Edição 1814 . 6 de agosto de 2003

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Música
É só embalagem

Fernanda Porto pôs a música eletrônica nas
rádios. Mas ela não é tão moderna assim


Sérgio Martins

 
Claudio Rossi
Fernanda: 100 000 CDs vendidos e quatro sucessos nas rádios de todo o Brasil


Para ouvir: sucesso Amor Errado, de Fernanda Porto

A gravadora paulistana Trama se gaba de ser um reduto da vanguarda musical brasileira. Sua grande especialidade são as "promessas" – artistas como Max de Castro, Simoninha e Jair de Oliveira, que são muito descolados e incensados pela crítica, mas têm vendagens pífias. Nos últimos meses, contudo, a Trama vem lidando com uma exceção à regra. Trata-se da cantora, compositora e instrumentista paulista Fernanda Porto. Seu primeiro disco, lançado em outubro do ano passado, vendeu 100.000 cópias. As rádios também gostam dela. Fernanda emplacou quatro canções nas paradas, sendo que a última delas, Amor Errado, está entre as dez mais executadas no Brasil no momento. O disco Fernanda Porto já foi lançado no Japão e sairá na Europa na segunda quinzena de setembro. No mês seguinte, ela parte para uma turnê de um mês pelo continente. Ex-aluna do maestro alemão Hans Joachim Koellreuter, que lhe ensinou os princípios da composição dodecafônica, e adepta das fusões musicais com elementos eletrônicos, Fernanda desponta, assim, como a moderna que deu certo. Qual o segredo da moça?

Apesar de a embalagem indicar o contrário, Fernanda Porto é apegada à tradição. Seu coração bate mais forte pela velha MPB. "Confesso, esse é o meu gênero preferido. Eu me divirto mais fazendo canções do que criando batidas no computador", diz ela. Noitadas movidas a tecno? Só no plano estritamente profissional. "Se vou me apresentar numa rave, faço o meu trabalho e depois vou dormir", afirma. As músicas que Fernanda emplacou nas rádios são sambas e bossas cheios de barulhinhos eletrônicos – mas que não dispensam o refrão cantarolável. No palco, em vez de apelar para pick-ups e gravadores, ela sua a camisa para mostrar seus dotes de instrumentista. Toca teclados, guitarra e saxofone. E não precisa mais usar figurinos clubber (tomou um banho de loja quando foi contratada pela Trama).

Daniela Schneider
A cantora, antes da fama: Daniela Mercury tecno?


A estréia de Fernanda Porto no que se pode chamar de música popular eletrônica se deu com a ajuda do DJ Patife. Ele acoplou efeitos à composição Sambassim, que se tornou o primeiro hit da cantora. Os fãs mais radicais do tecno a consideram uma diluidora e costumam dizer, com ironia, que ela é uma espécie de Daniela Mercury dos eletrônicos: ajudou a tirar o tecno do gueto, assim como a cantora baiana transformou o samba-reggae de Salvador, no começo dos anos 90, em fenômeno de massa. Outros ressaltam que as batidas que ela utiliza, ao estilo drum'n'bass, já estão ultrapassadas. Para quem quer tocar no rádio, contudo, isso são qualidades, e não desvantagens. O segredo de Fernanda Porto é ser bem menos moderna do que parece.

 
 
 
 
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