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Mudança de
modelo
A barba
da moda é rala e um pouco
desleixada. Nada a ver com o estilo
que chegou ao poder
Fotos divulgação
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| Ricci:
é áspera, mas Luana Piovani não reclamou |
Nem Lula, nem Antônio Palocci, nem José Graziano, para ficar
nas fisionomias neogovernistas mais vistas da semana. Depois de demorar
tanto tempo para controlar a pilosidade facial e adaptá-la a um
modelo mais palatável, as barbas petistas já chegam ao poder
fora de moda pelo menos naquela faixa da população
que controla fio a fio as tendências do momento. Pêlos faciais
estão, sim, no figurino do homem moderno. Mas vêm em duas
versões básicas: o tipo "levantei e saí sem me barbear",
que dá um ar desleixado-fashion a quem usa majoritariamente
modelos e artistas , e o milimetricamente escanhoado, na forma de
cavanhaque ou costeleta que acompanha o maxilar, preferido por nove entre
dez parrudos freqüentadores de academia (aí incluídos
policiais e seguranças, para quem o cavanhaque desenhadinho é
quase obrigatório).
O modelo
paranaense Anderson Dornelles, 22 anos, aderiu à barba por fazer
há dois anos e jura: passou a trabalhar mais. "Não gostava
de fazer a barba todo dia porque irritava a pele. Comecei a ir para as
seleções sem me barbear e deu certo", conta. Hoje, Dornelles
é o modelo masculino mais solicitado de sua agência no Brasil.
A Rafael Arruda, 23 anos, moreno de olhos verdes de agência diferente
e barba parecida, também não faltam nem trabalho nem sucesso
com as mulheres. Idem o colega Caco Ricci, 24, um dos astros da vasta
coleção de bonitões de Luana Piovani. "Fica meio
áspero, mas nem Luana nem nenhuma outra reclamaram", gaba-se. A
pele dos mancebos agradece, principalmente daqueles que têm barba
mais cerrada. "A lâmina de barbear provoca microcortes que facilitam
a entrada de bactérias, deixando a pele irritada e inflamada",
explica a dermatologista Luciana Conrado. Por mais largado que pareça,
o visual dá certo trabalho. Munidos de cortadores elétricos,
os semibarbudos escolhem o tamanho do pêlo (entre 0,5 e 1 centímetro)
e mantêm o visual com retoques a cada três dias, mais ou menos.
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| Arruda
e Dornelles: mais trabalhos depois de adotar o visual barbudo |
Já
o cavanhaque exige muito mais manutenção. Quem o cultiva
tem de fazer a barba todo dia e ainda deixar o contorno bem reto
vira e mexe, precisa recorrer a um barbeiro para consertar falhas. Além
disso, tem de aparar os pêlos que ficam com a tal maquininha. Poucos
agüentam mantê-lo por muito tempo. João Paulo Diniz
já teve e tirou. O ator Marcelo Novaes também. Dado Dolabella,
por causa de seu papel na minissérie global A Casa das Sete
Mulheres, está cultivando o seu. Cavanhaque ou barba por fazer,
um mandamento é sagrado: os pêlos param no queixo. "Pode
até deixar a costeleta mais marcada. Mas o pescoço tem de
estar limpo", decreta Eron Araújo, que atende barbudos vaidosos
no salão de cabeleireiro C. Kamura, em São Paulo.
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