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Edição 1 776 - 6 de novembro de 2002
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Mudança de modelo

A barba da moda é rala e um pouco
desleixada. Nada a ver com o estilo
que chegou ao poder



Fotos divulgação
Ricci: é áspera, mas Luana Piovani não reclamou


Nem Lula, nem Antônio Palocci, nem José Graziano, para ficar nas fisionomias neogovernistas mais vistas da semana. Depois de demorar tanto tempo para controlar a pilosidade facial e adaptá-la a um modelo mais palatável, as barbas petistas já chegam ao poder fora de moda – pelo menos naquela faixa da população que controla fio a fio as tendências do momento. Pêlos faciais estão, sim, no figurino do homem moderno. Mas vêm em duas versões básicas: o tipo "levantei e saí sem me barbear", que dá um ar desleixado-fashion a quem usa – majoritariamente modelos e artistas –, e o milimetricamente escanhoado, na forma de cavanhaque ou costeleta que acompanha o maxilar, preferido por nove entre dez parrudos freqüentadores de academia (aí incluídos policiais e seguranças, para quem o cavanhaque desenhadinho é quase obrigatório).

O modelo paranaense Anderson Dornelles, 22 anos, aderiu à barba por fazer há dois anos e jura: passou a trabalhar mais. "Não gostava de fazer a barba todo dia porque irritava a pele. Comecei a ir para as seleções sem me barbear e deu certo", conta. Hoje, Dornelles é o modelo masculino mais solicitado de sua agência no Brasil. A Rafael Arruda, 23 anos, moreno de olhos verdes de agência diferente e barba parecida, também não faltam nem trabalho nem sucesso com as mulheres. Idem o colega Caco Ricci, 24, um dos astros da vasta coleção de bonitões de Luana Piovani. "Fica meio áspero, mas nem Luana nem nenhuma outra reclamaram", gaba-se. A pele dos mancebos agradece, principalmente daqueles que têm barba mais cerrada. "A lâmina de barbear provoca microcortes que facilitam a entrada de bactérias, deixando a pele irritada e inflamada", explica a dermatologista Luciana Conrado. Por mais largado que pareça, o visual dá certo trabalho. Munidos de cortadores elétricos, os semibarbudos escolhem o tamanho do pêlo (entre 0,5 e 1 centímetro) e mantêm o visual com retoques a cada três dias, mais ou menos.

 
Arruda e Dornelles: mais trabalhos depois de adotar o visual barbudo

Já o cavanhaque exige muito mais manutenção. Quem o cultiva tem de fazer a barba todo dia e ainda deixar o contorno bem reto – vira e mexe, precisa recorrer a um barbeiro para consertar falhas. Além disso, tem de aparar os pêlos que ficam com a tal maquininha. Poucos agüentam mantê-lo por muito tempo. João Paulo Diniz já teve e tirou. O ator Marcelo Novaes também. Dado Dolabella, por causa de seu papel na minissérie global A Casa das Sete Mulheres, está cultivando o seu. Cavanhaque ou barba por fazer, um mandamento é sagrado: os pêlos param no queixo. "Pode até deixar a costeleta mais marcada. Mas o pescoço tem de estar limpo", decreta Eron Araújo, que atende barbudos vaidosos no salão de cabeleireiro C. Kamura, em São Paulo.

   
 
   
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