Edição 1874 . 6 de outubro de 2004

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Religião
Santo Habsburgo

Último imperador da dinastia
recebe a beatificação


AFP
Carlos I e a mulher, Zita: milagre no Brasil


Os Habsburgo foram a mais poderosa dinastia da Europa no último milênio. Ao longo de 700 anos – morra de inveja, PFL –, produziram 23 imperadores da Áustria, honraria em geral acumulada com o trono da Hungria, sem contar seis reis da Espanha e três de Portugal, entre outros de seus inúmeros domínios. Só não tinham um santo nas fileiras do primeiro escalão, falha a caminho de ser corrigida com a beatificação do último dos Habsburgo, Carlos I da Áustria, marcada para o dia 3, numa cerimônia no Vaticano. O último kaiser teve uma trajetória inexpressiva: assumiu o trono em 1916, por falta de herdeiros diretos de seu tio-avô, José Francisco, em meio aos horrores da I Guerra Mundial, e dois anos depois assistiu impotente à derrocada do Império Austro-Húngaro. Há indícios de que tentou apressar o fim inevitável do morticínio e também acusações de que aprovou o uso de gás mostarda contra tropas russas, francesas e inglesas. Morreu no exílio, em 1922, aos 34 anos.

Como um homem assim chega às portas da santidade? O Vaticano tem uma dívida de gratidão com a dinastia, a maior defensora do catolicismo ao longo de séculos numa região da Europa conturbada tanto pela Reforma Protestante quanto pelos avanços do Império Otomano. Mas o milagre necessário para elevar o último kaiser ao círculo dos beatos é de uma modéstia absoluta: a freira polonesa Maria Zita Gradowska, radicada em Curitiba, atribui a ele a cura de um grave problema de varizes, em 1960. Numa noite de desespero, rezou ao ex-imperador, casado com sua xará – a princesa Zita de Bourbon e Parma –, e, diz, no dia seguinte acordou curada. Ponto para o Santo Habsburgo.

 
 
 
 
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