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A
poderosa perua
Cinco
anos depois da morte de
Gianni,
Donatella, a irmãzinha
platinada, é a alma da Versace
Fotos AP
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Donatella,
dourada dos pés
à
cabeça: sucessora do irmão
no ateliê
e nas amizades famosas |
Quando Gianni Versace morreu, assassinado em frente à sua casa
em Miami Beach, na Flórida, em julho de 1997, pensou-se que a grife
morreria com ele. Gianni era a Versace em seu estilo de vida movido
a luxo, brilho e sexo, no gosto barroco, nas festas monumentais, em sua
fina sintonia com celebridades e refletores. A surpresa é que,
passados cinco anos, a grife Versace continua vivíssima. Na mesa
da diretoria, a empresa familiar segue chefiada, como sempre foi, pelo
irmão mais velho, Santo. No comando da criação e
no vital departamento de imagem, está a mão de ferro (coberta
de imensos anéis) da caçula da família, a loiríssima,
peruíssima, plastificadíssima e cada vez mais poderosa Donatella.
Vista como uma exótica relações-públicas da
grife, embora já tocasse a Versus, sua versão menos cara,
e até tivesse desenhado em nome de Gianni quando ele teve câncer,
em 1993, ninguém pôs fé em Donatella quando ela resolveu
assinar as criações Versace. Pois a irmã menos brilhante,
com sua aparência que beira o grotesco, tem se saído muito
melhor que o esperado.
A caçula dos Versace não só soube sustentar o padrão
luxuoso-brilhante-sexy, com um pé (às vezes os dois) na
vulgaridade, como manteve o que aparece menos por trás da etiqueta
fulgurante: impecável padrão de qualidade e brilhante trabalho
com tecidos, uma área em que a maestria italiana continua imbatível.
Embora tenha sentido o baque da onda antiostentação que
se seguiu ao 11 de setembro, com uma queda de 10% nos lucros, a Versace
continua faturando cerca de 500 milhões de dólares por ano.
Pelo conjunto da obra, Donatella entrou neste ano pela primeira vez na
lista da revista Fortune das cinqüenta mulheres mais poderosas
do mundo. Para coroar o bom momento, no mês passado foi inaugurada
no Museu Victoria & Albert, em Londres, uma exposição
dedicada a Gianni, o tipo de reconhecimento oficial que faz bem à
imagem e aos negócios. Estão lá o célebre
pretinho arrematado a alfinetes que projetou Elizabeth Hurley e modelos
usados pela falecida princesa Diana, lado a lado com roupas já
da fase Donatella, com destaque para a inesquecível conjunção
de decote até o umbigo e fenda até o alto das pernas exibida
por Jennifer Lopez. Dois dias depois, em Nova York, Donatella recebeu
homenagem especial em uma das principais premiações do setor
de moda nos Estados Unidos, promovida pelo canal a cabo VH1 e pela revista
Vogue.
Na
abertura da exposição em Londres, Donatella, a amicíssima
dos famosos, compareceu do jeito que Versace gosta: de mãos dadas
com Madonna e a pequena Lola, uma empetecada Chelsea Clinton e a própria
filha, Allegra, aos 16 anos a principal herdeira do império deixado
pelo tio. Na festa em Nova York, assistiu à apresentação
especial de Maya Rudolph, a atriz que a personifica, sempre de cigarro
em riste, voz engrossada pelo fumo, inglês execrável e maneiras
piores ainda, nas impagáveis paródias no programa humorístico
Saturday Night Live. A própria Donatella apresentou-se em
dupla com Maya, fazendo piada consigo mesma. Coisa rara, diga-se. Donatella
se leva muito a sério. "A moda não é frívola",
gosta de dizer. "Sou uma mulher de negócios, uma pessoa seriíssima."
Parecer, não parece. Invariavelmente bronzeada dos pés à
cabeça, enrolada em roupas colantes, cabelo loiro-branco, lábios
estufados e atolada em ouro e pedras preciosas, a czarina da Versace parece
estar sempre fantasiada. Esticadíssima, com aquele tipo de aparência
de quem vive conservada num frasco de Botox, não toca no assunto
idade (quando obrigatório, menciona fictícios 43 anos).
Come pouco, malha e faz esteira cinco dias por semana. "Detesto, mas é
obrigatório para uma mulher na minha posição, cercada
de lindas modelos", diz.
Donatella é a própria encarnação do estilo
novo-riquíssimo que se tornou sinônimo de Versace. Anda cercada
de musculosos e bem-apanhados seguranças, passa férias em
Saint-Tropez (100.000 dólares de aluguel por um mês, no último
verão) e hidrata os pés com Crème de La Mer, o cosmético
mais caro do planeta. Foi casada com o bonitão Paul Beck, ex-modelo
americano, muito amigo de Gianni, que até hoje trabalha na Versace
em Nova York, e tem, além de Allegra, um filho de 11 anos, Daniel.
Aonde vai, carrega cabeleireiro, maquiador e um assessor só para
aparar as cinzas do onipresente cigarro. Praticamente só veste
Versace, com exceções para o franco-tunisiano Azzedine Alaia
e marcas pouco conhecidas. Traz sua equipe de quinze estilistas num cortado,
mas gosta de posar de patroa camarada. "Não quero que me digam
amém. Falo sempre: 'Vocês foram contratados porque gostam
de Yohji Yamamoto' ", diz, referindo-se ao estilista japonês cujo
trabalho sóbrio e minimalista é o oposto exato da Versace.
"Ele é um artista. Eu ainda não cheguei lá", provoca,
deixando aflorar o temperamento de calabresa. Quem a conhece, desde que
não seja identificado, desanca a loira. "Não é uma
pessoa de quem se goste. É irritante, neurótica e imprevisível",
diz uma jornalista americana. "Ela pensa que é Claudia Schiffer,
quando todos acham que se parece com Ru Paul", retalha outra, comparando-a
à famosa drag queen. Donatella sacode a cabeleira platinada, encolhe
a barriga (raramente se deixa fotografar sentada, para não mostrar
as dobrinhas) e vai em frente.
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