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Comportamento
Vale-CD nunca mais
Empresas oferecem aulas, passeios
e aventuras como opção para quem
quer dar um presente diferente

Adriana Maximiliano, de Washington
Fotos álbum de família
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| Syed faz aula de trapézio para acompanhar
clientes, Vickery salta de pára-quedas no aniversário: "Difícil
é retribuir à altura" |
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Aos despossuídos de criatividade
que, na hora de presentear, não escapam do trio flores, chocolate
e vale-CD, uma boa notícia: empresas especializadas no Brasil
e no exterior selecionam e organizam, a preços mais ou menos
acessíveis, o que denominam de presente-experiência,
um tipo de mimo com tudo para agradar ao homenageado. As experiências,
variadíssimas, envolvem graus diversos de emoção,
tempo e custo e vão desde um passeio a cavalo em noite de
lua cheia em Itu, no interior de São Paulo (55 reais), até
uma volta no circuito de Silverstone, na Inglaterra, dirigindo um
carro de Fórmula 1 (1 500 libras, ou 6 000 reais), passando
por safári, vôo de ultraleve, uma manhã fazendo
pão numa padaria de luxo, uma aula particular com fotógrafo
renomado e infinitas outras opções. Com a vantagem,
para quem dá o presente, de não precisar mover uma
palha além de fornecer nome, endereço e telefone do
presenteado. E pagar, claro. "Os presentes materiais são
esquecidos rapidamente, mas as experiências ficam na memória
para sempre", declara o português António Quina, 39
anos, fundador de um dos mais bem-sucedidos empreendimentos do gênero,
A Vida É Bela.
Com faturamento de 3,2 milhões
de euros em 2005 e quatro anos de experiência em Portugal,
ele agora tenta conquistar mercado no Brasil: em sociedade com Pierre
Schürmann, da família de velejadores catarinenses, inaugura
nesta semana em São Paulo o site de A Vida É Bela
Brasil justamente com uma "clínica de pães"
onde 400 convidados vão pôr a mão na massa,
comandados pela chef Morena Leite. A Vida É Bela Brasil,
com 650 presentes no catálogo, terá como concorrente
no país a Immaginare, inaugurada em fevereiro, que oferece
mais de 200 opções. Um estudo recente da consultoria
Arthur D. Little mostra que clientes não faltam para as empresas
de presentes-experiência. Nos Estados Unidos e Canadá,
o mercado já movimenta 1,3 bilhão de dólares
e deve chegar a 2 bilhões; na Inglaterra, mais de sessenta
agências dividem um faturamento de 250 milhões de dólares.
Há dez anos no mercado europeu e entre as cinco maiores empresas
mundiais, a inglesa eXhilaration especializou-se em aventuras radicais.
"Estou tentando conseguir autorização para que meus
clientes possam andar na asa de um avião em movimento", conta
o diretor, Tim Bishop, 33 anos. Bishop testa ele mesmo as novidades
do catálogo e nessa função já praticou
mais de 200 maluquices desde escalada nos Alpes Franceses
e acrobacias aéreas até dezenas de voltas no circuito
de Silverstone, que ele diz conhecer tão bem quanto qualquer
piloto de corrida. Do catálogo da empresa fazem parte também
atividades mais amenas, como uma sessão de fotos para um
book de modelo e um chá das 4 no Hotel Ritz, de Londres.
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| Bishop, da inglesa eXhilaration, com clientes
nos Alpes: aventuras radicais |
Acessíveis principalmente
na internet, as empresas que oferecem esse tipo de presente atuam
no mundo inteiro. A professora canadense Maria McMillan, que trabalha
numa universidade nos Emirados Árabes, acionou um serviço
local e gastou pouco mais de 3.000 dólares para presentear
com vôos de ultraleve e um safári no deserto de Dubai
(com direito a andar de camelo) o filho Jeffery e a filha Sarah,
quando a visitaram no início do ano, ele com a noiva, Nastya,
e ela com o namorado, Lucus. A russa Nastya Yashina, 25 anos, adorou
a idéia da futura sogra: "Eu parecia uma criança.
Em vez de objetos, ela nos deu um capítulo precioso de nossa
vida". Também o redator de textos técnicos Chris Vickery,
34 anos, que mora na Califórnia, perdeu o fôlego com
o presente de aniversário que ganhou da mulher, Andrea, no
fim do ano passado: um salto de pára-quedas encomendado à
Xperience Days. "Foi sem dúvida meu melhor aniversário.
O problema agora é retribuir à altura", diz. O economista
Kelvin Lynch, 39, achou no site da empresa americana ExtravaGift
o presente ideal para os pais que visitavam Nova York: uma excursão
guiada pelas principais galerias de arte do bairro de Chelsea (350
dólares, ou 750 reais). Com um efeito colateral: "Eles gostaram
tanto que compraram um quadro para mim. Pena que não combina
com a minha casa. Esse é o problema de presentes materiais".
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| Sarah e Nastya andam de camelo em Dubai: presente
inusitado |
A ExtravaGift foi criada no fim
do ano passado pelos analistas financeiros Stephen Murphy, 28 anos,
e Omar Syed, 30, que deixaram empregos bem remunerados para abrir
a empresa. "Logo no primeiro mês, levamos trinta pessoas para
uma viagem de bicicleta pela China. Foi estressante, mas um stress
muito diferente do que eu sentia no mercado financeiro", conta Murphy,
que no mês passado mergulhou com golfinhos no México,
a mais nova atração do catálogo. "Nossas agendas
estão sempre lotadas de experiências", confirma Syed,
que, além das viagens, faz aventuras em Nova York mesmo,
como um recente curso de trapézio. A experiência mais
popular da ExtravaGift é a aula de pôquer com especialistas
no assunto (duas horas, 400 dólares, ou 850 reais). Também
consta do cardápio da empresa uma partida de futebol contra
um time de craques veteranos do Brasil ("Você tem velocidade
para acompanhar Paulo Sérgio? Habilidade para parar os dribles
de Bebeto?", pergunta a propaganda), com uniforme, juiz e bandeirinhas.
"O preço varia de acordo com o local do jogo e a época
do ano, mas não sai por menos de 175.000 dólares.
Temos interessados na Rússia e em Dubai", garante Murphy.
Em tempo: o site esclarece que nem Bebeto nem Paulo Sérgio
são nomes confirmados no time.
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