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A fúria do
Etna
O vulcão
mais ativo da Europa entra
em erupção na Itália, com jatos de
lava de mais de 100 metros de altura
Carsten Peter
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Reuters/Nasa
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Erupção do Etna, com a cidade de Catânia
ao fundo, e fotografia de satélite da semana passada:
a fumaça cruzou o Mediterrâneo e chegou à
África
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O Etna é
o principal espetáculo da Sicília. O mais alto e mais ativo
vulcão da Europa, com 3.300 metros de
altura, atravessa uma fase exuberante. No domingo 27, a montanha explodiu,
lançando jorros de material incandescente a mais de 100 metros
de altura. A nuvem de fumaça e cinzas que emergiu de sua cratera
atingiu a Líbia, no litoral da África, a 640 quilômetros
de distância. Em sua fúria, o Etna torrou uma estação
de esqui e uma floresta de pinheiros. A cinza caiu como chuva sobre Catânia,
a segunda maior cidade da Sicília, a 44 quilômetros de distância,
e a população protegeu-se com guarda-chuvas. Ironicamente,
o que mais incomodou os sicilianos não foi o vulcão, mas
uma série de pequenos terremotos ocorrida na terça-feira.
Os tremores de baixa intensidade (grau 4 na escala Richter) foram fortes
o suficiente para abalar casas e igrejas em Santa Venerina, uma das cidadezinhas
à sombra do Etna. Milhares de pessoas passaram a noite em barracas
ou em carros, com medo de desabamentos.
Uma coisa
deve ser dita a respeito do Etna: apesar de sua fúria, não
é um assassino. Os vulcões nada mais são que afloramentos
de magma, a rocha em estado fundido encontrada no centro da Terra. Os
mais perigosos são os que liberam uma avalanche de cinzas e gases
tóxicos capaz de se deslocar a até 200 quilômetros
por hora e atingir temperaturas altíssimas. Suas vítimas
são carbonizadas vivas em segundos ou morrem sufocadas, com os
pulmões queimados. Rachaduras nas encostas do Etna liberam gases
periodicamente, diminuindo a pressão, que, elevada, poderia levar
a uma erupção de proporções devastadoras.
A lava que desce em corrente por sua encosta atinge a temperatura de 1
200 graus, a mesma de um forno siderúrgico. Mas avança com
lentidão, dando tempo para os moradores serem retirados de seu
caminho. Só se comprovou a morte de 77 pessoas diretamente atingidas
pelo Etna. Quase todas as vítimas eram turistas que se arriscaram
demais para ver de perto a fúria do gigante.
Isso não
significa que o vulcão seja manso. Em 1669, a lava escorreu continuamente
por várias semanas e foi destruindo uma após outra uma dúzia
de cidadezinhas, até arrasar inteiramente Catânia. Mas o
que seria da Sicília sem seu vulcão? O Etna domina física
e economicamente a segunda maior cidade siciliana. Empobrecida e dominada
pela Máfia, Catânia depende dos turistas atraídos
pelas erupções. O dramaturgo grego Ésquilo fez referência
a uma erupção do Etna em 475 a.C. O filósofo Platão
foi de navio vê-lo de perto em 387 a.C. Mais ou menos na mesma época,
outro filósofo grego, Empédocles, vivia num observatório
nas encostas. Diz uma lenda que, um dia, convencido de que o ar quente
dos gases vulcânicos era capaz de suportar o peso de seu corpo,
jogou-se na cratera. Os romanos acreditavam que ali residia o deus Vulcano
daí a origem da palavra vulcão. Há 1 500 dessas
montanhas em atividade no planeta, mas, com tanta fama, o Etna é
a mais estudada delas.
O único
jeito de aprender sobre um vulcão é observar suas erupções.
A última megaexplosão do Etna foi em 1992. No ano passado,
pesquisadores conseguiram antecipar mais uma erupção do
Etna. O vulcão expeliu lava sem parar durante duas semanas. Equipes
de emergência ergueram barreiras para desviar o curso do material
incandescente das cidades localizadas nas encostas. O Etna nunca mais
voltou a ficar inteiramente tranqüilo. Tem expelido lava com freqüência
maior que a observada no passado, e os vulcanólogos estão
preocupados. O mais alto vulcão da Europa pode muito bem estar
se preparando para explodir com todo o seu esplendor.
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