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Eleições A
guerra dos padrinhos
Serra com Alckmin e Marta com Lula: o segundo turno em São Paulo será como
um jogo de duplas
 Monica
Weinberg e Cynara Menezes Fotos
Luludi/Ag. Luz
 |  | | Os
candidatos Marta Suplicy e José Serra no debate da Rede Globo: o fim do primeiro
round |
O
segundo turno das eleições municipais em São Paulo terá
quatro oponentes em vez de dois. José Serra e Marta Suplicy irão
para a briga escoltados, cada qual, por um padrinho. No ringue do tucano, entra
o governador Geraldo Alckmin; no da petista, o presidente Lula. A "parceria" e
a "amizade" com Lula foram o tema da fala de encerramento da prefeita no debate
de quinta-feira organizado pela Rede Globo. O encontro reuniu seis candidatos
além dos favoritos, Paulo Pereira da Silva (PDT), Ciro Moura (PTC),
Luiza Erundina (PSB) e Paulo Maluf (PP). Enquanto os dois primeiros criticaram
a gestão de Marta, Erundina bateu em todo mundo e Maluf atacou exclusivamente
Serra: usou oito de suas dezessete falas para criticar o tucano e seu partido.
A escolha
dos "padrinhos" de Serra e Marta está calcada em números. Segundo
o Datafolha, um quarto do eleitorado de São Paulo admite votar em um nome
apoiado por Alckmin. Já o presidente da República influenciaria
o voto de 16% dos paulistanos. Lula, em uma iniciativa que lhe causou embaraços
com a Justiça Eleitoral, discursou em favor de Marta no último dia
18. Embora até hoje sua fala não tenha resultado numa subida expressiva
da candidata (ela oscilou 1 ponto porcentual entre 17 e 29 de setembro), o marqueteiro
do partido, Duda Mendonça, acredita que isso ainda está por acontecer:
"O efeito não é imediato, dá-se em ondas", diz. "As pessoas
comentam o que viram no trabalho, no ônibus e vão formando opinião.
A idéia que começa a se consolidar é que o presidente gosta
da prefeita e vai ajudá-la a fazer um bom governo." Na semana passada,
petistas espalharam pela cidade outdoors de Marta ao lado de Lula com o slogan
"São Paulo muito mais forte". Foi uma resposta às fotos divulgadas
pelos tucanos mostrando Serra e Alckmin juntos ("A união faz a força
de São Paulo"). "É a tática do compre-um-e-leve-dois", resume
um integrante do comando petista. O presidente só deixará de gravar
seu apoio nos programas de TV se a diferença entre Marta e Serra for muito
superior a 10 pontos em favor do tucano nesse caso, a imagem de Lula apenas
sofreria desgaste.  | | Luis
Favre e Duda Mendonça: a performance de Maluf foi só alegria para a equipe da
prefeita |
No
que diz respeito à federalização da campanha, PT e PSDB deverão
jogar em campos opostos. O primeiro, além de criticar o governo Alckmin
sobretudo no campo da segurança , tentará grudar a
imagem de Serra à do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Pesquisas
quantitativas feitas pelo PT apontam que a gestão do ex-presidente é
mal avaliada principalmente nas classes C, D e E. "Vamos jogar o Serra no colo
do Fernando Henrique", diz um dos coordenadores da campanha de Marta. Já
os tucanos brigarão para que a disputa se restrinja aos temas municipais,
preferencialmente a saúde o ponto mais sensível da gestão
da prefeita petista, explorado à exaustão no primeiro turno.
Paulo Maluf deverá ter, nestas eleições, a menor votação
de sua carreira (excetuando-se a da candidatura à Presidência em
1989). O pepebista, histórico adversário do PT, atravessou o primeiro
turno da campanha em inusitada lua-de-mel com o partido. A história de
amor entre o ex-prefeito e a sigla do presidente Lula dá-se em um momento
particularmente interessante para ambos: o PT precisa ganhar as eleições
em São Paulo e Maluf anda às voltas com uma sucessão de denúncias
que inclui a acusação de vultosa remessa de dinheiro para o exterior.
A suspeita vem sendo investigada pela CPI do Banestado coincidentemente
presidida pelo PT. Aos rumores de que o partido teria fechado um acordo com o
ex-prefeito, mediante o qual "aliviaria" sua situação na CPI em
troca de ataques a Serra, seguiram-se duas semanas de artilharia pesada contra
o tucano por parte do pepebista. Maluf utilizou quase 40% de seu tempo no horário
eleitoral para falar mal de Serra. No debate da Globo (em que o candidato do PSDB
saiu vitorioso, segundo sondagens tucanas e petistas), Maluf deu uma bela mão
a Marta. Depois de criticar as escolas mantidas pelo governo estadual do PSDB,
afirmou: "Continuarei as obras do CEU, que acho uma prioridade". O projeto do
CEU (sigla de Centro Educacional Unificado) é a menina-dos-olhos da administração
do PT. Da platéia, ao ouvir as intervenções de Maluf favoráveis
a Marta, o marido da prefeita, Luis Favre, gargalhava de satisfação.
Se Maluf se tornou um colaborador petista de última hora, seus eleitores
não. A vantagem projetada pelos institutos de pesquisa para o tucano no
segundo turno tem origem, sobretudo, na divisão do espólio malufista.
Eles prevêem que cerca de 70% dos votos do pepebista irão para Serra.
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