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Música
É
só embalagem
Fernanda Porto pôs a música eletrônica
nas
rádios. Mas ela não é tão moderna assim

Sérgio
Martins
Claudio Rossi
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| Fernanda:
100
000 CDs vendidos
e quatro
sucessos nas
rádios de todo
o Brasil |
A
gravadora paulistana Trama se gaba de ser um reduto da vanguarda
musical brasileira. Sua grande especialidade são as "promessas"
artistas como Max de Castro, Simoninha e Jair de Oliveira,
que são muito descolados e incensados pela crítica,
mas têm vendagens pífias. Nos últimos meses,
contudo, a Trama vem lidando com uma exceção à
regra. Trata-se da cantora, compositora e instrumentista paulista
Fernanda Porto. Seu primeiro disco, lançado em outubro do
ano passado, vendeu 100.000 cópias. As rádios também
gostam dela. Fernanda emplacou quatro canções nas
paradas, sendo que a última delas, Amor Errado, está
entre as dez mais executadas no Brasil no momento. O disco Fernanda
Porto já foi lançado no Japão e sairá
na Europa na segunda quinzena de setembro. No mês seguinte,
ela parte para uma turnê de um mês pelo continente.
Ex-aluna do maestro alemão Hans Joachim Koellreuter, que
lhe ensinou os princípios da composição dodecafônica,
e adepta das fusões musicais com elementos eletrônicos,
Fernanda desponta, assim, como a moderna que deu certo. Qual o segredo
da moça?
Apesar de a embalagem indicar o contrário, Fernanda Porto
é apegada à tradição. Seu coração
bate mais forte pela velha MPB. "Confesso, esse é o meu gênero
preferido. Eu me divirto mais fazendo canções do que
criando batidas no computador", diz ela. Noitadas movidas a tecno?
Só no plano estritamente profissional. "Se vou me apresentar
numa rave, faço o meu trabalho e depois vou dormir", afirma.
As músicas que Fernanda emplacou nas rádios são
sambas e bossas cheios de barulhinhos eletrônicos mas
que não dispensam o refrão cantarolável. No
palco, em vez de apelar para pick-ups e gravadores, ela sua a camisa
para mostrar seus dotes de instrumentista. Toca teclados, guitarra
e saxofone. E não precisa mais usar figurinos clubber (tomou
um banho de loja quando foi contratada pela Trama).
Daniela Schneider
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| A
cantora, antes da fama: Daniela
Mercury tecno? |
A estréia de Fernanda Porto no que se pode chamar de música
popular eletrônica se deu com a ajuda do DJ Patife. Ele acoplou
efeitos à composição Sambassim, que
se tornou o primeiro hit da cantora. Os fãs mais radicais
do tecno a consideram uma diluidora e costumam dizer, com ironia,
que ela é uma espécie de Daniela Mercury dos eletrônicos:
ajudou a tirar o tecno do gueto, assim como a cantora baiana transformou
o samba-reggae de Salvador, no começo dos anos 90, em fenômeno
de massa. Outros ressaltam que as batidas que ela utiliza, ao estilo
drum'n'bass, já estão ultrapassadas. Para quem quer
tocar no rádio, contudo, isso são qualidades, e não
desvantagens. O segredo de Fernanda Porto é ser bem menos
moderna do que parece.
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