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Perfil
Poderosa e preparada
Depois de J-Lo, a
América e o mundo se
curvam a outra popozuda: Beyoncé Knowles
Te cuida, Jennifer Lopez. A nova artista das mil e uma atuações
(todas muitíssimo bem-sucedidas) nos Estados Unidos é
Beyoncé Knowles, que começou como vocalista principal
do trio Destiny's Child e hoje, aos 22 anos onze a menos
que J-Lo , é multimilionária cantora-atriz-produtora
em ascendente carreira-solo. Com tantos predicados, Beyoncé
(pronunciado à francesa, "Bioncê", sobrenome da família
que virou nome próprio) tornou-se para as jovens americanas,
sobretudo as negras, sinônimo de tudo o que é cool,
ou seja, bacana, estiloso e, conseqüentemente, digno de ser
imitado. Preta-loira de longos cabelos alisados, é bonita
sem nunca ter passado por cirurgias transformadoras, embora saltem
à vista as mudanças ocorridas entre o início
da carreira e o visual atual, bem mais cuidado. Popozuda de dar
inveja a vocês sabem quem, exibe seus atributos no palco e
em todo e qualquer local onde holofotes se façam presentes
sua pose típica envolve, sempre, uma quebra de quadril
com empinada de bumbum. Sensual, poderosa, exagerada, sabe que virou
ícone de moda e de comportamento e tem evidente prazer em
se exibir. Na vida pessoal, ao contrário, faz o gênero
moça-família, apegada a papai e mamãe, temente
a Deus, namorada de um mesmo rapaz há mais de um ano
sobre o qual, aliás, se recusa a falar. De sua boca de rainha
egípcia é raro sair um comentário mais controvertido.
"Sou abençoada. Não paro de receber prêmios
nem de deparar com novas oportunidades", diz a cantora, que, em
dezembro, ganhou quatro troféus na premiação
anual da revista Billboard e seis indicações
para o Grammy, prêmio máximo da indústria musical
americana.
Beyoncé nasceu no Texas, em família bem de vida
o pai comercializava máquinas copiadoras. Aos 8 anos, ela
e a única irmã ganharam um aparelho de karaokê,
e Beyoncé nunca mais parou de cantar. "Eu gravava minha voz
e às vezes mudava a letra das músicas. Era minha maior
alegria", lembra. Aos 10, formou com três amigas o Destiny's
Child, que depois virou trio. O potencial artístico foi incentivado
no ambiente familiar de uma maneira bem americana. Aos 15, já
era empresariada pelo pai e orientada pela mãe, autora das
roupinhas que sempre deixavam aparecer um pouco mais do que o público
estava acostumado a ver até no ambiente liberal do show business.
O trio estourou logo no primeiro disco. Beyoncé, artista
de qualidade um pouco acima da média no segmento R&B,
em grupo e solo vendeu até hoje mais de 40 milhões
de discos. Autora de 99% das músicas que canta, criou inclusive
uma nova palavra, inspirada em sua própria figura: bootylicious,
que poderia ser aproximadamente traduzida como "bumbom", uma exaltação
aos atributos calipígios. "É uma música muito
boba", diz. "Mas a palavra entrou para o dicionário." Com
seu bumbum de brasileira e sua voz de cantora americana, além
das letras que celebram a mulher sexy, independente e um bocado
abusada, Beyoncé virou ídolo das adolescentes, que
imitam suas roupas curtas e decotadas e a tonelada de jóias
que, adepta convicta do bling bling que sempre foi, ostenta em público.
Também é elogiada pela forma como conduz o namoro
com o cantor, produtor e empresário (é dono de uma
casa noturna em Nova York) Jay-Z: não confirma o romance
e não responde a perguntas sobre o assunto, alegando tratar-se
de "vida particular" (entendeu, Jenny?). Com ele aparece no vídeo
de Crazy in Love, o maior hit de seu primeiro álbum-solo,
em roupas sensuais, situações sensuais e gestos sensuais.
Mas Beyoncé, que até recentemente, estivesse onde
estivesse, pegava o avião sábado à noite para
ir à igreja domingo de manhã com a família,
continua a fazer o gênero bem-comportado. Da garota meiga,
que quando entra em uma sala aperta a mão de todos, um por
um, raramente saem queixas mais contundentes. "Infelizmente, as
pessoas não ligam para o fato de que componho todas as minhas
músicas, canto as baladas a capela", deixou escapar há
pouco tempo. Corrigiu-se em seguida: "Bem, há pessoas que
ligam, sim".
Milionária com a música, Beyoncé turbina o
cofrinho com um gordo contrato com a L'Oréal e outro, recente,
com a Pepsi (no qual entrou no lugar de quem? Isso mesmo: La Lopez).
Mais: decidida a se destacar como artista, Beyoncé teve atuação
elogiada (morra de inveja, Jennifer) como a exuberante Foxxy Cleopatra
no último filme do espião Austin Powers, Goldmember,
e em setembro estreou nos Estados Unidos como protagonista de The
Fighting Temptations, no papel de mocinha-mãe solteira-cantora
de cabaré reformada. Arroz de shows em prol de causas nobres,
nos últimos meses cantou em um espetáculo beneficente
em Londres (posou ao lado de um embasbacado príncipe Charles)
e participou de manifestação pelas vítimas
da Aids na África do Sul (posou embasbacada ao lado de Nelson
Mandela). Em 2004, planeja gravar novo disco-solo, outro com o Destiny's
Child e fazer mais um filme. Pretende ainda lançar no meio
do ano, com a mãe e estilista particular, Tina, uma linha
de roupas para "mulheres curvilíneas, como eu". Aí,
reconheçamos, já é imitar demais os passos
de Jennifer Lopez. No fim, porém, todos saem ganhando e o
mundo do espetáculo fica mais interessante com duas mulheres
cheias de curvas, com suas roupas escandalosas e uma sede insaciável
de sucesso. Viva a competição.
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