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Edição 1 776 - 6 de novembro de 2002
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A fúria do Etna

O vulcão mais ativo da Europa entra
em erupção na Itália, com jatos de
lava de mais de 100 metros de altura

 
Carsten Peter
Reuters/Nasa
 

Erupção do Etna, com a cidade de Catânia ao fundo, e fotografia de satélite da semana passada: a fumaça cruzou o Mediterrâneo e chegou à África



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Galeria de fotos: o Etna em erupção

O Etna é o principal espetáculo da Sicília. O mais alto e mais ativo vulcão da Europa, com 3.300 metros de altura, atravessa uma fase exuberante. No domingo 27, a montanha explodiu, lançando jorros de material incandescente a mais de 100 metros de altura. A nuvem de fumaça e cinzas que emergiu de sua cratera atingiu a Líbia, no litoral da África, a 640 quilômetros de distância. Em sua fúria, o Etna torrou uma estação de esqui e uma floresta de pinheiros. A cinza caiu como chuva sobre Catânia, a segunda maior cidade da Sicília, a 44 quilômetros de distância, e a população protegeu-se com guarda-chuvas. Ironicamente, o que mais incomodou os sicilianos não foi o vulcão, mas uma série de pequenos terremotos ocorrida na terça-feira. Os tremores de baixa intensidade (grau 4 na escala Richter) foram fortes o suficiente para abalar casas e igrejas em Santa Venerina, uma das cidadezinhas à sombra do Etna. Milhares de pessoas passaram a noite em barracas ou em carros, com medo de desabamentos.

Uma coisa deve ser dita a respeito do Etna: apesar de sua fúria, não é um assassino. Os vulcões nada mais são que afloramentos de magma, a rocha em estado fundido encontrada no centro da Terra. Os mais perigosos são os que liberam uma avalanche de cinzas e gases tóxicos capaz de se deslocar a até 200 quilômetros por hora e atingir temperaturas altíssimas. Suas vítimas são carbonizadas vivas em segundos ou morrem sufocadas, com os pulmões queimados. Rachaduras nas encostas do Etna liberam gases periodicamente, diminuindo a pressão, que, elevada, poderia levar a uma erupção de proporções devastadoras. A lava que desce em corrente por sua encosta atinge a temperatura de 1 200 graus, a mesma de um forno siderúrgico. Mas avança com lentidão, dando tempo para os moradores serem retirados de seu caminho. Só se comprovou a morte de 77 pessoas diretamente atingidas pelo Etna. Quase todas as vítimas eram turistas que se arriscaram demais para ver de perto a fúria do gigante.

Isso não significa que o vulcão seja manso. Em 1669, a lava escorreu continuamente por várias semanas e foi destruindo uma após outra uma dúzia de cidadezinhas, até arrasar inteiramente Catânia. Mas o que seria da Sicília sem seu vulcão? O Etna domina física e economicamente a segunda maior cidade siciliana. Empobrecida e dominada pela Máfia, Catânia depende dos turistas atraídos pelas erupções. O dramaturgo grego Ésquilo fez referência a uma erupção do Etna em 475 a.C. O filósofo Platão foi de navio vê-lo de perto em 387 a.C. Mais ou menos na mesma época, outro filósofo grego, Empédocles, vivia num observatório nas encostas. Diz uma lenda que, um dia, convencido de que o ar quente dos gases vulcânicos era capaz de suportar o peso de seu corpo, jogou-se na cratera. Os romanos acreditavam que ali residia o deus Vulcano – daí a origem da palavra vulcão. Há 1 500 dessas montanhas em atividade no planeta, mas, com tanta fama, o Etna é a mais estudada delas.

O único jeito de aprender sobre um vulcão é observar suas erupções. A última megaexplosão do Etna foi em 1992. No ano passado, pesquisadores conseguiram antecipar mais uma erupção do Etna. O vulcão expeliu lava sem parar durante duas semanas. Equipes de emergência ergueram barreiras para desviar o curso do material incandescente das cidades localizadas nas encostas. O Etna nunca mais voltou a ficar inteiramente tranqüilo. Tem expelido lava com freqüência maior que a observada no passado, e os vulcanólogos estão preocupados. O mais alto vulcão da Europa pode muito bem estar se preparando para explodir com todo o seu esplendor.



   
 
   
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