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O mundo era assim
Museu
em Belo Horizonte
mostrará como era
difícil
a vida de nossos bisavós
José
Edward
Fotos Miguel Aun
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Cadeira
de um dentista ambulante
no século XIX: destaque entre
1 800 objetos |

Veja também |
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Nada é
mais fácil do que se acostumar com as comodidades do progresso.
Imaginar a vida sem computador já é difícil, que
dirá sem luz elétrica, como acontecia com nossos antepassados.
O Museu de Artes & Ofícios que está sendo implantado
em Belo Horizonte e cuja primeira etapa será concluída em
dezembro terá um acervo da pré-história dos
objetos domésticos, incluindo ferramentas utilizadas em várias
profissões. Serão 1.800 peças,
datadas do século XVII até meados do século XX. Elas
revelam como era dura a vida naqueles tempos.
Um dos destaques
é a cadeira utilizada por um dentista ambulante que viajava pelo
interior de Minas Gerais e da Bahia no século XIX. Os únicos
serviços que oferecia eram a extração de dentes e
a fabricação de dentaduras. A extração era
feita com ferramentas que hoje não se vêem nem em forjarias.
A produção das próteses se fazia com a ajuda de maçaricos
cujo aquecimento envolvia acionar um fole a pedal. O museu vai expor uma
balança usada para pesar escravos na época do império
um dado importante na hora de avaliar a saúde e o custo-benefício
na aquisição de um deles , ferramentas utilizadas
na mineração de ouro e diamante no século XVIII e
antiqüíssimos ferretes de marcar animais. Esses ferros são
uma das coisas que pouco mudaram desde então exceto pelo
fato de que não são mais usados para marcar também
os trabalhadores que lidam com o gado, na época escravos. "Em lugar
de objetos de arte, móveis de época ou prataria, resolvi
ir atrás de utensílios que revelam outro lado da intimidade
das cozinhas, quintais, fazendas e oficinas do passado", diz a empresária
Angela Gutierrez, responsável pelo museu.
Essa é
a primeira iniciativa do gênero no país e se inspira no célebre
Museu de Artes e Tradições Populares de Paris. Funcionará
no conjunto de prédios neoclássicos da antiga estação
ferroviária de Belo Horizonte. O metrô e os trens de carga
da Vale do Rio Doce continuarão passando por lá, bem no
meio da área de exposição. A preparação
do local está sendo feita pelo arquiteto francês Pierre Catel.
Dentro do museu funcionarão também oficinas profissionalizantes
destinadas a jovens da periferia da cidade. Edifícios e acervo
estão sendo restaurados com recursos federais e de várias
empresas privadas, que investiram 10 milhões de reais na obra.
Como já havia feito no Museu do Oratório, em Ouro Preto,
Angela Gutierrez doou as peças ao Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
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O
QUE É O QUE É?
Peças
tão antigas que ninguém
mais liga o nome à pessoa
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Batedeira
de manteiga do século XIX. O leite
era chacoalhado dentro do caixote de madeira |
| Alambique
de cobre
para fazer cachaça. Do século XVIII |
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| Suporte
para coador de café
(século XIX), também conhecido como mancebo |
Candeeiro
de ferro batido do século XVIII. Tinha design
arrojado para a época |
Batedeira
de bolo manual, comum nas cozinhas até o início
do século XX |
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