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Cinema
Cego
de vaidade
Allen
vai longe demais no papel
de
um cineasta que dirige sem ver

Isabela
Boscov
Divulgação
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| Allen,
com Téa: caneladas sem graça |
Woody
Allen é mestre em sacar idéias que parecem óbvias,
mas ninguém ainda teve a presença de espírito
de usar como o ator que está sempre fora de foco em
Desconstruindo Harry, ou a mãe que surge no céu
de Manhattan para repreender seu filho, à vista de toda a
cidade, em Contos de Nova York. Outra dessas idéias
simples e efetivas é a base de Dirigindo no Escuro
(Hollywood Ending, Estados Unidos, 2002), que estréia
nesta sexta-feira no país. Depois de amargar anos de desgraça
profissional, o cineasta Val Waxman (Allen) ganha, por influência
de sua ex-mulher (Téa Leoni), a chance de dirigir uma superprodução
de estúdio. No primeiro dia de filmagem, a catástrofe:
Val descobre-se subitamente cego. Como não tem coragem de
contar a verdade, ele decide seguir adiante, disfarçando
sua completa incompetência para o cargo. O problema é
o uso hipócrita e desprovido de imaginação
que Allen dá a um ponto de partida tão bom. Em vez
de tratá-lo como blague, ele faz como se estivesse criticando
a indústria do cinema se é que cotoveladas
e caneladas (todas sem graça) constituem crítica.
Allen gosta de fingir que não faz parte desse mundinho, mas
filma com o dinheiro de Steven Spielberg. Em Dirigindo no Escuro,
ele é como um daqueles convidados rudes que vão à
festa dos outros, empanturram-se de salgadinhos e depois reclamam
para quem quiser ouvir que o uísque era de segunda.
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