Edição 1835 . 7 de janeiro de 2004

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Poderosa e preparada

Depois de J-Lo, a América e o mundo se
curvam a outra popozuda: Beyoncé Knowles

Te cuida, Jennifer Lopez. A nova artista das mil e uma atuações (todas muitíssimo bem-sucedidas) nos Estados Unidos é Beyoncé Knowles, que começou como vocalista principal do trio Destiny's Child e hoje, aos 22 anos – onze a menos que J-Lo –, é multimilionária cantora-atriz-produtora em ascendente carreira-solo. Com tantos predicados, Beyoncé (pronunciado à francesa, "Bioncê", sobrenome da família que virou nome próprio) tornou-se para as jovens americanas, sobretudo as negras, sinônimo de tudo o que é cool, ou seja, bacana, estiloso e, conseqüentemente, digno de ser imitado. Preta-loira de longos cabelos alisados, é bonita sem nunca ter passado por cirurgias transformadoras, embora saltem à vista as mudanças ocorridas entre o início da carreira e o visual atual, bem mais cuidado. Popozuda de dar inveja a vocês sabem quem, exibe seus atributos no palco e em todo e qualquer local onde holofotes se façam presentes – sua pose típica envolve, sempre, uma quebra de quadril com empinada de bumbum. Sensual, poderosa, exagerada, sabe que virou ícone de moda e de comportamento e tem evidente prazer em se exibir. Na vida pessoal, ao contrário, faz o gênero moça-família, apegada a papai e mamãe, temente a Deus, namorada de um mesmo rapaz há mais de um ano – sobre o qual, aliás, se recusa a falar. De sua boca de rainha egípcia é raro sair um comentário mais controvertido. "Sou abençoada. Não paro de receber prêmios nem de deparar com novas oportunidades", diz a cantora, que, em dezembro, ganhou quatro troféus na premiação anual da revista Billboard e seis indicações para o Grammy, prêmio máximo da indústria musical americana.

Beyoncé nasceu no Texas, em família bem de vida – o pai comercializava máquinas copiadoras. Aos 8 anos, ela e a única irmã ganharam um aparelho de karaokê, e Beyoncé nunca mais parou de cantar. "Eu gravava minha voz e às vezes mudava a letra das músicas. Era minha maior alegria", lembra. Aos 10, formou com três amigas o Destiny's Child, que depois virou trio. O potencial artístico foi incentivado no ambiente familiar de uma maneira bem americana. Aos 15, já era empresariada pelo pai e orientada pela mãe, autora das roupinhas que sempre deixavam aparecer um pouco mais do que o público estava acostumado a ver até no ambiente liberal do show business. O trio estourou logo no primeiro disco. Beyoncé, artista de qualidade um pouco acima da média no segmento R&B, em grupo e solo vendeu até hoje mais de 40 milhões de discos. Autora de 99% das músicas que canta, criou inclusive uma nova palavra, inspirada em sua própria figura: bootylicious, que poderia ser aproximadamente traduzida como "bumbom", uma exaltação aos atributos calipígios. "É uma música muito boba", diz. "Mas a palavra entrou para o dicionário." Com seu bumbum de brasileira e sua voz de cantora americana, além das letras que celebram a mulher sexy, independente e um bocado abusada, Beyoncé virou ídolo das adolescentes, que imitam suas roupas curtas e decotadas e a tonelada de jóias que, adepta convicta do bling bling que sempre foi, ostenta em público. Também é elogiada pela forma como conduz o namoro com o cantor, produtor e empresário (é dono de uma casa noturna em Nova York) Jay-Z: não confirma o romance e não responde a perguntas sobre o assunto, alegando tratar-se de "vida particular" (entendeu, Jenny?). Com ele aparece no vídeo de Crazy in Love, o maior hit de seu primeiro álbum-solo, em roupas sensuais, situações sensuais e gestos sensuais. Mas Beyoncé, que até recentemente, estivesse onde estivesse, pegava o avião sábado à noite para ir à igreja domingo de manhã com a família, continua a fazer o gênero bem-comportado. Da garota meiga, que quando entra em uma sala aperta a mão de todos, um por um, raramente saem queixas mais contundentes. "Infelizmente, as pessoas não ligam para o fato de que componho todas as minhas músicas, canto as baladas a capela", deixou escapar há pouco tempo. Corrigiu-se em seguida: "Bem, há pessoas que ligam, sim".

Milionária com a música, Beyoncé turbina o cofrinho com um gordo contrato com a L'Oréal e outro, recente, com a Pepsi (no qual entrou no lugar de quem? Isso mesmo: La Lopez). Mais: decidida a se destacar como artista, Beyoncé teve atuação elogiada (morra de inveja, Jennifer) como a exuberante Foxxy Cleopatra no último filme do espião Austin Powers, Goldmember, e em setembro estreou nos Estados Unidos como protagonista de The Fighting Temptations, no papel de mocinha-mãe solteira-cantora de cabaré reformada. Arroz de shows em prol de causas nobres, nos últimos meses cantou em um espetáculo beneficente em Londres (posou ao lado de um embasbacado príncipe Charles) e participou de manifestação pelas vítimas da Aids na África do Sul (posou embasbacada ao lado de Nelson Mandela). Em 2004, planeja gravar novo disco-solo, outro com o Destiny's Child e fazer mais um filme. Pretende ainda lançar no meio do ano, com a mãe e estilista particular, Tina, uma linha de roupas para "mulheres curvilíneas, como eu". Aí, reconheçamos, já é imitar demais os passos de Jennifer Lopez. No fim, porém, todos saem ganhando e o mundo do espetáculo fica mais interessante com duas mulheres cheias de curvas, com suas roupas escandalosas e uma sede insaciável de sucesso. Viva a competição.

 
 
 
 
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