Edição 1874 . 6 de outubro de 2004

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Diplomacia
A voz da América

O presente das relações Brasil-EUA
vai bem e o futuro pode ser o paraíso
do subsídio zero, diz embaixador

 
Reuters
Danilovich: "Lula tem um plano inteligente, racional e estratégico para o país. O Brasil recebeu a aprovação do mercado pelo bom trabalho realizado"

Há dois meses no Brasil, o embaixador americano John Danilovich, de 54 anos, tem uma vantagem sobre os diplomatas de carreira: é amigo dos Bush. Empresário bem-sucedido, ele começou arrecadando fundos para o primeiro presidente Bush, o pai, e continuou com o filho. Foi contemplado com a embaixada na Costa Rica e, agora, no Brasil. Devido à indicação política, Danilovich sabe que, se o candidato democrata John Kerry ganhar a eleição de novembro, ele perderá o cargo no Brasil. Aqui o embaixador fala por que acha que as probabilidades de que isso aconteça são poucas, entre outros temas.

AS VANTAGENS DE BUSH
Ele pensa muito claramente. Quando faz um anúncio, sobre comércio, terrorismo ou qualquer outro assunto, é sempre muito rápido, preciso e firme nas suas declarações. E quando toma uma decisão a ação é transparente, e ele insiste até atingir seu objetivo. Não há dúvidas, não há incertezas. Isso é bom para a administração de um país ou de uma empresa. A ambigüidade passa uma mensagem ruim e leva a uma liderança ineficiente. Devido a sua clareza de pensamento, Bush consegue passar uma sensação de liderança. Há uma percepção errada do que significa liderança para os americanos. Muitos dizem que os americanos não entendem o mundo. Depois do 11 de Setembro, e por causa dos caminhos que escolhemos trilhar desde aquela época, parece que é o mundo que não entende os Estados Unidos.
 

AS RELAÇÕES BILATERAIS NUM SEGUNDO MANDATO
Não haverá surpresas em relação à política de Bush no que se refere ao livre mercado. Bush acredita totalmente no livre mercado, assim como todas as pessoas que trabalham diretamente com isso no governo. Todos acreditam nos benefícios que isso traz, no estímulo à economia que isso significa. Claro que as negociações comerciais diminuíram um pouco de ritmo. Nos Estados Unidos, assim como no Brasil, todo mundo só pensa nas eleições. O prazo de janeiro de 2005 para o fim das negociações para a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) é muito otimista, mas pode ser prorrogado. Para junho de 2005, por exemplo.  

ITAMARATY E ESTADOS UNIDOS
Sei que há algumas pessoas no Itamaraty que de tempos em tempos fazem declarações que podem ser interpretadas como antiamericanas. Entre essas pessoas seguramente não estariam o ministro das Relações Exteriores ou as pessoas que o assessoram diretamente. O relacionamento entre Brasil e Estados Unidos é baseado no fato de que temos diferenças em alguns assuntos mas em outros concordamos amplamente.  

POLÍTICA ECONÔMICA BRASILEIRA
O presidente Lula tem um plano inteligente, racional e estratégico para o seu país. O programa econômico que tem sido conduzido por Henrique Meirelles, por Antonio Palocci e pelo presidente é excelente. O resultado é claro nos mercados internacionais. Seja em Wall Street, em Londres ou em Frankfurt, o Brasil recebeu a aprovação da comunidade financeira internacional pelo bom trabalho realizado para garantir a estabilidade econômica sustentada. Claro que havia uma preocupação quando Lula foi eleito, porque ninguém sabia exatamente que rumo esse homem daria ao país. Agora o mundo está confiante.  

O BRASIL NO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU
Isso faz parte de uma enorme reforma estrutural que está sendo pensada para a ONU. Há muitos pontos a ser reformulados, e um deles pode ser a reestruturação do Conselho de Segurança. Certamente esse é o desejo do Brasil, assim como o de outros países, e não apenas do grupo de quatro países que se uniram para isso (Brasil, Alemanha, Japão e Índia). Todos merecem receber atenção sobre o assunto. O tempo para discutir isso virá.  

SUBSÍDIOS AGRÍCOLAS
O nosso objetivo é retirar subsídios. Não é fácil. É necessária uma verdadeira colaboração internacional, um esforço conjunto mundial para que, algum dia, tenhamos zero de subsídio. Antes, precisamos ter mudanças estruturais nas políticas agrícolas em diversos países do mundo. Não é um processo que vai acontecer da noite para o dia.  

E A AMAZÔNIA...
A Amazônia pertence ao Brasil. E ponto final. A Amazônia tem recursos enormes. Quem sabe o que ainda pode ser descoberto lá. Mas esses recursos naturais pertencem ao Brasil. Eles não pertencem aos Estados Unidos, à China ou a qualquer outro país. Eles pertencem ao Brasil.

 
 
 
 
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