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Esporte
Isca
para milionários
A
caça ao marlim reúne os
endinheirados
no sul da Bahia

Adriana
Negreiros, de Canavieiras
Fotos Pisco Del Gaiso/Fotosite
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| ALBERT
ADÈS: champanhe, perfume, toalhas mentoladas, charutos e, de
vez em quando, até um peixe no anzol para animar as pescarias
mundo afora |
As
águas profundas do litoral baiano são um ponto privilegiado
para a observação de cardumes de milionários.
Embarcados em lanchas suntuosas, eles torram milhões para
saciar seu instinto de caça. Sua presa é o marlim-azul,
um peixe que pode pesar 1 tonelada e nada a mais de 90 quilômetros
por hora. Canavieiras, pequeno município de 35.000 habitantes
no sul da Bahia, é um dos melhores lugares do mundo para
fisgar essa presa. A menos de 30 quilômetros da costa, existe
um banco de areia cuja borda se inclina e atinge até 3.000
metros de profundidade, em águas que alcançam 30 graus
e têm alimentos em grande quantidade para predadores. Num
único dia, o cais da cidade chega a juntar mais de 16 milhões
de dólares em embarcações. Os proprietários
desembolsam mais de 2.000 reais num passeio de horas e gastam pequenas
fortunas para manter o iate na marina, pagar tripulação
e arcar com o seguro.
O
nível de sofisticação a bordo destoa do vigor
da captura do marlim. "É como pegar um boi numa linha de
náilon", descreve o banqueiro de investimentos Albert Adès,
de 61 anos, pescador que cultua o glamour do esporte. Nascido no
Cairo, Adès viveu nos Estados Unidos, na França e
na Inglaterra além do Brasil e mantém
quatro barcos, o mais caro deles de 250.000 dólares, enquanto
espera que fiquem prontos outros três, no valor total de 1,5
milhão de dólares. A bordo, durante o tempo em que
aguarda que um marlim encontre sua isca, ele beberica champanhe
Veuve Clicquot, belisca salame italiano e queijos finos e fuma charutos
cubanos, Punch ou Romeo y Julieta. Ao fim da pescaria, manda borrifar
perfume francês na cabine, banha-se, veste-se com requinte
e se deixa recepcionar no cais por secretárias que lhe servem
mais champanhe e toalhas molhadas aromatizadas com menta.
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| Jimmy
Heldt, com Karen: um navio só para levar os barcos aos
melhores pontos de pesca |
Fala-se
de festas animadíssimas a bordo nessas pescarias, mas ninguém
assume que as realiza. "Esse esporte é bruto e não
combina com farra", diz o publicitário baiano Fernando Barros,
de 51 anos, que pesca na companhia dos filhos Leonardo, de 24 anos,
e Vítor, de 14. Outro pescador, o americano Thomas Spears,
de 55 anos, dedica um fim de semana por mês a esse lazer.
Pode ser no México, no Panamá, na Costa Rica ou nas
águas frias do Alasca. Na Bahia, Spears participou da avaliação
de um projeto de 30 milhões de dólares que pode transformar
Canavieiras numa espécie de resort a ser vendido no sistema
de cotas. Por 19.000 dólares, mais 200 dólares mensais,
o cotista poderá passar cinco dias por ano no local, com
direito a um jatinho para transportá-lo de São Paulo.
Outro americano, Jimmy Heldt, de 49 anos, tem boas lembranças
de Canavieiras. Campeão do torneio de pesca oceânica
em novembro, foi premiado com duas cotas do empreendimento. Doou
o prêmio e ficou apenas com a cabeça de um marlim que
capturou. Caso raro de pescador que viaja com a patroa, Karen, Heldt
possui um navio de 50 metros só para carregar os barcos que
usa nas pescarias ao redor do mundo. Sua lancha Heldter Skeldter,
utilizada no campeonato, está avaliada em 1,5 milhão
de dólares.
Os sem-barco também podem se divertir em Canavieiras. Do
aeroporto de Ilhéus até lá, o transporte em
vans custa 200 reais por pessoa, ida e volta. O Ilha de Atalaia
Resort cobra diárias de 236 reais para casal, e cada dia
de pesca a bordo de um barco de 37 pés alugado pela empresa
Artemarina custa 1100 dólares, para quatro pescadores, com
tripulação, bebidas e lanches incluídos no
pacote.
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