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Edição 1 776 - 6 de novembro de 2002
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Vigia eletrônico

Sistema de rastreamento
é usado contra ladrões –
e também para controlar
filhos e cônjuges

Ariel Kostman

 
Claudio Rossi
Ana: seqüestrada, alertou a central, que assustou os bandidos com helicóptero

Imagine um jovem estudante que sai da faculdade e, antes de ir para casa, resolve dar carona a um colega. De repente, soa no carro a voz de mamãe, preocupada: "O que você está fazendo nesta rua, a esta hora?" A cena já ultrapassou os limites da imaginação. Animada com um crescimento anual de 30% nas vendas, a indústria de rastreadores de veículos se sofistica cada vez mais: além de localizar e bloquear automóveis furtados, sistemas novíssimos permitem acompanhar em tempo real pela internet, através de um mapa digitalizado, a localização de um carro, fotografar o interior do veículo com microcâmeras e falar com o motorista. A função original do equipamento, que é proteger contra roubos e seqüestros-relâmpago, continua a ser o principal chamariz dos rastreadores. Paralelamente, eles são utilizados por pais para monitorar os filhos ou por cônjuges desconfiados do comportamento do parceiro.

Segundo a Graber, empresa que controla mais de 5.000 veículos, cerca de 10% dos novos clientes contrataram o serviço para vigiar familiares. Há casos de marido que leva o carro da mulher à empresa, instala o rastreador, faz o monitoramento por um certo período e manda remover o aparelho sem que a cara-metade tome conhecimento da espionagem. "É perfeitamente possível saber se o motorista anda freqüentando lugares suspeitos", diz o gerente de marketing da empresa, Robson Tricarico.

 
Divulgação
Central de rastreamento de veículos: mapa digital, bloqueador e acesso pela internet

Resultado direto da altíssima incidência de furtos e seqüestros-relâmpago, o sistema de rastreamento abrange atualmente mais de 40.000 veículos. Cerca de 100 empresas oferecem a proteção. "Não são mais apenas donos de carros importados que contratam o serviço", diz Benjamim Katz, sócio da Guard One. "Temos muitos clientes com carros populares e vans."

O custo dos equipamentos varia de acordo com a tecnologia adotada. O mais simples e barato é o pager: o dono do veículo roubado liga para uma central, que bloqueia o combustível por um sinal de rádio. Mais rápido e eficiente, e mais caro também, o rastreador com bloqueador via GPS (sistema de posicionamento global) localiza o carro por satélite, transmite coordenadas e recebe comando de bloqueio. Também permite que o motorista alerte a central por meio de um botão secreto, recurso que pode ser muito mais vital que o controle eletrônico do cônjuge. Minutos depois de deixar a filha de 5 anos na escola, em São Paulo, a empresária que pede para ser identificada apenas como Ana foi vítima de um seqüestro-relâmpago. "Assim que dois adolescentes armados me abordaram, acionei o botão de pânico", conta. Os ladrões queriam sacar dinheiro em um caixa eletrônico. Ao chegarem, um helicóptero acionado pela rastreadora já sobrevoava o local. "Quando saí do caixa com o dinheiro, eles tinham sumido", diz Ana.

 



   
 
   
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