Edição 1874 . 6 de outubro de 2004

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Eleições
A guerra dos padrinhos

Serra com Alckmin e Marta com Lula:
o segundo turno em São Paulo será
como um jogo de duplas


Monica Weinberg e Cynara Menezes

 
Fotos Luludi/Ag. Luz
Os candidatos Marta Suplicy e José Serra no debate da Rede Globo: o fim do primeiro round

O segundo turno das eleições municipais em São Paulo terá quatro oponentes em vez de dois. José Serra e Marta Suplicy irão para a briga escoltados, cada qual, por um padrinho. No ringue do tucano, entra o governador Geraldo Alckmin; no da petista, o presidente Lula. A "parceria" e a "amizade" com Lula foram o tema da fala de encerramento da prefeita no debate de quinta-feira organizado pela Rede Globo. O encontro reuniu seis candidatos – além dos favoritos, Paulo Pereira da Silva (PDT), Ciro Moura (PTC), Luiza Erundina (PSB) e Paulo Maluf (PP). Enquanto os dois primeiros criticaram a gestão de Marta, Erundina bateu em todo mundo e Maluf atacou exclusivamente Serra: usou oito de suas dezessete falas para criticar o tucano e seu partido.

A escolha dos "padrinhos" de Serra e Marta está calcada em números. Segundo o Datafolha, um quarto do eleitorado de São Paulo admite votar em um nome apoiado por Alckmin. Já o presidente da República influenciaria o voto de 16% dos paulistanos. Lula, em uma iniciativa que lhe causou embaraços com a Justiça Eleitoral, discursou em favor de Marta no último dia 18. Embora até hoje sua fala não tenha resultado numa subida expressiva da candidata (ela oscilou 1 ponto porcentual entre 17 e 29 de setembro), o marqueteiro do partido, Duda Mendonça, acredita que isso ainda está por acontecer: "O efeito não é imediato, dá-se em ondas", diz. "As pessoas comentam o que viram no trabalho, no ônibus e vão formando opinião. A idéia que começa a se consolidar é que o presidente gosta da prefeita e vai ajudá-la a fazer um bom governo." Na semana passada, petistas espalharam pela cidade outdoors de Marta ao lado de Lula com o slogan "São Paulo muito mais forte". Foi uma resposta às fotos divulgadas pelos tucanos mostrando Serra e Alckmin juntos ("A união faz a força de São Paulo"). "É a tática do compre-um-e-leve-dois", resume um integrante do comando petista. O presidente só deixará de gravar seu apoio nos programas de TV se a diferença entre Marta e Serra for muito superior a 10 pontos em favor do tucano – nesse caso, a imagem de Lula apenas sofreria desgaste.

 
Luis Favre e Duda Mendonça: a performance de Maluf foi só alegria para a equipe da prefeita

No que diz respeito à federalização da campanha, PT e PSDB deverão jogar em campos opostos. O primeiro, além de criticar o governo Alckmin – sobretudo no campo da segurança –, tentará grudar a imagem de Serra à do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Pesquisas quantitativas feitas pelo PT apontam que a gestão do ex-presidente é mal avaliada principalmente nas classes C, D e E. "Vamos jogar o Serra no colo do Fernando Henrique", diz um dos coordenadores da campanha de Marta. Já os tucanos brigarão para que a disputa se restrinja aos temas municipais, preferencialmente a saúde – o ponto mais sensível da gestão da prefeita petista, explorado à exaustão no primeiro turno.

Paulo Maluf deverá ter, nestas eleições, a menor votação de sua carreira (excetuando-se a da candidatura à Presidência em 1989). O pepebista, histórico adversário do PT, atravessou o primeiro turno da campanha em inusitada lua-de-mel com o partido. A história de amor entre o ex-prefeito e a sigla do presidente Lula dá-se em um momento particularmente interessante para ambos: o PT precisa ganhar as eleições em São Paulo e Maluf anda às voltas com uma sucessão de denúncias que inclui a acusação de vultosa remessa de dinheiro para o exterior. A suspeita vem sendo investigada pela CPI do Banestado – coincidentemente presidida pelo PT. Aos rumores de que o partido teria fechado um acordo com o ex-prefeito, mediante o qual "aliviaria" sua situação na CPI em troca de ataques a Serra, seguiram-se duas semanas de artilharia pesada contra o tucano por parte do pepebista. Maluf utilizou quase 40% de seu tempo no horário eleitoral para falar mal de Serra. No debate da Globo (em que o candidato do PSDB saiu vitorioso, segundo sondagens tucanas e petistas), Maluf deu uma bela mão a Marta. Depois de criticar as escolas mantidas pelo governo estadual do PSDB, afirmou: "Continuarei as obras do CEU, que acho uma prioridade". O projeto do CEU (sigla de Centro Educacional Unificado) é a menina-dos-olhos da administração do PT. Da platéia, ao ouvir as intervenções de Maluf favoráveis a Marta, o marido da prefeita, Luis Favre, gargalhava de satisfação. Se Maluf se tornou um colaborador petista de última hora, seus eleitores não. A vantagem projetada pelos institutos de pesquisa para o tucano no segundo turno tem origem, sobretudo, na divisão do espólio malufista. Eles prevêem que cerca de 70% dos votos do pepebista irão para Serra.

 

 

 
 
 
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