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PNAD
Menos dinheiro no bolso
Pesquisa do IBGE mostra uma dura realidade:
plano vai, plano vem e a renda não cresce

Carina Nucci
Chris Von Ameln/Folha Imagem
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| Desempregados no Rio de Janeiro: os mais pobres
perderam menos |
A renda mensal do brasileiro vem descendo a ladeira desde 1997.
Chegou ao fundo do poço no ano passado, o primeiro do governo
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando retrocedeu
aos níveis de 1993. De acordo com a Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios (Pnad), anunciada pelo IBGE na semana
passada, em setembro de 2003 a renda média mensal do trabalhador
era de apenas 692 reais, o ponto mais baixo desde 1995. A queda
foi resultado da instabilidade gerada pelas eleições
de 2002. À medida que o então candidato petista à
Presidência se distanciava nas pesquisas, subia o risco Brasil,
o termômetro do nervosismo do mercado financeiro. A inflação
já despontava como uma ameaça real. Após a
posse, o governo se viu forçado a adotar medidas restritivas
para acabar com as suspeitas de que a administração
do PT não daria continuidade a políticas fiscal e
monetária responsáveis. "Tomamos as medidas necessárias
para evitar perda maior da renda. Caso o governo tivesse deixado
a inflação subir, teria sido pior", diz Marcos Lisboa,
secretário de Política Econômica do Ministério
da Fazenda.
A escalada de juros para conter a inflação
elevou o custo dos empréstimos, travou investimentos e, por
fim, derrubou a renda. Entre 2002 e 2003, perdeu mais quem ganhava
mais. A metade mais rica da população viu os recursos
mensais minguar em 8,1% de um ano para outro. Já a metade
mais pobre perdeu 4,2% da renda. A riqueza ficou menos concentrada,
mas, em um cenário de encolhimento geral da renda, isso não
chega a ser um consolo. O aumento do salário mínimo
em 2003 aliviou um pouco as perdas dos assalariados. "Apesar dessa
evidência, é preciso lembrar que os mais ricos não
vivem apenas do trabalho e não declaram à pesquisa
os ganhos com fundos de investimento, aluguéis e outros tipos
de renda", lembra Eduardo Pereira Nunes, presidente do IBGE. Em
termos de desconcentração de riqueza, a meta deve
ser o crescimento econômico para que os mais pobres ganhem
renda em vez de ser os que perdem menos.
Apesar das más notícias, houve
avanços entre 2002 e 2003. A despeito da renda menor, o trabalho
infantil diminuiu com a saída de 367.000
crianças e adolescentes do mercado. Já o número
de trabalhadores com carteira assinada cresceu. Cerca de 850.000
postos formais de trabalho foram criados. Esse é um sinal
de alento para as combalidas contas da Previdência. Na área
da educação, que é crucial para o crescimento
econômico de longo prazo, também houve progresso. A
freqüência escolar de crianças e adultos aumentou.
A pesquisa divulgada na semana passada não captou a retomada
da economia registrada nos últimos meses, que, segundo as
estimativas, deve garantir um crescimento de cerca de 4% neste ano.
Diz Luiz Parreiras, economista do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea): "A próxima pesquisa nacional deve mostrar
a recuperação do emprego e da renda. Sinais disso
já apareceram nas apurações mensais nos primeiros
meses do ano".
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