Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 776 - 6 de novembro de 2002
Geral Moda
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
 

Muralhas de Jerusalém podem ruir
A saúde precária da América pré-colombiana
A erupção do Vulcão Etna
A China recicla lixo tecnológico de países ricos
Rastreamento de carros contra seqüestros
O regime à base de líquidos da Universidade da Califórnia
Novidades na área de lazer dos condomínios
Museu mineiro reúne utensílios de artes e ofícios
A barba está de volta, rala e desleixada
Donatella Versace
Amazônia, pantanais e mar na Ilha de Marajó

Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Arc
Gente
Datas

VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

A poderosa perua

Cinco anos depois da morte de
Gianni, Donatella, a irmãzinha
platinada, é a alma da Versace


Fotos AP
Donatella, dourada dos pés
à
cabeça: sucessora do irmão no ateliê
e nas amizades famosas

Quando Gianni Versace morreu, assassinado em frente à sua casa em Miami Beach, na Flórida, em julho de 1997, pensou-se que a grife morreria com ele. Gianni era a Versace – em seu estilo de vida movido a luxo, brilho e sexo, no gosto barroco, nas festas monumentais, em sua fina sintonia com celebridades e refletores. A surpresa é que, passados cinco anos, a grife Versace continua vivíssima. Na mesa da diretoria, a empresa familiar segue chefiada, como sempre foi, pelo irmão mais velho, Santo. No comando da criação e no vital departamento de imagem, está a mão de ferro (coberta de imensos anéis) da caçula da família, a loiríssima, peruíssima, plastificadíssima e cada vez mais poderosa Donatella. Vista como uma exótica relações-públicas da grife, embora já tocasse a Versus, sua versão menos cara, e até tivesse desenhado em nome de Gianni quando ele teve câncer, em 1993, ninguém pôs fé em Donatella quando ela resolveu assinar as criações Versace. Pois a irmã menos brilhante, com sua aparência que beira o grotesco, tem se saído muito melhor que o esperado.

A caçula dos Versace não só soube sustentar o padrão luxuoso-brilhante-sexy, com um pé (às vezes os dois) na vulgaridade, como manteve o que aparece menos por trás da etiqueta fulgurante: impecável padrão de qualidade e brilhante trabalho com tecidos, uma área em que a maestria italiana continua imbatível. Embora tenha sentido o baque da onda antiostentação que se seguiu ao 11 de setembro, com uma queda de 10% nos lucros, a Versace continua faturando cerca de 500 milhões de dólares por ano. Pelo conjunto da obra, Donatella entrou neste ano pela primeira vez na lista da revista Fortune das cinqüenta mulheres mais poderosas do mundo. Para coroar o bom momento, no mês passado foi inaugurada no Museu Victoria & Albert, em Londres, uma exposição dedicada a Gianni, o tipo de reconhecimento oficial que faz bem à imagem e aos negócios. Estão lá o célebre pretinho arrematado a alfinetes que projetou Elizabeth Hurley e modelos usados pela falecida princesa Diana, lado a lado com roupas já da fase Donatella, com destaque para a inesquecível conjunção de decote até o umbigo e fenda até o alto das pernas exibida por Jennifer Lopez. Dois dias depois, em Nova York, Donatella recebeu homenagem especial em uma das principais premiações do setor de moda nos Estados Unidos, promovida pelo canal a cabo VH1 e pela revista Vogue.

Na abertura da exposição em Londres, Donatella, a amicíssima dos famosos, compareceu do jeito que Versace gosta: de mãos dadas com Madonna e a pequena Lola, uma empetecada Chelsea Clinton e a própria filha, Allegra, aos 16 anos a principal herdeira do império deixado pelo tio. Na festa em Nova York, assistiu à apresentação especial de Maya Rudolph, a atriz que a personifica, sempre de cigarro em riste, voz engrossada pelo fumo, inglês execrável e maneiras piores ainda, nas impagáveis paródias no programa humorístico Saturday Night Live. A própria Donatella apresentou-se em dupla com Maya, fazendo piada consigo mesma. Coisa rara, diga-se. Donatella se leva muito a sério. "A moda não é frívola", gosta de dizer. "Sou uma mulher de negócios, uma pessoa seriíssima." Parecer, não parece. Invariavelmente bronzeada dos pés à cabeça, enrolada em roupas colantes, cabelo loiro-branco, lábios estufados e atolada em ouro e pedras preciosas, a czarina da Versace parece estar sempre fantasiada. Esticadíssima, com aquele tipo de aparência de quem vive conservada num frasco de Botox, não toca no assunto idade (quando obrigatório, menciona fictícios 43 anos). Come pouco, malha e faz esteira cinco dias por semana. "Detesto, mas é obrigatório para uma mulher na minha posição, cercada de lindas modelos", diz.

Donatella é a própria encarnação do estilo novo-riquíssimo que se tornou sinônimo de Versace. Anda cercada de musculosos e bem-apanhados seguranças, passa férias em Saint-Tropez (100.000 dólares de aluguel por um mês, no último verão) e hidrata os pés com Crème de La Mer, o cosmético mais caro do planeta. Foi casada com o bonitão Paul Beck, ex-modelo americano, muito amigo de Gianni, que até hoje trabalha na Versace em Nova York, e tem, além de Allegra, um filho de 11 anos, Daniel. Aonde vai, carrega cabeleireiro, maquiador e um assessor só para aparar as cinzas do onipresente cigarro. Praticamente só veste Versace, com exceções para o franco-tunisiano Azzedine Alaia e marcas pouco conhecidas. Traz sua equipe de quinze estilistas num cortado, mas gosta de posar de patroa camarada. "Não quero que me digam amém. Falo sempre: 'Vocês foram contratados porque gostam de Yohji Yamamoto' ", diz, referindo-se ao estilista japonês cujo trabalho sóbrio e minimalista é o oposto exato da Versace. "Ele é um artista. Eu ainda não cheguei lá", provoca, deixando aflorar o temperamento de calabresa. Quem a conhece, desde que não seja identificado, desanca a loira. "Não é uma pessoa de quem se goste. É irritante, neurótica e imprevisível", diz uma jornalista americana. "Ela pensa que é Claudia Schiffer, quando todos acham que se parece com Ru Paul", retalha outra, comparando-a à famosa drag queen. Donatella sacode a cabeleira platinada, encolhe a barriga (raramente se deixa fotografar sentada, para não mostrar as dobrinhas) e vai em frente.

 

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS