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Térreo
de luxo
Construtoras
criam novidades
para preencher
a área de lazer
dos novos edifícios
Bel
Moherdaui
 |
| Projeto
da tenda de massagem do Hype: pedras e laguinhos no caminho |
Com
pouca margem de manobra para criar entre as paredes dos apartamentos,
onde um impressionante número de cômodos se espreme em espaço
cada vez menor, muitas construtoras estão multiplicando as ofertas
nas áreas comuns dos prédios residenciais. Salão
de festa, sala de ginástica, piscina e quadra de tênis não
são mais que obrigação. Chique agora é ter
no térreo do prédio uma "cozinha do gourmet" (com fogão
e apetrechos semiprofissionais), uma "tenda de massagem", um "home office"
(o escritório em casa, só que fora de casa), uma "sala de
home theater" (telão, uma dúzia de poltronas e eletrônicos).
Até "cyber café" está começando a aparecer.
Tudo bem decorado e disponível e normalmente pago à
parte. "Procuramos colocar o lazer no lugar mais seguro e mais próximo
possível", explica Odair Senra, diretor de incorporação
da construtora Gafisa.
Sob a assinatura da Gafisa, a área comum ganhou comodidades variadíssimas
em dois grandes empreendimentos de São Paulo, o Villaggio Panamby
(quinze prédios) e a Chácara Alto da Boa Vista (onze prédios):
além de todas as alternativas anteriores, os condomínios,
ainda em construção, vão dispor de creche (ou melhor,
"child care"), veterinário e hotelzinho de animais de estimação
("pet care"), bosque com pista de cooper e pista de bicicross. A justificativa
sociológica das construtoras para tanta mordomia é o fenômeno
do cocooning, como é chamada a tendência das pessoas
a se "encasular", seja por segurança, por falta de tempo para sair
ou por simples preferência pelos confortos domésticos. O
público-alvo dos empreendimentos cheios de novidades se divide
em dois grupos distintos. De um lado, jovens endinheirados que moram sozinhos.
"São descasados e solteiros que têm o hábito de receber
amigos e prezam o conforto e a qualidade", diz Rogério Santos,
diretor de marketing da Abyara, uma empresa de planejamento imobiliário.
De outro, claro, as famílias. "Aí falamos de prédios
com mais diversidade de funções ainda", explica Santos.
Nos edifícios para o primeiro grupo, a área do apartamento
vai de micro (40 metros quadrados) a confortável (150 metros quadrados).
Nos prédios para famílias, a área é maior,
mas o número de pessoas também. Daí a utilidade da
área de lazer ampliada: é descer e usar.
Na luta pelo melhor e maior leque de ofertas, o edifício Hype,
no bairro paulistano dos Jardins, prevê uma tenda de massagem ao
ar livre cercada de "lagos de descompressão" três
lagoazinhas com pedras no fundo e água em várias temperaturas,
para ir pisando com os pés descalços e entrar na massagem
já a meio caminho do estado alfa. No edifício Tordesilhas,
em Belo Horizonte, os moradores dos apartamentos de quatro dormitórios
contam no térreo com cozinha gourmet e home theater acoplados ao
salão de festa. No Rio de Janeiro, em prédios mais recentes
é possível receber convidados em salas de jantar bem montadas,
com mais espaço e sem perigo de riscar o assoalho do próprio
apartamento. Quando o terreno comporta, o máximo é um campinho
de golfe, só para treinar tacadas pouquíssimos usam,
mas a grama é linda. O Barra Golden Green, conjunto de catorze
prédios no Rio de Janeiro, por exemplo, tem o seu, de nove buracos.
"Fora do Brasil, as pessoas ficam estarrecidas. Perguntam: por que não
fazer uma praça para o bairro todo?", diverte-se o arquiteto e
paisagista paulista Benedito Abbud, rei de seu metiê já
emplacou uns 300 projetos Brasil afora. Os compradores em geral adoram
os acessórios. O Hype, aquele dos lagos de descompressão,
foi lançado em agosto e já tem metade das unidades (área:
45 a 110 metros quadrados) vendida e mais 20% reservadas, por preços
que vão de 163.000 a 460.000 reais. Nesse passo, vai ter fila para
a tenda de massagem.
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