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Genética
Dois pacientes curados de câncer
Graças à terapia gênica, eles ficaram livres do melanoma.
Estavam em estado terminal
Há mais de
vinte anos a medicina busca um tratamento para o câncer em
que o próprio organismo do paciente seja capaz de destruir
o tumor maligno. Uma grande vitória nesse sentido foi divulgada
na semana passada pela revista científica Science. Pesquisadores
do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos conseguiram
curar dois homens vítimas, em estágio avançado,
de melanoma, o mais letal dos cânceres de pele. Liderados
pelo médico Steven Rosenberg, eles modificaram o DNA das
células de defesa (linfócitos) dos doentes, para que
elas reconhecessem e destruíssem as células cancerosas.
"Foi a primeira vez que a manipulação genética
conseguiu a regressão de tumores em humanos", disse Steven
Rosenberg, coordenador do estudo. Um dos pacientes, um homem de
52 anos, já apresentava metástase no fígado
e nas axilas. No outro caso, um homem de 30 anos, o câncer
de pele se espalhara para o pulmão. Hoje, depois de quase
dois anos de iniciada a terapia, ambos estão livres da doença.
"O grande desafio é tornar
as células tumorais visíveis às células
do sistema imunológico", diz Lygia da Veiga Pereira, geneticista
da Universidade de São Paulo. Os pesquisadores americanos
conseguiram atingir esse objetivo ao dotar os linfócitos
dos doentes de "olhos" capazes de enxergar o tumor (veja
o quadro). Uma semana depois que as células
de defesa foram reimplantadas nos dois doentes, elas já haviam
se reproduzido de uma maneira impressionante, aumentando a capacidade
de resposta imunológica do organismo. Os tumores foram atacados
sem que ocorressem reações adversas severas. "Isso
prova que os linfócitos atacaram as células cancerosas,
mas preservaram as saudáveis, ao contrário do que
acontece na quimioterapia", diz Bernardo Garicochea, diretor do
serviço de oncologia da Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul.
Apesar do sucesso
do experimento, não se pode falar em descoberta da cura definitiva do melanoma.
Isso porque os outros quinze pacientes que participaram da pesquisa não
foram beneficiados com o tratamento. Dois deles, inclusive, não apresentaram
nenhuma resposta. Ainda assim, o fato de outros dois doentes graves terem se livrado
completamente da doença é motivo de comemoração
não apenas para eles próprios e seus familiares, mas para a ciência.
É sinal de que o caminho da terapia gênica contra o câncer
está correto. |