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Tecnologia Banda
de um homem só Softwares
permitem compor e gravar músicas no computador mesmo que não
se saiba tocar um instrumento  Gabriela
Carelli
Everton
Ballardin
 | PASSATEMPO
SONORO O engenheiro paulista Adriano Mendes, de
34 anos, não participou de bandas de garagem e aprendeu a tocar guitarra
depois de adulto. "Já estreei na carreira-solo", brinca. Ele é o
exemplo do homem-banda. Freqüenta uma escola para aprender a mexer com os
softwares e gravar suas próprias composições com os sons
de vários instrumentos |
Desde que os Beatles conquistaram o mundo, nos anos 60, montar uma banda de garagem
com os amigos se tornou uma das diversões favoritas dos jovens. Esses grupos,
mesmo os que não tencionam se tornar profissionais, costumam ter um sonho
em comum: gravar um disco. Antigamente, poucos conseguiam, já que alugar
um estúdio custa um dinheirão. Hoje, com um computador, uma placa
de som e um software especializado qualquer músico diletante faz uma gravação
de qualidade. Até mesmo a banda é dispensável: os softwares
se encarregam de fornecer o som dos instrumentos. Também não é
necessário entender de música a tecnologia dá conta
de tudo. Os apreciadores de música eletrônica, por exemplo, podem
fazer colagens com os trechos pré-gravados de música contidos nos
programas. Um guitarrista iniciante pode ligar o instrumento no computador, arranhar
algumas notas, gravá-las e acrescentar baixo, bateria e órgão
virtuais no estilo que desejar do heavy metal ao blues. Atualmente, com
5.000 reais, computador incluído, pode-se montar um bom estúdio
em casa. Para muitos jovens e também para muitos quarentões
saudosos do rock que produziam na juventude a banda de garagem se tornou
a banda de um homem só. A multiplicação
dos homens-banda pode ser medida pelo crescimento dos sites especializados em
arquivar gravações caseiras e disponibilizá-las para quem
quiser ouvir. O ACIDPlanet.com, usado principalmente por quem tem o software de
música Acid, já tem 100.000 pessoas com músicas cadastradas.
O site brasileiro Trama Virtual conta com 30.000 inscritos, entre artistas solitários
e bandas de fundo de quintal. O site MySpace tem meio milhão de cadastros
só no gênero rock em seu catálogo. As escolas de música
também já identificaram o fenômeno dos homens-banda. "A maioria
delas teve de remontar a grade curricular para incluir cursos de música
virtual, ensinando alunos que não entendem nada de informática a
fazer sua música no computador", diz o professor paulista Tomi Terahata,
da Escola de Música e Tecnologia.
Para gravar músicas em casa, o primeiro passo é escolher uma placa
de som. A maioria dos computadores tem uma delas embutida na placa-mãe,
mas sua qualidade não é das melhores. As placas externas, ligadas
ao computador por cabos USB ou FireWire, são mais indicadas porque podem
ser transportadas para qualquer lugar e conectadas a outro computador ou notebook.
O próximo passo é escolher um software, o coração
de toda gravação digital. Os softwares atuais funcionam como gravadores
e mesas de som, fazem arranjos e até imprimem partituras. Todos vêm
com trechos pré-gravados de música dos mais variados instrumentos
e estilos, os chamados loops. Usando os loops, quem toca só um instrumento
pode gravá-lo e acrescentar vários outros. Depois, é só
mixar as faixas, escolhendo o volume de cada instrumento. Lailson
Santos
 | AMIGOS
NA PLATÉIA O publicitário Marco
Aurélio de Brito Vieira, de 26 anos, aprendeu bateria e guitarra quando
era adolescente. Tinha uma banda, mas precisou abandoná-la depois de entrar
na faculdade e arrumar um estágio. Há quatro meses, instalou um
software e aprendeu a mexer no programa sozinho. "Não pretendo ficar famoso,
mas coloquei minhas músicas próprias no MySpace para mostrar aos
amigos", diz |
Uma
alternativa para imprimir mais recursos à gravação é
usar os plug-ins, acessórios que alteram o som dos instrumentos. Eles são
capazes, por exemplo, de modificar o timbre de guitarras ou dar ao som do baixo
uma atmosfera mais para o funk ou mais para o jazz. Quem quiser ir além
nos recursos tecnológicos pode comprar um controlador MIDI. Esses aparelhos,
que têm formatos variados, são instrumentos que não geram
sons, apenas repassam informações de notas para o computador. O
software se encarrega de transformar as notas emitidas pelo controlador no instrumento
digital que o músico quiser. É possível, por exemplo, usar
um MIDI em formato de teclado para enviar notas que serão transformadas
em uma linha de guitarra. Ou usar uma guitarra MIDI para emitir notas que vão
se tornar um solo de bateria. É uma forma de criar seu próprio loop,
sem ter de recorrer aos trechos pré-gravados.
Existe mais de uma dezena de softwares para gravação doméstica
no mercado. Acid, Live e Reason são os favoritos dos DJs. GarageBand, Pro
Tools e Sonar são preferidos por quem sabe tocar um instrumento de verdade.
O engenheiro mecânico paulista Adriano Mendes, de 34 anos, que usa o Sonar,
aprendeu a tocar guitarra já adulto e nunca teve uma banda. "Passei da
idade de tocar em conjuntinho e tive de estrear já na carreira-solo", ele
brinca. Com vida profissional atribulada, Adriano passa cerca de duas horas por
dia brincando de música no computador. "Gravo todas as idéias musicais
que tenho e vou armazenando-as num CD. Aproveito as horas perdidas no trânsito
para ouvi-las e aprimorar as composições", diz ele. Os softwares
musicais, evidentemente, não substituem o talento, mas garantem boa diversão
tanto para quem é fã do Franz Ferdinand quanto para quem
tem saudade dos Beatles.
SUCESSO FEITO EM CASA Divulgação
 | | BR6:
CD doméstico do grupo carioca já foi lançado até no
exterior |
As gravações
caseiras são território de amadores, mas também podem servir
como plataforma para a fama. Foi o que aconteceu com o sexteto vocal carioca BR6.
O grupo, especializado em música popular brasileira a capela sem
acompanhamento de instrumentos , faz barulho há dois anos no mercado
internacional com um CD produzido em casa. Tudo começou em 2001, quando
o matemático Cylan Delgado, marido de uma das integrantes do BR6, Crismarie,
resolveu fazer um curso de música digital para gravar as músicas
do grupo. Na época, o sonho de produzir um CD num estúdio profissional
era inviável: custaria 80 000 dólares. Depois de um ano de estudo,
Cylan, que já tinha um PC e uma pequena mesa de som, comprou uma placa
de áudio de 500 dólares e instalou o software Sonar. No caso da
gravação de música a capela, os softwares musicais servem
para mixar as vozes ou seja, determinar o volume de cada uma delas
e corrigir imperfeições na emissão dos cantores. Em 2004,
seu primeiro CD como produtor Música Popular Brasileira a Capella
caiu nas graças da gravadora Biscoito Fino, a mesma de Chico Buarque
e Maria Bethânia, que resolveu lançá-lo. O disco valeu ao
sexteto uma recomendação ao Grammy por parte de um grupo de produtores
americanos e hoje pode ser encontrado em lojas dos Estados Unidos, do Japão
e da Argentina. Recentemente, Delgado fechou um contrato com uma gravadora americana
para produzir um álbum em inglês. A produção, ele garante,
será feita do mesmo jeito: em sua casa. Exigência do grupo. |
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