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Diplomacia
A voz da América O
presente das relações Brasil-EUA vai
bem e o futuro pode ser o paraíso do subsídio zero, diz embaixador
Reuters
 | | Danilovich:
"Lula tem um plano inteligente, racional e estratégico para o país. O Brasil recebeu
a aprovação do mercado pelo bom trabalho realizado" |
Há dois meses no Brasil, o embaixador americano John
Danilovich, de 54 anos, tem uma vantagem sobre os diplomatas de carreira: é
amigo dos Bush. Empresário bem-sucedido, ele começou arrecadando
fundos para o primeiro presidente Bush, o pai, e continuou com o filho. Foi contemplado
com a embaixada na Costa Rica e, agora, no Brasil. Devido à indicação
política, Danilovich sabe que, se o candidato democrata John Kerry ganhar
a eleição de novembro, ele perderá o cargo no Brasil. Aqui
o embaixador fala por que acha que as probabilidades de que isso aconteça
são poucas, entre outros temas. AS
VANTAGENS DE BUSH Ele pensa muito claramente. Quando faz um anúncio,
sobre comércio, terrorismo ou qualquer outro assunto, é sempre muito
rápido, preciso e firme nas suas declarações. E quando toma
uma decisão a ação é transparente, e ele insiste até
atingir seu objetivo. Não há dúvidas, não há
incertezas. Isso é bom para a administração de um país
ou de uma empresa. A ambigüidade passa uma mensagem ruim e leva a uma liderança
ineficiente. Devido a sua clareza de pensamento, Bush consegue passar uma sensação
de liderança. Há uma percepção errada do que significa
liderança para os americanos. Muitos dizem que os americanos não
entendem o mundo. Depois do 11 de Setembro, e por causa dos caminhos que escolhemos
trilhar desde aquela época, parece que é o mundo que não
entende os Estados Unidos.
AS
RELAÇÕES BILATERAIS NUM SEGUNDO MANDATO Não
haverá surpresas em relação à política de Bush
no que se refere ao livre mercado. Bush acredita totalmente no livre mercado,
assim como todas as pessoas que trabalham diretamente com isso no governo. Todos
acreditam nos benefícios que isso traz, no estímulo à economia
que isso significa. Claro que as negociações comerciais diminuíram
um pouco de ritmo. Nos Estados Unidos, assim como no Brasil, todo mundo só
pensa nas eleições. O prazo de janeiro de 2005 para o fim das negociações
para a Alca (Área de Livre Comércio das Américas)
é muito otimista, mas pode ser prorrogado. Para junho de 2005, por exemplo.
ITAMARATY E
ESTADOS UNIDOS
Sei que há algumas pessoas no Itamaraty que de tempos em tempos fazem declarações
que podem ser interpretadas como antiamericanas. Entre essas pessoas seguramente
não estariam o ministro das Relações Exteriores ou as pessoas
que o assessoram diretamente. O relacionamento entre Brasil e Estados Unidos é
baseado no fato de que temos diferenças em alguns assuntos mas em outros
concordamos amplamente.
POLÍTICA
ECONÔMICA BRASILEIRA O
presidente Lula tem um plano inteligente, racional e estratégico para o
seu país. O programa econômico que tem sido conduzido por Henrique
Meirelles, por Antonio Palocci e pelo presidente é excelente. O resultado
é claro nos mercados internacionais. Seja em Wall Street, em Londres ou
em Frankfurt, o Brasil recebeu a aprovação da comunidade financeira
internacional pelo bom trabalho realizado para garantir a estabilidade econômica
sustentada. Claro que havia uma preocupação quando Lula foi eleito,
porque ninguém sabia exatamente que rumo esse homem daria ao país.
Agora o mundo está confiante.
O
BRASIL NO CONSELHO DE SEGURANÇA
DA ONU Isso
faz parte de uma enorme reforma estrutural que está sendo pensada para
a ONU. Há muitos pontos a ser reformulados, e um deles pode ser a reestruturação
do Conselho de Segurança. Certamente esse é o desejo do Brasil,
assim como o de outros países, e não apenas do grupo de quatro países
que se uniram para isso (Brasil, Alemanha, Japão e Índia).
Todos merecem receber atenção sobre o assunto. O tempo para discutir
isso virá.
SUBSÍDIOS
AGRÍCOLAS O
nosso objetivo é retirar subsídios. Não é fácil.
É necessária uma verdadeira colaboração internacional,
um esforço conjunto mundial para que, algum dia, tenhamos zero de subsídio.
Antes, precisamos ter mudanças estruturais nas políticas agrícolas
em diversos países do mundo. Não é um processo que vai acontecer
da noite para o dia.
E
A AMAZÔNIA... A
Amazônia pertence ao Brasil. E ponto final. A Amazônia tem recursos
enormes. Quem sabe o que ainda pode ser descoberto lá. Mas esses recursos
naturais pertencem ao Brasil. Eles não pertencem aos Estados Unidos, à
China ou a qualquer outro país. Eles pertencem ao Brasil. |