Edição 1874 . 6 de outubro de 2004

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Divertimento
O novo videopôquer

Jogos de cartas com apostas milionárias
viram febre na televisão americana


André Fontenelle

 
Fotos AP
O campeão de um torneio (à dir.) com seu prêmio, de 1 milhão de dólares: recompensas milionárias

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Como funciona o pôquer na TV

É difícil acreditar que assistir a uma partida de pôquer pela televisão possa ser uma atividade empolgante. Uma nova tecnologia transformou, porém, o velho jogo de cartas em sensação nas emissoras por assinatura dos Estados Unidos. As transmissões do circuito mundial de pôquer na ESPN, o mais popular canal americano de esportes, têm dado maior audiência que os tradicionais beisebol e basquete (no Brasil, a emissora exibe as partidas nas noites de terça e quarta-feira). Outro torneio de pôquer, no Travel Channel, chega a atrair 5 milhões de espectadores. O canal Bravo, especializado em sitcoms e reality shows, criou um programa em que celebridades de Hollywood, como o ator Ben Affleck, se enfrentam no pano verde.

A tecnologia que fez do pôquer um campeão de audiência se baseia em dois elementos: primeiro, minicâmeras identificam as cartas que cada jogador tem na mão. Assim, o telespectador sabe o tempo todo quem está com a melhor mão, ou seja, o conjunto de cartas de valor mais alto. Depois, um computador calcula a chance matemática de cada um, o que permite mesmo a um leigo entender o que está acontecendo. Os ingredientes finais para o sucesso são as altas somas de dinheiro em jogo e a arte do blefe: um jogador pode vencer uma partida mesmo com cartas ruins na mão, desde que faça seu adversário acreditar no contrário, por meio de gestos, olhares e apostas.

Há centenas de variedades de pôquer, mas a que se joga nos programas de TV geralmente é a mesma, chamada Texas Hold'Em. É popular porque não impõe limites para as apostas. Um jogador pode pôr todo o seu dinheiro na mesa e sair de mãos abanando – ou milionário. Nessa modalidade, cada participante recebe duas cartas e o banqueiro põe outras três na mesa. Juntando as próprias cartas com as da mesa, procura-se formar a combinação de maior valor – um par de damas, por exemplo, vale mais que um par de valetes; uma trinca vale mais que um par; e assim por diante. Cada um faz sua aposta de acordo com a combinação que tem e com a que imagina que os outros têm. Vence quem, ao fim de várias rodadas, toma todas as fichas dos adversários.

 
Sucesso: torneios fazem a fama de anônimos como Raymer (à esq.) e atraem celebridades como Affleck (à dir.)

O sucesso na TV fez a fama de anônimos, como o campeão Greg Raymer, que joga com óculos cor de laranja para perturbar os rivais, e gerou uma legião de neófitos, atraídos por prêmios como os 2,5 milhões de dólares (7 milhões de reais) de um torneio recente. Estima-se que 80 milhões de americanos joguem pôquer eventualmente. Nos cassinos de Las Vegas, no último ano, aumentou em um terço o faturamento nas mesas de pôquer, enquanto estagnou o das roletas e caça-níqueis. Tanto sucesso começa a preocupar educadores. Escolas da Flórida introduziram no currículo aulas sobre o vício da jogatina, ao perceber que os alunos estavam jogando – a dinheiro – na hora do recreio. Nada, por ora, que ameace o sucesso crescente de uma diversão tradicional nos Estados Unidos. De origem obscura, o pôquer tornou-se popular no século XIX, quando era jogado nos navios a vapor do Rio Mississippi e nos saloons do Velho Oeste. "É o grande jogo americano", diz o produtor de TV Steve Lipscomb, responsável pela introdução do carteado na telinha.

 
 
 
 
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