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Cultura
O
Japão é pop
O país deixou de ser
o grande prodígio
da economia mundial, mas sua influência
na cultura jovem cresce cada vez mais

Carlos Graieb, de Tóquio
Fotos reprodução
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Em
sentido horário, do alto: ilustração
de Takashi Murakami, jovem em festival de música, cena
do desenho Digimon e propaganda da banda de rock Penpals
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Durante
a década de 80, o Japão foi o grande prodígio
da economia mundial. Cresceu vertiginosamente e muitos acreditaram
que o país teria fôlego para superar os Estados Unidos
como potência econômica. Então, no começo
de 1990, a Bolsa de Valores de Tóquio despencou. Não
era um tropeço passageiro, e sim o primeiro sintoma de uma
crise estrutural de dimensões gigantescas. Nos últimos
treze anos, a economia japonesa se manteve estagnada e deflacionária,
as dívidas governamentais subiram a níveis astronômicos,
o desemprego aumentou, o sistema bancário revelou-se em frangalhos
e a previdência social está à beira do colapso.
O país ainda possui um produto interno bruto de 4 trilhões
de dólares, o segundo maior do planeta. Mas o Japão
perdeu contato com seus "espíritos animais". A expressão
foi cunhada pelo economista inglês John Maynard Keynes na
década de 30, para designar o otimismo de um povo em relação
ao futuro. O otimismo japonês é baixíssimo hoje
em dia. Exceto, talvez, num ponto. Segundo muitos observam, a influência
cultural do Japão se expandiu na década passada, e
ele desponta como um criador de tendências no universo pop,
que engloba áreas tão diversas quanto moda, animação,
música e design. O primeiro a refletir sobre o fenômeno
foi o cientista político americano Douglas McGray, num ensaio
de 2002, cujo título se poderia traduzir como Charme Interno
Bruto (uma brincadeira com produto interno bruto). "O Japão",
diz McGray, "está reinventando o seu poder. Em vez de sucumbir
ao peso de seus infortúnios, ele só aumenta sua presença
cultural no mundo, e criou uma poderosa máquina de propagação
do charme nacional." A idéia foi adotada com entusiasmo por
políticos, acadêmicos e jornalistas japoneses. Alguns
vão ao ponto de anunciar uma metamorfose. É o caso
de Ichiya Nakamura, ex-burocrata de alto escalão do Ministério
das Telecomunicações e atual diretor do Stanford Japan
Center, em Tóquio. O Japão, segundo ele, estaria passando
de sociedade industrial a "sociedade produtora de cultura pop".
Estima-se que as exportações japonesas de produtos
culturais girem em torno dos 13 bilhões de dólares
por ano. O valor é modesto se comparado, digamos, ao da indústria
automobilística que fatura a mesma coisa em dias.
Trata-se, no entanto, de um valor que triplicou na década
passada. Nenhum setor da economia japonesa pode gabar-se de proeza
semelhante. Histórias em quadrinhos, desenhos animados e
videogames são os pontas-de-lança do pop japonês.
A grande rede Mandarake de comercialização de mangás
(gibis) já conta com filiais nos Estados Unidos e na Europa.
Os consoles PlayStation e Nintendo dominam o mercado de games. Cerca
de 60% dos desenhos vistos na TV mundial são criação
japonesa. Cada um desses setores, sozinho, tem força considerável.
E eles ainda agem em sinergia, com o perdão da má
palavra. Personagens surgidos num segmento quase sempre migram para
os outros. Depois, vem o licenciamento para bugigangas. Os monstrengos
Pokémon nasceram num videogame e foram parar na TV, no cinema,
em roupas e bonequinhos. Desde seu surgimento, em 1996, a marca
gerou negócios globais de cerca de 30 bilhões de dólares.
Mas influência cultural nem sempre se traduz imediatamente
em números vultosos, como lembram os ideólogos do
Japão Pop. Deve-se prestar atenção a outros
indícios.
Blitz
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Digimon,
da companhia Toei: desenhos são ponta-de-lança
do pop japonês
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Os
desenhos de longa-metragem do cineasta Hayao Miyazaki, por exemplo,
ainda não se transformaram em campeões de bilheteria
no Ocidente, mas Miyazaki foi premiado no Festival de Berlim e no
Oscar pelo filme A Viagem de Chihiro. Neste ano, a marca
francesa de acessórios de luxo Louis Vuitton convidou o pintor
Takashi Murakami para estampar uma linha de bolsas. Murakami, freqüentemente
comparado ao americano Andy Warhol e líder do movimento Superflat,
que reúne vários artistas plásticos, também
acaba de erguer uma escultura em frente do Rockefeller Center, em
Nova York. Profissionais da moda europeus visitam Tóquio
para conferir os exuberantes figurinos da garotada local, dividida
em incontáveis tribos, enquanto jovens estilistas japoneses
como Jun Takahashi e Naoki Takizawa são aclamados nas temporadas
internacionais de desfiles. A Ásia forneceria ainda mais
provas do poder de atração da cultura nipônica.
Em lugares como Taiwan e Hong Kong, ouve-se a música de estrelas
como Ayumi Hamasaki ou Utada Hikaru e assiste-se a novelas japonesas.
Mal saem da gráfica no Japão, revistas de moda e comportamento
são contrabandeadas para países vizinhos, onde encontram
um público ávido. "Os habitantes dos países
asiáticos adoram seriados como Tokyo Love Story, que
despertam mais empatia do que os similares americanos. Eles se sentem
culturalmente próximos do Japão. Esse intercâmbio
cultural não dá sinais de arrefecer", escreve Koichi
Iwabuchi, estudioso da mídia da Universidade Católica
de Tóquio.
É
a juventude japonesa que mantém alimentados os "espíritos
animais" do mundo pop. No campo criativo, ela vem demonstrando uma
disposição inédita para assumir riscos e desviar-se
do caminho tradicional aquele do emprego vitalício
numa grande corporação. Nos últimos anos, explodiu
no Japão o número de bandas e selos musicais independentes.
Vários artistas surgidos nesse ambiente obtêm vendagens
superiores a 500.000 exemplares, marca que caracteriza um sucesso
no país. Um grupo, o Mongol 800, que mistura guitarras punk
com letras no dialeto da Ilha de Okinawa, vendeu 2,5 milhões
de cópias de seu segundo álbum, Message, e
teve canções incluídas nas listas de karaokê,
ao lado de Madonna ou Beatles. Outro fenômeno são as
bandas de nip hop (o hip hop nipônico). "Até três
anos atrás elas simplesmente imitavam os sucessos americanos,
mas agora surgiu um estilo local que é muito interessante
mais melódico que o hip hop negro e com letras que
têm mensagens de amor, e não de violência", diz
o crítico Atsushi Shikano, editor-chefe da revista musical
Rockin'on Japan. Também na moda, jovens estilistas
como Jun Takahashi, da marca Undercover, mostram força para
andar com as próprias pernas. A fofoca, dada como verdadeira
em Tóquio, é que Takahashi teve seus negócios
bancados por um magnata do setor imobiliário no início,
mas depois rompeu esses laços para sustentar-se por sua conta
e risco.
Mas o exemplo mais pujante de espírito empreendedor vem da
área de animação. Há, é claro,
algumas gigantes no ramo. O estúdio Ghibli, de Hayao Miyazaki,
é o equivalente japonês da Disney (aliás, é
a Disney que distribui seus filmes no mundo). Seu foco principal
são os filmes animados de longa-metragem, que arrastam multidões
para o cinema: A Viagem de Chihiro, por exemplo, teve 23,5
milhões de espectadores no Japão. A empresa conta,
ainda, com um parque temático nos arredores de Tóquio,
o Museu Ghibli. "Recebemos cerca de 600.000 pessoas por ano", diz
Goro Miyazaki, diretor do parque e filho do animador Hayao. No campo
da animação para a TV, o líder é o estúdio
Toei, fundado em 1956. Ele já criou mais de 150 séries
de sucesso, entre as quais Cavaleiros do Zodíaco, Dragon
Ball, Sailor Moon e Digimon, bem conhecidas no Brasil.
A cada ano, 250 novos episódios de animação
saem de seus escritórios. Esses gigantes, no entanto, convivem
com um grande número de empresas pequenas e bem-sucedidas.
Segundo um estudo de mercado, há hoje 437 estúdios
de animação no Japão, empregando 5.000 profissionais
especializados. "São empresas capitaneadas por seus próprios
criadores, e isso é muito peculiar no Japão, terra
das megacorporações", diz Ichiya Nakamura.
Caio Vilela
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Meninas
nas ruas de Tóquio: turbilhão de estilos
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Ao contrário do que se pode imaginar, não é
fácil conquistar o gosto dos jovens japoneses. O dinheiro
mais curto fez com que eles se tornassem mais seletivos na hora
de comprar discos, gibis e roupas. Em 1995, segundo uma pesquisa
da Rádio Tóquio, alunos de colegial podiam gastar,
em média, o equivalente a 170 dólares por mês.
No fim de 2002, o valor caíra para 70 dólares. O mesmo
ocorreu com a turma em idade universitária: seus gastos mensais
passaram de 550 dólares para 310 dólares, em média.
Alguns cultivaram o hábito de poupar tudo o que os
economistas japoneses não gostariam que acontecesse. Afinal,
o Japão se encontra preso numa "armadilha de liquidez"
situação em que os preços não param
de cair, mas ainda assim empresas e consumidores não se animam
a gastar.
Entre as gerações mais velhas, preocupações
imediatas explicam a timidez nos gastos. Planejar uma aposentadoria
não é tarefa muito simples no Japão de hoje
em dia, pois uma séria crise previdenciária está
no horizonte, e não há fontes alternativas de rendimento,
graças ao bizarro sistema financeiro japonês. Lá,
os juros pagos pelos bancos para depósitos de pessoas normais
são baixíssimos. Foi a maneira que o país encontrou
para financiar o crescimento de suas empresas na época do
milagre econômico: captar quase de graça junto ao público
e emprestar quase de graça para as companhias. Sem falar
na enrascada em que os bancos se meteram: eles estão afundados
em créditos podres, que jamais conseguirão recuperar
e que tentam esconder com uma parede de silêncio e com técnicas
de "contabilidade criativa". Esse sistema criou uma situação
ridícula, em que os rendimentos anuais de um poupador aposentado
giram em torno dos 200 dólares, em média. Entre as
gerações mais jovens, o medo do desemprego depois
da formatura explica por que uma parcela da mesada vai parar debaixo
do colchão. Dos 548.000 estudantes saídos da universidade
em 2002, apenas 312.000 conseguiram encontrar um trabalho em tempo
integral.
Apesar de tudo, a juventude japonesa ainda forma uma claque esbanjadora.
Ela não hesita em arranjar um bico numa lanchonete quando
quer comprar um novo modelo de telefone celular, um acessório
de grife ou o CD de sua banda favorita. A exuberância desse
tipo de consumo é o que faz de cidades como Tóquio
e Osaka grandes laboratórios de experimentação
pop, luminosas vitrines de tendências. "Tóquio se tornou
um dínamo do circuito fashion não necessariamente
pela originalidade do que se vê nas ruas, mas pelo incrível
entusiasmo exibido pela meninada. É para conferir essa atmosfera
efervescente que profissionais de moda de todo o mundo fizeram da
visita anual a Tóquio uma obrigação", diz a
jornalista especializada Emiko Oku. A existência dessa juventude
animada só não é uma notícia melhor
para os arautos do "grande império pop japonês" por
um motivo: ela está encolhendo. Enquanto a fatia de pessoas
acima de 65 anos na população japonesa mais que dobrou
nos últimos trinta anos (foi a 18,5% em 2002), o número
de pessoas com menos de 15 anos caiu: é, atualmente, de 14,2%,
um recorde negativo. Há projeções que falam
numa taxa de natalidade de 1,1% em 2007. Em outras palavras, o Japão
está se tornando rapidamente o país mais velho do
mundo. Nesse ritmo, por mais que os adolescentes de Tóquio
gastem livremente, não haverá uma quantidade suficiente
deles para fazer a diferença. Eis aí outro quesito
em que os japoneses deveriam dar rédea solta aos seus "espíritos
animais".
Os
"aidorus" da música pop
Divulgação/FIS
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| Ayumi
Hamasaki: espécie de Britney Spears na fase bem-comportada
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O Japão tem a segunda maior indústria
de música pop do mundo. Vem depois dos Estados
Unidos, e seu volume de negócios é estimado
em 20 bilhões de dólares anuais. O fenômeno
do momento é a ascensão dos selos musicais
independentes. Mas os artistas mais populares ainda
pertencem às grandes gravadoras. O sonho dessas
gravadoras é criar um "aidoru". A palavra vem
de "idol", ídolo em inglês, com pronúncia
à moda nipônica. Ninguém define
melhor o conceito do que a cantora Ayumi Hamasaki, de
25 anos. É impossível visitar Tóquio
sem tomar conhecimento de sua existência. Ela
já vendeu perto de 35 milhões de discos,
e seus hits não saem das rádios. Além
disso, a cantora é presença constante
na TV e seu rosto está estampado em campanhas
publicitárias. As adolescentes imitam sua maneira
de vestir-se o chamado "Ayu style". Meses atrás,
Ayumi adotou o hábito de usar grandes óculos
de sol no estilo dos anos 70 e criou uma febre em torno
desse acessório. Musicalmente, é uma espécie
de Britney Spears da fase bem-comportada. Ela mesma
compõe suas canções, que falam
de amor e liberdade. O auge de um aidoru costuma durar
dois anos. Ayumi vem suportando a superexposição
há quatro. "Nas paradas, ela até enfrenta
uma rival de peso, Utada Hikaru. Mas ainda não
surgiu um nome com a mesma influência no comportamento
dos fãs", diz o crítico Atsushi Shikano.
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Consumidores
jovens agora
buscam a simplicidade
Depois
de mais de uma década de recessão, os
hábitos de consumo da juventude japonesa estão
mudando. Vários institutos de pesquisa trabalham
para detectar a direção dos ventos. O
Centro de Estudos do Consumidor da Dentsu uma
gigante da propaganda mundial produziu um relatório
sobre os produtos supérfluos que mais atraíram
a atenção dos jovens em 2002. "Produtos
que permitiram às pessoas experimentar um modesto
desvio da rotina tornaram-se hit", diz o documento.
Os produtos foram agrupados em quatro esferas. Na primeira,
aqueles que favorecem a individualidade: minimáquinas
de lavar para lingerie e cadeiras de massagem entraram
nessa categoria. A segunda é a dos produtos que
"respondem ao desejo de estar com os outros", como videofones
e tintura de cabelo loiro (que se tornou um jeito de
se misturar à massa). Na terceira esfera, os
produtos que remetem a uma vida mais simples. Um livro
fez sucesso nesse domínio: Se o Mundo Fosse
uma Vila de 100 Pessoas. Na última esfera
encontram-se referências à tradição.
Chá verde gelado e bolinhos de arroz substituíram
a junk food para muitos jovens, que também procuraram
reimpressões de gibis dos anos 60. Quanto ao
fascínio dos japoneses por grifes estrangeiras,
ele ainda existe. Mas seus maiores fãs seriam
pessoas na faixa dos 30 anos, que viveram o boom econômico.

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O
sucesso de Issey Miyake
Nos
anos 80, estilistas como Yohji Yamamoto e Issey Miyake
puseram o Japão no mapa da moda. Agora, uma segunda
geração de designers começa a se
firmar. São nomes como Nigo, da marca de streetwear
A Bathing Ape, Jun Takahashi, da grife Undercover, e
Naoki Takizawa que desde 1999 dirige as coleções
da marca Issey Miyake, além de ter aberto uma
loja de roupa jovem com seu próprio nome num
badalado centro comercial de Tóquio, o Roppongi
Hills. Aos 43 anos, Takizawa acredita que a moda precisa
se comunicar com o restante da cultura. Já colaborou
com o coreógrafo William Forsythe, do Balé
de Frankfurt, e com o time de Takashi Murakami, estrela
da arte pop japonesa. Ele próprio é artista
plástico e concebeu recentemente uma instalação
sobre os índios ianomâmis. "A tecnologia
é muito importante para mim", disse Takizawa
a VEJA. "No Ocidente, os fabricantes de tecidos apresentam
seus produtos aos estilistas, que criam a partir dali.
Aqui, nós mesmos desenvolvemos os nossos." Em
sua última coleção, Takizawa explorou
uma fibra finíssima para criar mimetismos entre
pele e roupa. Takizawa também fez versões
de "roupas de um futuro próximo", com sapatos
que se prolongam em calças, macacões e
uniformes. O estilista diz que se inspira nos jovens
de Tóquio. "Às vezes eles parecem estar
à nossa frente."
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Palavra
favorita, "liberdade"
Uma
pesquisa realizada por um grande jornal anos atrás
revelou que as palavras preferidas da população
japonesa em geral eram "paciência", "harmonia"
e "concordância". Em suas raras entrevistas, o
romancista Haruki Murakami, de 54 anos, nunca deixa
de mencionar que sua palavra favorita é "liberdade".
Esse é um dos motivos de sua enorme popularidade
entre jovens e adolescentes. Os livros de Murakami têm
como protagonistas pessoas na faixa dos 20 ou 30 anos
que enfrentam crises existenciais. Já houve quem
os descrevesse como niilistas, mas Murakami discorda.
"Eles são apenas pessoas desconfortáveis
com sua posição na sociedade", disse ele
a VEJA. Murakami não se filia a nenhum grupo
literário e evita até mesmo reconhecer
precursores. "Nunca li um livro inteiro de Mishima",
diz ele, referindo-se a um dos maiores ícones
da ficção japonesa moderna. Quando despontou
na literatura, nos anos 80, muitos qualificaram sua
linguagem como influenciada em demasia pelo inglês.
Hoje seu estilo é reconhecido pela crítica,
que também o elogiou por voltar-se para questões
da história e da sociedade japonesa. Haruki Murakami
já vendeu 20 milhões de livros no Japão
e cerca de 3,8 milhões no resto do mundo (ele
é cada vez mais popular na Ásia). Caçando
Carneiros e Minha Querida Sputnik são
obras suas publicadas no Brasil.
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