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Televisão
Uma
vida nova em 28 dias
A série inglesa Tudo É Possível
prova que querer é poder

Isabela
Boscov
Fotos divulgação
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DE
DANÇARINA...
...A AMAZONA
Em menos de um mês, Shelley perdeu o medo de cavalos,
fez uma prova exemplar e virou fã de hipismo
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Imagine
ter apenas um mês para aprender uma atividade muito complicada
como reger uma orquestra, comandar a cozinha de um restaurante
ou participar de torneios de salto a cavalo , a ponto de enganar
um júri de especialistas na matéria. Pois é
esse o desafio proposto pela série inglesa Tudo É
Possível (no original, Faking It, ou "Fingindo"),
que o canal GNT volta a exibir neste dia 4, de segunda a quinta,
às 23h20. Até agora, nas quatro temporadas produzidas,
dezoito pessoas toparam a parada. Surpresa: a maioria saiu-se incrivelmente
bem. Chris Sweeney, o cantor punk que nunca havia ouvido música
clássica, regeu sob aplausos a Filarmônica Real numa
peça de Rossini. A tímida Lucy Craig, que limpava
banheiros numa balsa do Canal do Mancha, chegou em primeiro lugar
numa regata, derrotando iatistas de classe internacional. Shelley
Elvin, dançarina de boate, só se denunciou aos juízes
de sua competição de hipismo ao errar o nome de um
torneio. Ed Devlin, que fritava hambúrgueres, tirou a nota
mais alta num concurso de chefs. E o pintor de paredes Paul O'Hare
foi tão fundo no papel de artista abstrato que hoje ganha
mais com seus quadros do que com sua empresa de reformas.
A idéia de Tudo É Possível é
de Stephen Lambert, executivo da produtora independente RDF. A RDF
tem uma vasta coleção de prêmios e é
uma das inovadoras do conceito de reality show. Outra série
de sucesso de Lambert é a Wife Swap (ou "Troca de
Esposas"), em que uma dona-de-casa tem de tocar a rotina de uma
família desconhecida. A produção de Tudo
É Possível, porém, é bem mais complexa.
O aspirante muda-se para a casa de seu mentor e submete-se a uma
exaustiva imersão. Além de aulas dia e noite, ela
inclui mudanças no visual e treino teatral, para que os candidatos
se comportem de acordo com a nova "profissão". Também
os mentores sofrem: eles não sabem que tipo de pessoa receberão,
o que gera muitos risos nervosos e expressões de susto
bem ilustrados no episódio em que o cabeleireiro Trevor Sorbie
ganha um tosquiador de ovelhas como pupilo, ou naquele em que um
vendedor de carros usados descobre que seu novo "funcionário"
é um padre anglicano.
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DE
PUNK...
...A MAESTRO
O cantor punk Chris não lia partituras e não
ouvia música clássica, mas regeu (e bem)
a
Filarmônica Real
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O
que torna Tudo É Possível tão interessante
é o quanto candidatos e mentores se envolvem com sua tarefa.
Pessoas que nunca tinham dado sinal de ambição logo
estão se agarrando à nova oportunidade com unhas e
dentes. Da mesma forma, mentores que não davam um tostão
furado por seus discípulos sofrem por eles como se fossem
seus filhos. E o espectador se morde de ansiedade, como se o sucesso
de todos fosse o dele próprio. Eis aí algo único
no território dos reality shows: um programa que,
em vez de expor o pior da natureza humana, mostra o que ela tem
de melhor a capacidade de se adaptar e de superar.
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