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Polícia
Pescadores na rede
Naufrágio traz à luz caso de prostituição
juvenil que envolve político e empresário

Policarpo Junior
Antonio Lima/Ag. O Globo
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| O naufrágio do barco que matou cinco
garotas no Rio Negro |
Há dois meses, o Congresso Nacional
concluiu uma CPI sobre a exploração sexual de crianças
e adolescentes no país. No relatório final da investigação,
250 pessoas foram acusadas, entre elas políticos e empresários.
Só na Região Norte foi identificada quase uma centena
de rotas de prostituição juvenil. Na semana passada,
o rescaldo de uma tragédia ocorrida no Rio Negro, no Amazonas,
revelou que a indústria da prostituição juvenil
continua funcionando como se nada tivesse acontecido. Um barco naufragou
matando treze pessoas, entre elas cinco meninas que voltavam de
uma "pescaria" com turistas. A turma de pescadores era formada por
empresários, profissionais liberais e um deputado de Brasília.
Eles pagaram 3.500 reais por uma semana
a bordo de um iate, com direito a bebida, cozinha internacional
e chumbadas de diversos tamanhos. Para quem quisesse, havia um serviço
extra: garotas, algumas menores de idade, selecionadas por uma cafetina
amazonense.
Tudo teria ficado às escondidas não
fosse a tragédia do naufrágio. Os pescadores chegaram
a Manaus na sexta-feira 17. Antes de iniciar a viagem, o grupo passou
por um shopping, comprou peças de lingerie, batons, biquínis
e outros presentes. Depois de zarpar, já com alguns quilômetros
navegados, o iate recebeu dezessete passageiras extras, que chegaram
de lancha. Houve uma tremenda festa, com direito a desfile de roupas
íntimas, recém-compradas no shopping, e sorteio de
brindes. No dia seguinte, as garotas foram embora. Cinco delas pegaram
um barco em direção a Manaus, mas não chegaram
ao destino. Uma tempestade fez a embarcação adernar.
A polícia ainda não conseguiu ouvir todas as pessoas
envolvidas nem sabe o nome dos quinze pescadores, mas já
tem evidências de que foi um caso típico de turismo
sexual. Nove meninas prestaram depoimento até agora. Três
delas sendo uma de 17 anos disseram ter mantido relações
com o deputado Benício Tavares, presidente da Câmara
Distrital de Brasília. O deputado, que é paraplégico,
pediu licença do cargo. "Não sabia que haveria mulheres.
Quando percebi pedi ao organizador que as desembarcasse, mas não
fui atendido", diz o parlamentar, que abandonou o iate ao saber
do naufrágio. O organizador da pescaria, o dentista paulista
Flávio Talmelli, não foi encontrado. A um amigo, o
dentista disse que também nada sabia sobre a presença
das moças a bordo.
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