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DVD
Gladiador
(Gladiator,
Estados Unidos, 2000. Columbia) A versão em DVD
do épico estrelado por Russell Crowe é um prato
cheio para os cinéfilos. Traz dois discos. O primeiro deles
contém o filme levado às telas. O outro, uma seleção
de onze cenas que ficaram de fora do filme e um item intitulado
"Baú de Tesouros". Trata-se de uma cortesia do montador
Pietro Scalia, que editou como se fosse um clipe várias
tomadas que não foram aproveitadas algumas delas
belíssimas. Há ainda um making of e um documentário
sobre os gladiadores da Roma antiga. Rodado em locações
como o Coliseu, a mais célebre arena romana, e narrado
por especialistas no assunto, é o item mais atraente do
cardápio. Ao contrário do que costuma acontecer
nos DVDs lançados por aqui, todos os extras podem ser vistos
com legendas em português.
TELEVISÃO
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| Estação
Espacial: belas imagens |
Projeto
Estação Espacial
(Domingo dia 10, às 21h, no Discovery) É
possível ter filhos no espaço? E o que aconteceria
às pessoas que nascessem numa nave: teriam um desenvolvimento
diferente dos mortais comuns? Questões futuristas como
essas, além de várias outras curiosidades, são
levantadas nesse programa. O tema é a Estação
Espacial Internacional que está sendo construída,
desde 1998, por um pool de dezesseis países o Brasil
entre eles. Uma equipe do Discovery acompanhou o treinamento de
astronautas na Nasa e, depois, conseguiu que eles gravassem imagens
do espaço com câmaras de última geração.
Além dessas cenas, o programa exibe simulações
de como a estação ficará quando pronta, em
2006, ao custo de 60 bilhões de dólares.
DISCOS
Lembranças,
Ba-den Powell (Trama)
Esse é o primeiro de três projetos especiais que
o violonista planejava gravar pela Trama. Os outros dois seriam
um disco de chorinhos e um com o melhor de sua obra. Não
deu tempo: Baden Powell morreu em setembro deste ano, apenas quatro
meses depois de ter concluído as gravações
desse CD. Lembranças
é um belíssimo testamento. Ele pinçou onze
composições que fizeram parte de sua história,
da infância à época em que já era um
artista consagrado mundialmente. A todas, Baden dá um toque
especial. Como a marcha-rancho Pastorinhas,
transformada em uma jóia barroca.
Familiar
to Millions, Oasis (Sony Music)
Noel e Liam Gallagher, os líderes do Oasis, são
o Caim e o Abel do rock inglês. Adoram trocar bravatas pela
imprensa e, alternadamente, anunciam a sua saída "definitiva"
do grupo. Esse clima de rivalidade costuma enlouquecer os outros
integrantes da banda tanto que o baixista e o guitarrista
da formação original pediram as contas no ano passado.
Essa briguinha constante ajuda a incrementar as apresentações
ao vivo do quinteto. Explicando melhor: para mostrar ao público
qual dos dois é o verdadeiro talento, os irmãos
se superam em performances arrasadoras. Familiar
to Millions é uma prova
disso. Gravado em julho num estádio londrino, quando os
Gallagher viviam outra de suas crises, traz versões definitivas
para hits como Supersonic, Live
Forever e Wonderwall.
Esta última, cantada em
coro pelas 70.000
pessoas presentes.
LIVRO
Da
Natureza das Coisas, de Júlia
Mainardi (Beca; 297 páginas; 29 reais) Uma coisa
é um livro feminista. Outra, bem diferente, é um
livro com temática feminina. No primeiro caso, sempre há
uma mensagem edificante a ser passada e uma visão de mundo
filtrada pelo prisma do gênero. No segundo, o que há
é apenas um ponto de vista, um espírito que perpassa
a narração sem interferir diretamente sobre os acontecimentos.
Esse primeiro romance de Júlia Mainardi, felizmente, se
enquadra na segunda categoria, e é em parte daí
que advém o seu valor. O livro conta a história
de Sílvia, uma mulher bem-sucedida e madura que passa em
revista sua trajetória. Pontuado por citações
eruditas, mas que não interferem em sua legibilidade, o
romance traça o painel de um estrato da sociedade brasileira
ainda carente de boa representação ficcional: a
classe média alta. Júlia sabe do que está
falando. Ex-profissional de propaganda, ela conhece de perto muitos
integrantes desse segmento social.
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LITERATURA
BRASILEIRA
O
Grande Deflorador
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Dalton
Trevisan
L&PM,
98
páginas,
7 reais
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O
paranaense Dalton Trevisan é realmente um mistério.
Não por ser um recluso que não concede entrevistas
nem se deixa fotografar. O que o torna um caso à
parte é ter preservado intacta a força de
sua obra, ao longo de quarenta anos, sem nunca abandonar
os mesmos assuntos e técnicas. Até os autores
mais talentosos podem dar sinais de cansaço. Rubem
Fonseca, por exemplo, parece imitar a si mesmo em contos
recentes. Trevisan, jamais. Sua arte espartana, adepta do
mínimo mais mínimo necessário, sempre
produziu frutos maravilhosos. É o que provam os 21
contos reunidos no livro O
Grande Deflorador.
Não
estão presentes, nessa coletânea, textos de
apenas uma ou duas linhas, como aqueles que Trevisan de
vez em quando escreve. Mesmo assim, a concisão é
extrema. Todas as histórias resolvem-se em poucas
páginas. Para falar como o próprio autor,
que usou essa expressão no título de um outro
livro, a maioria dos contos trata da "guerra conjugal".
Os personagens estão entre os mais emblemáticos
da obra de Trevisan: o marido brutal e a mulher submissa;
homens traídos e homens abandonados, que então
revelam sua natureza ridícula ou assassina; casais
de velhos que se odeiam ou preservam grotescamente o afã
sexual. Mas o livro também possui um conjunto de
textos particularmente fortes, que revelam com clareza a
visão desoladora que Dalton Trevisan tem de "nossa
humana condição". São contos cruelmente
irônicos, cuja moral talvez se pudesse expressar desta
maneira: "Não há salvação na
inocência. Mais cedo ou mais tarde ela vai ser profanada".
Dois
contos, Meu
Querido Assassino e Diálogo
entre Sócrates e Alcibíades,
mostram crianças que aguardam suas mães enquanto
elas se entregam a perversões dignas do marquês
de Sade. "Dorme, pobre menina, antes que o bicho-papão
te pegue", diz o sarcástico narrador num deles, ao
observar a criança cair no sono depois de tanto esperar.
O terceiro conto, brilhante e devastador, descreve a sucessão
de tragédias na vida de uma mulher. Seu título
é o mesmo do livro, mas, ao contrário do que
o leitor suporia, o "grande deflorador" em questão
não é outro dos homens sórdidos tão
comuns nos contos de Trevisan. Ele é o próprio,
digamos, Papai do Céu. Isso porque na realidade descrita
por Trevisan não pode haver consolo em coisas "elevadas",
como Deus ou a arte. Não há transcendência.
O que existe é a gigantesca roda da carnalidade,
que vai destroçando os laços de família
e o verniz da fé, da moral e das boas intenções.
Carlos
Graieb
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