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Edição 1 776 - 6 de novembro de 2002
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Saúde precária

Colombo não é culpado por
todas as doenças dos índios

 
Fundação Bienal de São Paulo
Dança tapuia: os brasileiros eram mais saudáveis

Os europeus conquistaram a América graças a seus canhões e a seus micróbios. Epidemias de varíola, sarampo e gripe dizimaram os povos indígenas, cujo sistema imunológico não estava preparado para tais doenças. A conquista espanhola foi facilitada pela varíola, que matou imperadores nos dois principais impérios, o asteca e o inca. Essa parte da história é bem documentada. A novidade é a conclusão de um estudo sobre a saúde no continente nos últimos 7.000 anos: a América pré-colombiana estava longe de ser saudável. As condições físicas dos americanos tinham se deteriorado drasticamente nos dez séculos anteriores à chegada de Colombo, em 1492. Pesquisadores ligados a universidades americanas examinaram 12.500 esqueletos e múmias de 65 sítios arqueológicos na América do Norte e na do Sul. Encontraram em toda parte evidências de infecções, desnutrição crônica, anemia e outros problemas de saúde. É possível que tal situação tenha agravado as epidemias de doenças européias.

Os pesquisadores atribuem a deterioração da saúde à agricultura e à vida urbana. A primeira, por ter limitado a dieta das populações. A segunda, por causar problemas sanitários e facilitar o contágio. Curiosamente, os índios mais saudáveis eram os do litoral brasileiro. Dispunham de fartura de peixes, e o isolamento os mantinha a salvo de epidemias. Outra novidade diz respeito à tuberculose, que se pensava ser de origem européia. Viu-se que a doença era comum entre os incas bem antes da conquista espanhola.

   
 
   
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