separar os animais."
Camille
Kachani, artista plástico
de São Paulo, foi ao Ártico em 1995
6.
CAÇAR COM ÁGUIAS NA
MONGÓLIA
Os
caçadores da etnia cazaque usam águias treinadas para
capturar
coelhos e raposas na Mongólia.
A agência americana
Boojum Expeditions
leva turistas para participar das caçadas. Preço:
2 300 dólares.
Álbum de família
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"A região em que os cazaques vivem na Mongólia é
bem remota e montanhosa. Para complicar, as caçadas, a cavalo,
ocorrem no inverno. Como todos os povos nômades da Mongólia,
os cazaques são muito pobres, mas aprenderam rapidamente
que podem tirar proveito do turismo. Eles vivem em tendas chamadas
iurtas nas quais o turista passa a noite e usam trajes
incríveis. Sempre estão com as águias pousadas
no antebraço."
Bernardo Carvalho, escritor
e autor do livro Mongólia (Companhia das Letras),
caçou com os cazaques em 2002
7.
ESCALAR O KILIMANJARO
A
montanha mais alta da África, na fronteira da Tanzânia
com o Quênia, tem 5 895 metros de altura. A agência
paulista Pauletto World Treks cobra 2 500 dólares pela escalada.
Se incluir um safári fotográfico na savana, o preço
sobe para 3 800 dólares.
Álbum de família
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"O Kilimanjaro parece um enorme caroço plantado no meio da
savana africana. A paisagem muda de acordo com a altitude. Primeiro
surge uma floresta tropical. Depois vem uma savana. A seguir, um
platô com um deserto. A partir de 5 000 metros há apenas
neve e a terra enegrecida. A trilha para chegar ao topo é
simples, numa caminhada de cerca de 34 quilômetros. O truque
é fazer esse percurso com calma, em mais ou menos uma semana,
dando tempo para o corpo se acostumar ao ar rarefeito."
Alberto Ortenblad Filho, executivo
paulista, escalou o Kilimanjaro com a mulher em 1998
8.
VOAR EM UM CAÇA
SUPERSÔNICO
Cinco
tipos de avião militar russo são usados em passeios
supersônicos numa base aérea nos arredores de Moscou.
As agências americanas Space Adventures e Incredible Adventures
e a paulista Tchekhov vendem a viagem. O preço varia de 7
000 a 13 800 dólares, dependendo do modelo do avião.
Álbum de família
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"Eu dei sorte em minha viagem com um Sukhoi 27. O piloto, coronel
Igor Volintsev, é um dos melhores da Rússia. Logo
depois da decolagem, ele colocou o avião com o bico totalmente
virado para cima, num ângulo de 90 graus em relação
ao solo. Depois, subiu para 12 000 metros em menos de um minuto.
Em seguida, quebramos a barreira do som, voando a mais ou menos
1 300 quilômetros por hora. O
vôo foi encerrado com uma manobra conhecida como cobra: o
piloto freia bruscamente, quase virando o avião de cabeça
para baixo."
Roberto
Stickel, arquiteto, voou no
Sukhoi em 1996
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