Edição 1835 . 7 de janeiro de 2004

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Turismo
8 aventuras fabulosas

Viagens radicais e inusitadas para
quem quer férias turbinadas com
altas doses de emoção


Daniel Hessel Teich

DA INTERNET
iExplore
Space adventures
Incredible adventures
Pauletto World Treks

É lugar-comum dizer que cada canto do planeta já foi explorado pelo turismo de massa e que os tempos de aventura acabaram. Não é bem assim. Para viajantes dispostos a experimentar, há passeios fabulosos, que pouca gente faz. São restritos por vários motivos: custam caro, exigem esforço físico excepcional ou envolvem complexas logísticas de transporte e alojamento. As oito aventuras fabulosas desta reportagem são o resultado de uma seleção feita por VEJA entre duas dezenas de possibilidades. Foram levados em conta os seguintes critérios: originalidade, participação ativa do turista, número restrito de participantes, contato com situações e paisagens extremas. O mais importante é que já foram vividas por brasileiros, que nos puderam contar a emoção da experiência.

Nos Estados Unidos, essa modalidade de turismo é chamada de "experiência extrema". Há por lá mais de 100 agências especializadas. A oferta é bem menor no Brasil. Mas é possível comprar por aqui a maioria dos pacotes turísticos para experiências extremas. De qualquer forma, todas essas viagens podem ser encomendadas pela internet, a principal fonte de informação sobre o assunto. Algumas aventuras, como o vôo em jato supersônico, que é realizado na Rússia, exigem do turista um check-up médico. Em outras, recomenda-se treinamento ou aclimatação. O custo é elevado, se comparado ao do turismo rotineiro – começa em 2.300 dólares e pode ultrapassar 30.000 dólares numa aventura na Antártica. Note que os preços publicados nesta matéria se referem apenas a expedições ou programas, sem a passagem aérea.

 

1. FLUTUAR NA GRAVIDADE ZERO

É o mesmo tipo de simulação de ausência de gravidade usado no treinamento de astronautas. O avião cargueiro russo decola de uma base aérea em Moscou, sobe a 11 000 metros de altitude e mergulha várias vezes em alta velocidade. Informações em agências americanas ou na agência Tchekhov Viagens, de São Paulo. Preço: 7 400 dólares.

 
Space Adventures.com
Divulgação

"Muita gente confunde a gravidade zero com um vôo no vazio. A sensação não é essa. Não se tem controle de para onde se vai. O Ilyushin, um avião enorme, praticamente despenca no ar e nosso corpo sempre se desloca para cima. Eu tentava nadar no ar, mas, como não havia resistência, não ia a lugar nenhum. A tendência é os pés subirem e a cabeça, mais pesada, ficar pendurada para baixo. Em nosso vôo, o avião simulou seis vezes a ausência de gravidade. Só não foram dez porque uma italiana começou a berrar que ia morrer e o passeio teve de ser encerrado antes da hora."
Lulu Santos, cantor carioca, gravou
um videoclipe em gravidade zero, em 2002

 

2. IR AO PÓLO SUL DE ESQUI

Chega-se à Antártica de avião e se esquia durante oito dias, 16 quilômetros por dia, até o Pólo. A viagem é organizada pela agência americana Northwest Passage e custa 30 000 dólares por pessoa.

 
Álbum de família

"Chegar ao Pólo Sul esquiando não é fácil. A temperatura média é de 35 graus negativos e a altitude é de mais de 3 000 metros. No meio da minha viagem, uma das três mulheres que participavam teve um colapso e desmaiou sobre a neve. Achei que tivesse morrido, mas sobreviveu. Chamamos o avião de resgate para socorrê-la. Ao chegar ao Pólo, eu não me cansava de admirar o deslocamento do Sol pelo céu. Em lugar de nascer de um lado do horizonte e se pôr do outro, o Sol circulava no sentido horizontal, sempre na mesma altura, sem nunca se pôr."
Julio Fiadi, empresário paulista, foi ao Pólo Sul em 2001

 

3. MERGULHAR COM TUBARÕES-BRANCOS

O mergulhador desce dentro de uma gaiola de aço nas águas próximas à costa da Austrália e da África do Sul. Pode-se fotografar de perto o cardume de tubarões gigantes. A agência australiana White Shark Expeditions e a americana Big Animals organizam a viagem. Preço: 2 600 dólares.

Álbum de família


"Passamos seis dias em um barco no Oceano Pacífico cercados por um grupo de tubarões. O barco soltava uma mistura de carne de baleia e óleo de bacalhau para atrair os animais. Durante o mergulho, a gaiola descia a 30 metros de profundidade e era imediatamente cercada pelos tubarões, cujo tamanho impressiona. São bichos com 6 metros de comprimento e uma bocarra capaz de engolir um homem inteiro. Eu já fiz outros mergulhos com tubarões, sem gaiola, mas eram animais menores e bem menos assustadores. A diferença entre esses tubarões e o branco é a mesma existente entre um rotweiler e um tigre."
Luciano Huck, empresário e apresentador de TV,
mergulhou com os tubarões-brancos em 2000

 

4. PILOTAR UM CARRO DE FÓRMULA 1

As corridas para amadores são realizadas num autódromo francês, com carros de temporadas passadas. A agência alemã Innovation+Trend Consulting cobra 6 400 dólares por quinze voltas na pista.

 
AFP
Álbum de família

"Sempre gostei de dirigir e um amigo indicou essa aventura na França. O passeio dura um dia. De manhã, recebemos instruções sobre pilotagem e treinamos em um carro da Fórmula 3. São veículos com o câmbio e a embreagem muito duros. Depois do almoço, pegamos os Fórmula 1. São carros inacreditáveis. Tinha a sensação de ser parte da máquina, de que o pneuzão ali na frente era uma extensão do meu braço. Cheguei a andar a 280 quilômetros por hora numa reta. Quase não se tem noção da velocidade. O que mais se percebe é o motor imenso rugindo atrás de você. Gostei tanto que já reservei outro pacote, agora para pilotar um carro com câmbio eletrônico."
Syang, cantora, pilotou um Fórmula 1 em junho de 2003

 

5. VIAJAR EM TRENÓ DE CÃES NO ÁRTICO

A expedição é inspirada nas viagens dos primeiros exploradores polares e dura em média duas semanas. Agências americanas, como a Outer Edge Expeditions, cobram 5 000 dólares pelo passeio.

Álbum de família


"O objetivo da expedição era cruzar o mar congelado ao norte da Groenlândia. O único transporte usado foi o trenó puxado por cães. O meu pesava 250 quilos e era conduzido por quinze animais. Percorremos 250 quilômetros em doze dias de viagem. Guiar um trenó é relativamente simples, pega-se o jeito em dois dias. É só decorar um código de comandos em língua esquimó que vai de Tuk Tuk! (Vamos!) a Ai ai ai! (Parem!), passando por athok (esquerda) e hakoh (direita). O mais complicado era quando os cachorros brigavam entre si. Tínhamos de parar para separar os animais."
Camille Kachani, artista plástico de São Paulo, foi ao Ártico em 1995

 

6. CAÇAR COM ÁGUIAS NA MONGÓLIA

Os caçadores da etnia cazaque usam águias treinadas para capturar coelhos e raposas na Mongólia. A agência americana Boojum Expeditions leva turistas para participar das caçadas. Preço: 2 300 dólares.

Álbum de família


"A região em que os cazaques vivem na Mongólia é bem remota e montanhosa. Para complicar, as caçadas, a cavalo, ocorrem no inverno. Como todos os povos nômades da Mongólia, os cazaques são muito pobres, mas aprenderam rapidamente que podem tirar proveito do turismo. Eles vivem em tendas chamadas iurtas – nas quais o turista passa a noite – e usam trajes incríveis. Sempre estão com as águias pousadas no antebraço."
Bernardo Carvalho, escritor e autor do livro Mongólia (Companhia das Letras), caçou com os cazaques em 2002

 

7. ESCALAR O KILIMANJARO

A montanha mais alta da África, na fronteira da Tanzânia com o Quênia, tem 5 895 metros de altura. A agência paulista Pauletto World Treks cobra 2 500 dólares pela escalada. Se incluir um safári fotográfico na savana, o preço sobe para 3 800 dólares.

Álbum de família


"O Kilimanjaro parece um enorme caroço plantado no meio da savana africana. A paisagem muda de acordo com a altitude. Primeiro surge uma floresta tropical. Depois vem uma savana. A seguir, um platô com um deserto. A partir de 5 000 metros há apenas neve e a terra enegrecida. A trilha para chegar ao topo é simples, numa caminhada de cerca de 34 quilômetros. O truque é fazer esse percurso com calma, em mais ou menos uma semana, dando tempo para o corpo se acostumar ao ar rarefeito."
Alberto Ortenblad Filho, executivo paulista, escalou o Kilimanjaro com a mulher em 1998

 

8. VOAR EM UM CAÇA SUPERSÔNICO

Cinco tipos de avião militar russo são usados em passeios supersônicos numa base aérea nos arredores de Moscou. As agências americanas Space Adventures e Incredible Adventures e a paulista Tchekhov vendem a viagem. O preço varia de 7 000 a 13 800 dólares, dependendo do modelo do avião.

Álbum de família


"Eu dei sorte em minha viagem com um Sukhoi 27. O piloto, coronel Igor Volintsev, é um dos melhores da Rússia. Logo depois da decolagem, ele colocou o avião com o bico totalmente virado para cima, num ângulo de 90 graus em relação ao solo. Depois, subiu para 12 000 metros em menos de um minuto. Em seguida, quebramos a barreira do som, voando a mais ou menos 1 300 quilômetros por hora.
O vôo foi encerrado com uma manobra conhecida como cobra: o piloto freia bruscamente, quase virando o avião de cabeça para baixo."
Roberto Stickel, arquiteto, voou no Sukhoi em 1996

 
 
 
 
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