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Educação
Profissões duplas
Foi-se
o tempo em que bastava um
único
curso superior para garantir
uma carreira profissional de sucesso

Rosana Zakabi
Roberto Setton
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| Adriana: à
educação física ela somou a fisioterapia
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Mudar de
trabalho, de vida, conquistar novos horizontes e ganhar mais dinheiro
é um sonho recorrente. Nos últimos tempos, cada vez
mais brasileiros têm conseguido transformar essa meta em realidade.
São pessoas que, mesmo tendo feito curso superior e já
trabalhando há tempos, resolvem cursar uma segunda faculdade,
seja para mudar de profissão, seja para se aperfeiçoar
naquela que já exercem. A paulista Renata Hitomi Fukutaki,
de 28 anos, decidiu fazer medicina por sugestão dos professores
do curso secundário. Formou-se em 2000 e trabalhou um ano
como médica, mas acabou desistindo. Neste ano, começou
a estudar desenho de moda na Faculdade Santa Marcelina, em São
Paulo. "Essa era minha verdadeira vocação, e hoje
sou muito mais feliz."
Renata
trocou uma profissão por outra. O mundo profissional, porém,
exige cada vez mais a sobreposição de habilidades
em diferentes áreas. Esse é um fenômeno novo.
Por isso, está ficando menos raro encontrar engenheiros,
médicos e advogados que voltam a estudar para adquirir conhecimentos
nas áreas de administração e economia. A razão
mais comum é a obtenção de um posto de chefia,
com a conseqüente necessidade de desenvolver habilidades de
gestão. Outra situação que está também
se tornando menos incomum é ver economistas e administradores
de empresas freqüentando cursos de psicologia. No caso deles,
as razões são derivadas da necessidade de aprimoramento
profissional, que, por algum motivo, os leva a precisar saber lidar
melhor com pessoas e ter mecanismos mais precisos para entender
seu comportamento.
O censo
mais recente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
(Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação,
mostra que há cada vez mais gente procurando cursos acadêmicos
pela segunda vez. Desde 1999, o número de alunos matriculados
em faculdades que se encontram na faixa entre 25 e 34 anos
ou seja, que já possuem uma profissão aumentou
em 114%. O crescimento entre os estudantes com mais de 35 anos foi
ainda mais expressivo: 130%. Na base desse fenômeno está,
em primeiro lugar, a própria transformação
da sociedade. Ao contrário do que ocorria no passado, quando
a maioria das pessoas se sentia na obrigação de definir
a vida casar, ter filhos, escolher a profissão
até os 20 e poucos anos, hoje elas estão mais à
vontade para tomar decisões tardiamente. "No passado, só
se mudava o curso da vida se houvesse algum imprevisto indesejado,
como demissão, separação ou morte na família",
diz o administrador de empresas e consultor César Souza,
autor do livro O Momento da Sua Virada. "Hoje, homens e mulheres
casam-se e têm filhos mais tarde e tomam outras decisões
importantes, como mudar de emprego e de cidade, com maior desembaraço."
Oscar Cabral
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| O engenheiro Oliveira: o curso de direito
tornou-se vital para progredir na Petrobras |
A paulistana Adriana Raddi, de 33 anos, é um exemplo típico
de quem voltou a estudar para aperfeiçoar-se em uma profissão
a que foi levada pelas circunstâncias. Ela se formou em educação
física em 1991. Trabalhou como professora de natação
por sete anos e depois conseguiu emprego numa clínica de
emagrecimento. "Comecei acompanhando as dietas das clientes e, aos
poucos, fui me interessando pela massagem e pelos cuidados com o
corpo. Decidi então fazer uma faculdade que me ajudasse a
crescer nessa área", conta Adriana, que está no 1º
ano de fisioterapia nas Faculdades Metropolitanas Unidas (UniFMU).
Já o engenheiro eletrônico Dennis Azevedo de Oliveira,
37 anos, de Niterói, resolveu encarar a faculdade de direito
porque, como funcionário da Petrobras, tem de lidar freqüentemente
com as intrincadas leis que regem as licitações públicas
e a compra de bens e serviços em empresas de economia mista.
Além disso, ele acha que, a longo prazo, pode ter melhor
remuneração como advogado, já que há
mais concursos públicos para essa profissão que para
a engenharia. Diz Oliveira: "Não foi fácil estudar
e trabalhar ao mesmo tempo. Tive de sacrificar os fins de semana,
mas valeu a pena". Ele é casado e tem dois filhos.
Outros
dois fatores contribuíram para atrair os alunos de volta
à sala de aula. O primeiro foi o aumento no número
de cursos noturnos, que hoje oferecem em todo o país 2 milhões
de vagas mais que o dobro das que existiam dez anos atrás.
Com isso, muita gente consegue estudar à noite sem precisar
largar o emprego atual. O segundo fator foi a flexibilização
dos processos seletivos em muitas faculdades particulares
há mais vagas que candidatos a alunos. Hoje, com boa dose
de esforço pessoal, tornou-se mais factível mudar
de vida.
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A busca do segundo diploma
Cursos mais procurados por
estudantes entre 25 e 34 anos que desejam se formar
numa nova profissão
1)
Administração
2)
Direito
3)
Pedagogia
4)
Ciências contábeis
5)
Comunicação social
6)
Informática
7)
Enfermagem
8)
Fisioterapia
9)
Turismo
10)
Educação Física
Fonte: Inep
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