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Edição 1972 . 6 de setembro de 2006

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Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
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Artigo: Reinaldo Azevedo
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Televisão
Polemizar, jamais

O casal Lázaro Ramos e Taís Araújo
é politicamente incorreto na novela
e todo discreto na vida real


Marcelo Marthe


Fotos divulgação
Lázaro e Taís: fotos juntinhos, só se for como personagens


Os atores Lázaro Ramos e Taís Araújo são um casal de vida dupla. Na novela Cobras & Lagartos, eles encarnam duas figuras para lá de politicamente incorretas, o malandro Foguinho e a megera Ellen, que brincam de gata e rato o tempo todo. Na vida real, Lázaro e Taís também juntaram os trapinhos, há cerca de dois anos – mas esse par romântico é tão certinho que faria a irascível Ellen ter um ataque de fúria. Eles formam o típico casal de celebridades que faz de tudo para "preservar sua relação". Os atores, ambos de 27 anos, torcem o nariz para perguntas pessoais e não se deixam fotografar juntos, a não ser como personagens. Taís dá a justificativa de praxe nesses casos: "Não queremos que nossa vida vire uma novela". Ambos são os atores negros mais bem-sucedidos da atualidade – e, já se pode dizer, da história da televisão brasileira –, mas não gostam de fazer disso uma bandeira. "A minha negritude é a coisa mais assumida do mundo. Mas prefiro ser visto como um artista igual a qualquer outro", diz Ramos. Baiano que se formou ator no engajado grupo teatral do Olodum, em Salvador, ele sai pela tangente quando o assunto é raça. Política de cotas? "Sou a favor. Mas seria contra se houvesse uma idéia melhor." A acusação (surreal) de que as humilhações infligidas a Foguinho são racistas? "Quando alguém se incomoda, é sempre válido discutir a questão." Polemizar, jamais. (E não se trata de crítica, somente de constatação. Melhor isso do que a "escola Paulo Betti" de ignorância engajada.)

Conversa morna à parte, Ramos e Taís dão conta do recado naquilo que interessa: a atuação. Com 42 pontos de média no ibope, Cobras & Lagartos cumpriu, com louvor, a missão de tapar a cratera aberta no horário das 7 da Globo pela pífia Bang Bang. E os personagens interpretados pela dupla têm sido seu maior trunfo. Ramos já havia exibido sua versatilidade em filmes como Madame Satã e Cidade Baixa, e revelou-se à vontade no humor abilolado da trama. Taís também tem talento – além de ser linda. A Globo detectou que, apesar da carga negativa de seus personagens, a imagem de "gente simples" dos atores contribuiu para a identificação do público com eles. Foguinho gosta do bem-bom e comete falcatruas – a maior delas é se passar por herdeiro da Luxus, a versão de mentirinha do templo do alto consumo paulistano Daslu. É, contudo, um ingênuo de boa índole. Ellen está mais próxima do perfil de uma vilã. Já lançou impropérios contra Foguinho, simulou uma gravidez para fisgá-lo depois que ele enriqueceu e passou a chantageá-lo ao descobrir sua situação na Luxus.

Leona lava os pés de Ellen: amigas de infância?

Com o sucesso em Cobras & Lagartos, o casal desmontou de vez um velho tabu – o de que os atores negros seriam sempre relegados aos papéis de escravos em novelas de época, ou de personagens pobres e secundários nas tramas contemporâneas. Ramos teve uma ascensão meteórica. Depois de uma fieira de filmes, da participação no extinto humorístico Sexo Frágil e de uma boquinha como apresentador do Fantástico, ele emplacou um personagem principal logo em sua primeira novela. Ajudou-o, é verdade, o fato de ter caído nas graças de gente influente. Depois de vê-lo atuar em Salvador, o dramaturgo e roteirista João Falcão o escalou para uma peça no Rio, após a qual choveram convites para ele fazer cinema. Falcão também o introduziu no círculo de Guel Arraes, diretor da Globo. "Vou fazer uma coisa difícil, que é me elogiar: eu sou um artista muito dedicadinho", diz Ramos.

Quanto a Taís, não é de hoje que ela vem construindo sua carreira. Antes de Cobras, a atriz protagonizou duas novelas – Xica da Silva (1996), na extinta Manchete, e Da Cor do Pecado (2004), o maior sucesso na faixa das 7 da Globo em uma década. Ao que parece, sua ascensão já desperta ciúmes. Ellen vem eclipsando a outra megera da novela, a oxigenada Leona (Carolina Dieckmann). O embate rende cenas hilárias, como aquela em que Ellen obrigou a inimiga a lavar seus pés. Nos bastidores, sugere-se que Carolina anda incomodada com o destaque obtido pela colega. A Taís certinha saiu a campo para apagar o incêndio causado pela Taís vilã: apressou-se em dizer em público que é "amiga de infância" da colega de elenco. Polemizar, jamais.

 
 
 
 
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