Edição 1874 . 6 de outubro de 2004

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Roberto Pompeu de Toledo
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Radar

Felipe Patury (fpatury@abril.com.br)

• GOVERNO

Essa é sua, governador
Os governadores estão ansiosos: o governo federal proporá ao Congresso que desengesse um pouco o orçamento dos Estados. Se a proposta for aceita, dará uma folga para que eles invistam livremente 20% de sua receita. A medida não altera o pagamento das dívidas dos Estados nem atinge as regras da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Mais um ministro
O governo estuda a criação de mais um cargo com status de ministro. Seu ocupante dirigiria uma secretaria especial para a infância e juventude vinculada ao Palácio do Planalto. Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência, é contra. Ficaria praticamente sem ter o que fazer.

 

• FINANÇAS

Um novo mercado
Os Magalhães Pinto, do antigo Banco Nacional, descobriram uma nova maneira de levantar dinheiro. Foram à Justiça para cobrar 4 bilhões de reais do Banco Central pela quebra do banco. Depois, ofereceram a investidores esses "créditos" – que só valerão alguma coisa se os tribunais lhes derem ganho de causa.

 

• ELEIÇÕES

Aliados de ocasião
O PMDB de São Paulo, que apoiou Luiza Erundina no primeiro turno da eleição paulistana, quer deixar seus filiados livres para escolher entre José Serra e Marta Suplicy. Em Brasília, no entanto, a direção do partido pretende forçar a sigla a apoiar a petista. O PDT de Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, deve marchar ao lado do tucano José Serra.

 

 

Nosso homem no Iraque

Divulgação
Junot: "Dinheiro é no Iraque"


O paulista Mauricio Junot foi o único empresário brasileiro incluído no plano americano de reconstrução do Iraque. Sua HPC, que blinda carros, ganhou o direito porque tem sede em Atlanta. O braço brasileiro é apenas uma filial. Para atender à procura por blindados no Iraque, Junot abriu outra filial na Jordânia, onde emprega 25 brasileiros. De lá, ele despacha cinqüenta utilitários por mês para empresários e políticos em Bagdá. Cada um lhe dá lucro de 14 000 dólares. No Brasil, o lucro por veículo não ultrapassa 1 800 dólares.

 

• BANCOS

O governo contra eles...
O governo identificou a ação de um eficiente lobby da banca privada por trás da tentativa de alguns senadores de modificar o projeto das parcerias público-privadas. Esses senadores propõem que investimentos dos fundos de pensão sejam intermediados por bancos privados. O governo, porém, quer a participação direta dos fundos.

...eles contra o governo
A cada dia que passa, aumenta o constrangimento dos bancos privados com os representantes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal na Febraban. Os banqueiros acham que eles não agem como integrantes da classe, mas como fiscais do governo.

 

• FISCO

Devassa por atacado
O Fisco paulista fará uma devassa sobre sessenta atacadistas de autopeças e remédios que transferiram suas operações para Brasília atraídos por isenções de impostos. Suspeita-se que, nos últimos três anos, eles tenham praticado fraudes tributárias estimadas em 1 bilhão de reais.

 

• RIO DE JANEIRO

A herdeira de Brizola
Apareceu a herdeira das pensões do ex-governador Leonel Brizola, falecido há três meses. É a carioca Marília Guilhermina Pinheiro, de 57 anos. Ela receberá por mês 13.000 reais líquidos, por ter mantido uma união estável com o político, a quem chamava de "Lelo". Pela lei, a única filha de Brizola, Neusinha, não tem direito a receber o dinheiro.

 

• NEGÓCIOS

Quem vai querer?
Está à venda uma das maiores emissoras de cartões de crédito do país.

 

• ECONOMIA

Hora das compras
O número de fundos de investimento constituídos para comprar participações em empresas brasileiras deve saltar de quarenta em 2003 para setenta neste ano. É sinal de que vem aí mais uma temporada de fusões e aquisições.

 

• PETRÓLEO

A luta continua
German Efromovich, da Marítima, pediu a um emissário do PT que ajude a encerrar sua pendência de quatro anos com a Petrobras. A disputa judicial entre as duas empresas é de 1,8 bilhão de dólares. A estatal não admite acordo.

 

• POLÍCIA

Arapongas de pastelão
O número 2 da Polícia Federal, Zulmar Pimentel, causou uma trapalhada tamanho-família. Na semana passada, despachou por conta própria dois agentes para recolher documentos na Suíça. No encontro com um juiz daquele país, a dupla requereu a papelada sem credenciais oficiais para tanto. Irritado, o juiz chamou a polícia e uma confusão diplomática se armou.

 

• SOCIEDADE

A idade certa
Uma pesquisa do economista Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas, concluiu que o auge profissional do brasileiro ocorre aos 51 anos, quando se ganha 118% a mais do que no início de carreira e 15% a mais do que perto da aposentadoria.

 

• IMPRENSA

Fusão no Planalto
Os Diários Associados, donos do Correio Braziliense, querem lançar um jornal popular em Brasília. Seu sonho é comprar o Jornal de Brasília, que perdeu o rumo depois que um de seus donos, Lourenço Rommel Peixoto, foi preso em maio, acusado de envolvimento com a máfia da saúde.

 

 

Era uma vez um acordo...

Carlos Humberto/OBritoNews
Ciro Gomes: adesão ao PTB está em banho-maria


A revelação dos detalhes do acordo feito com o PT minou o plano de o PTB se tornar o aliado preferencial do Planalto. O ministro da Integração, Ciro Gomes, e o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, adiaram seus projetos de adesão às fileiras petebistas e voltaram a ser cobiçados pelo PMDB. O governo contava com a transferência de Ciro ou com o deputado José Múcio Monteiro para contemplar o PTB com mais um ministério – e um ministério com dinheiro. Essas alternativas foram descartadas por enquanto. Como tudo deu errado, o PTB tenta emplacar o senador Fernando Bezerra na pasta das Cidades. Mais uma má notícia para os petebistas: o deputado Roberto Magalhães sairá do partido. Além disso, outros oito parlamentares buscam abrigo em uma nova legenda. O PSB foi sondado. Avisou que está de portas abertas para os desgarrados.


Colaboraram Daniela Pinheiro, Juliana Linhares e Malu Gaspar

 

 

Foto Beto Barata/AE

 
 
 
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