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Edição 1 776 - 6 de novembro de 2002
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O mundo era assim

Museu em Belo Horizonte
mostrará como
era difícil
a vida de nossos bisavós

José Edward

 
Fotos Miguel Aun
Cadeira de um dentista ambulante
no século XIX: destaque entre
1 800 objetos



Veja também
Galeria de imagens: mais peças do museu

Nada é mais fácil do que se acostumar com as comodidades do progresso. Imaginar a vida sem computador já é difícil, que dirá sem luz elétrica, como acontecia com nossos antepassados. O Museu de Artes & Ofícios – que está sendo implantado em Belo Horizonte e cuja primeira etapa será concluída em dezembro – terá um acervo da pré-história dos objetos domésticos, incluindo ferramentas utilizadas em várias profissões. Serão 1.800 peças, datadas do século XVII até meados do século XX. Elas revelam como era dura a vida naqueles tempos.

Um dos destaques é a cadeira utilizada por um dentista ambulante que viajava pelo interior de Minas Gerais e da Bahia no século XIX. Os únicos serviços que oferecia eram a extração de dentes e a fabricação de dentaduras. A extração era feita com ferramentas que hoje não se vêem nem em forjarias. A produção das próteses se fazia com a ajuda de maçaricos cujo aquecimento envolvia acionar um fole a pedal. O museu vai expor uma balança usada para pesar escravos na época do império – um dado importante na hora de avaliar a saúde e o custo-benefício na aquisição de um deles –, ferramentas utilizadas na mineração de ouro e diamante no século XVIII e antiqüíssimos ferretes de marcar animais. Esses ferros são uma das coisas que pouco mudaram desde então – exceto pelo fato de que não são mais usados para marcar também os trabalhadores que lidam com o gado, na época escravos. "Em lugar de objetos de arte, móveis de época ou prataria, resolvi ir atrás de utensílios que revelam outro lado da intimidade das cozinhas, quintais, fazendas e oficinas do passado", diz a empresária Angela Gutierrez, responsável pelo museu.

Essa é a primeira iniciativa do gênero no país e se inspira no célebre Museu de Artes e Tradições Populares de Paris. Funcionará no conjunto de prédios neoclássicos da antiga estação ferroviária de Belo Horizonte. O metrô e os trens de carga da Vale do Rio Doce continuarão passando por lá, bem no meio da área de exposição. A preparação do local está sendo feita pelo arquiteto francês Pierre Catel. Dentro do museu funcionarão também oficinas profissionalizantes destinadas a jovens da periferia da cidade. Edifícios e acervo estão sendo restaurados com recursos federais e de várias empresas privadas, que investiram 10 milhões de reais na obra. Como já havia feito no Museu do Oratório, em Ouro Preto, Angela Gutierrez doou as peças ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

 

O QUE É O QUE É?

Peças tão antigas que ninguém
mais liga o nome à pessoa

 
Batedeira de manteiga do século XIX. O leite era chacoalhado dentro do caixote de madeira

 
Alambique de cobre para fazer cachaça. Do século XVIII

Suporte para coador de café (século XIX), também conhecido como mancebo Candeeiro de ferro batido do século XVIII. Tinha design arrojado para a época Batedeira de bolo manual, comum nas cozinhas até o início do século XX

 

 

   
 
   
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