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Até o muro
rachou
Com obras paradas por rixas
entre árabes e judeus, muralhas
de Jerusalém podem ruir
Valdemir Cunha
 |
| A
parte ameaçada das muralhas e a mesquita de Omar: perigo no Ramadã
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Uma rachadura
num muro é a nova pendenga entre palestinos e israelenses. Bom,
não se trata de uma parede qualquer, mas das muralhas que cercam
a Cidade Velha de Jerusalém. A trinca provocou uma saliência
de 70 centímetros no trecho que serve de arrimo ao Monte do Templo,
a esplanada sobre a qual estão as mesquitas Al-Aqsa e de Omar,
conjunto que é o terceiro entre os lugares santos do Islã.
O arrimo do lado oeste da elevação é o Muro das Lamentações,
o local mais sagrado do judaísmo. Arqueólogos israelenses
estão convencidos de que, se nada for feito, a muralha corre o
risco de ruir na próxima semana devido ao peso de milhares de fiéis
na esplanada para comemorar o Ramadã, o mês de orações
do calendário muçulmano. A organização islâmica
que administra as mesquitas, a Waqfa, diz que os israelenses exageram
por motivos políticos. A Waqfa instalou andaimes para consertar
a rachadura, mas as obras iniciadas em abril estão paralisadas
por ordem das autoridades israelenses. O governo de Israel diz que, devido
à gravidade da rachadura, só engenheiros e arqueólogos
especializados podem fazer o restauro corretamente.
O problema
é que a questão não é apenas de engenharia.
Israelenses e palestinos trocam desaforos sobre quem provocou os danos
na muralha, cuja base foi construída há 2.000
anos. A parte em perigo foi destruída e reconstruída várias
vezes, a última delas pelos turcos otomanos, que dominaram a Palestina
até 1918. Os palestinos argumentam que, ao lado da erosão
natural e de infiltrações, foram escavações
executadas por Israel que provocaram o enfraquecimento do paredão.
Os israelenses culpam as obras feitas na esplanada pelos palestinos. Se
Israel tentar consertar a muralha sem o consentimento da organização
islâmica, é inevitável a erupção de
violentos protestos dos palestinos. Se houver um colapso da estrutura,
a situação pode ficar ainda pior. A impossibilidade de diálogo
entre as partes levou-as a permitir que um grupo de engenheiros da Jordânia
inspecionasse o muro no mês passado e levasse pedaços de
parede para testes em Amã. Os jordanianos concluíram que
a solução técnica é simples e que os trabalhos
poderiam começar rapidamente, mas os dois lados precisam fazer
o mais difícil: cooperar um com o outro.
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