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Edição 1 776 - 6 de novembro de 2002
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Proibido mastigar

Universidade da Califórnia dá
seu aval a um
regime que admite
apenas o consumo de líquidos

Tatiana Schibuola

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Reportagem de 26/6/2002: índice glicêmico
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Reportagem de 8/8/2001: "A nova pirâmide"
Reportagem da edição especial VEJA Sua Saúde, de 28/3/2002: "Coma de tudo um pouco"
Reportagem de 28/2/2001: "Comer
e emagrecer"
Reportagem de 19/4/2000: "Guerra
das dietas"
Da internet
Site oficial do RFO

Quem já encarou um spa rigoroso conhece a sensação: passar o dia inteirinho, às vezes dois, até três para os mais estóicos, ingerindo apenas líquidos. Emagrece que é uma beleza. Pena que, acabada a tortura, os sólidos normalmente recuperem seu espaço na silhueta. Pois o princípio da perda de peso à base de uma dieta líquida, método cosmético destinado antes de tudo a desintoxicar e a estimular gordinhos renitentes, agora ganhou solidez científica. E eficiência comprovada – veja-se nas fotos acima o novo visual da atriz americana Yvette Freeman, 45 anos, a ex-rechonchuda enfermeira Haleh Adams, do seriado E.R. Depois de passar seis meses tomando shakes e suplementos, Yvette baixou de 116 quilos (e risco iminente de desenvolver diabetes) para 63 quilos. "Nas três primeiras semanas do regime eu subia pelas paredes", contou ela a VEJA. "Não era exatamente uma pessoa boa de se ter por perto." Hoje, está um doce light.

A dieta de Yvette foi recomendada e supervisionada pela equipe de médicos, nutricionistas e psicólogos do Risk Factor Obesity (RFO), um programa patrocinado pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla), que investiga e utiliza dietas com valor calórico muito baixo no tratamento da obesidade mórbida. O tratamento ultra-rigoroso, que só pode ser feito com estrito controle médico, admite o consumo de 500 a 800 calorias por dia (só para comparar: duas fatias de pizza de mussarela praticamente já preencheriam a cota), tudo na forma de líquidos. A peça de resistência é um shake especial, à base de fibras, como a maioria, mas enriquecido com proteínas de origem animal, carboidratos e vitaminas. "Fazer o mesmo regime com os produtos comerciais comuns ou ingerindo sucos e sopas levará, a longo prazo, a uma carência de nutrientes essenciais ao bom funcionamento do organismo", avisa Joe Walker, coordenador do programa em Los Angeles.

Para agüentar tanto tempo sem mastigar, os participantes do programa freqüentam reuniões de grupo conduzidas por psicólogos duas vezes por semana. Os pacientes ainda passam por uma série de exames médicos semanais e assistem a palestras de "reeducação". O investimento é significativo, em sacrifício, tempo (no mínimo seis horas por semana) e dinheiro (150 dólares a primeira consulta, mais 295 dólares em manutenção mensal, mais cerca de 60 dólares por semana em shakes e suplementos). Atingido o peso ideal, pagam-se mais 350 dólares por seis meses de acompanhamento pós-regime. "Estou justamente na fase mais difícil", suspira Yvette, que, promovida a 1 400 calorias por dia, malha quatro vezes por semana e continua a assistir a palestras. "A vantagem é que, quando desanimo, em vez de comer, faço compras. Descobri que comprar roupas é maravilhoso", diz, feliz com a nova silhueta.

   
 
   
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