Edição 1814 . 6 de agosto de 2003

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Uma vida nova em 28 dias

A série inglesa Tudo É Possível
prova que querer é poder


Isabela Boscov

 
Fotos divulgação

DE DANÇARINA...
...A AMAZONA

Em menos de um mês, Shelley perdeu o medo de cavalos, fez uma prova exemplar e virou fã de hipismo

Imagine ter apenas um mês para aprender uma atividade muito complicada – como reger uma orquestra, comandar a cozinha de um restaurante ou participar de torneios de salto a cavalo –, a ponto de enganar um júri de especialistas na matéria. Pois é esse o desafio proposto pela série inglesa Tudo É Possível (no original, Faking It, ou "Fingindo"), que o canal GNT volta a exibir neste dia 4, de segunda a quinta, às 23h20. Até agora, nas quatro temporadas produzidas, dezoito pessoas toparam a parada. Surpresa: a maioria saiu-se incrivelmente bem. Chris Sweeney, o cantor punk que nunca havia ouvido música clássica, regeu sob aplausos a Filarmônica Real numa peça de Rossini. A tímida Lucy Craig, que limpava banheiros numa balsa do Canal do Mancha, chegou em primeiro lugar numa regata, derrotando iatistas de classe internacional. Shelley Elvin, dançarina de boate, só se denunciou aos juízes de sua competição de hipismo ao errar o nome de um torneio. Ed Devlin, que fritava hambúrgueres, tirou a nota mais alta num concurso de chefs. E o pintor de paredes Paul O'Hare foi tão fundo no papel de artista abstrato que hoje ganha mais com seus quadros do que com sua empresa de reformas.

A idéia de Tudo É Possível é de Stephen Lambert, executivo da produtora independente RDF. A RDF tem uma vasta coleção de prêmios e é uma das inovadoras do conceito de reality show. Outra série de sucesso de Lambert é a Wife Swap (ou "Troca de Esposas"), em que uma dona-de-casa tem de tocar a rotina de uma família desconhecida. A produção de Tudo É Possível, porém, é bem mais complexa. O aspirante muda-se para a casa de seu mentor e submete-se a uma exaustiva imersão. Além de aulas dia e noite, ela inclui mudanças no visual e treino teatral, para que os candidatos se comportem de acordo com a nova "profissão". Também os mentores sofrem: eles não sabem que tipo de pessoa receberão, o que gera muitos risos nervosos e expressões de susto – bem ilustrados no episódio em que o cabeleireiro Trevor Sorbie ganha um tosquiador de ovelhas como pupilo, ou naquele em que um vendedor de carros usados descobre que seu novo "funcionário" é um padre anglicano.

 

DE PUNK...
...A MAESTRO

O cantor punk Chris não lia partituras e não ouvia música clássica, mas regeu (e bem) a Filarmônica Real

O que torna Tudo É Possível tão interessante é o quanto candidatos e mentores se envolvem com sua tarefa. Pessoas que nunca tinham dado sinal de ambição logo estão se agarrando à nova oportunidade com unhas e dentes. Da mesma forma, mentores que não davam um tostão furado por seus discípulos sofrem por eles como se fossem seus filhos. E o espectador se morde de ansiedade, como se o sucesso de todos fosse o dele próprio. Eis aí algo único no território dos reality shows: um programa que, em vez de expor o pior da natureza humana, mostra o que ela tem de melhor – a capacidade de se adaptar e de superar.

 
 
 
 
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