Edição 1814 . 6 de agosto de 2003

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA on-line
Veja essa
Arc
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Televisão
Riso de adeus

Com a morte de Rogério Cardoso, seu Flor
também sai de cena em A Grande Família


Ricardo Valladares

 
Divulgação
Rogério Cardoso (à dir.), com os seus colegas de elenco: ele não vai ser substituído

Um dos programas mais bem-sucedidos da Rede Globo na atualidade, o seriado A Grande Família entrou em luto com a morte de um de seus protagonistas, o comediante Rogério Cardoso, e precisou enfrentar uma questão difícil na semana passada: o que fazer com seu Flor, o personagem que ele interpretava. Cardoso, que tinha 66 anos, morreu no dia 24, de infarto. Na última segunda-feira, o elenco e a direção da emissora se reuniram para discutir a perda. A decisão foi unânime: o ator é insubstituível, e seu Flor sai de cena com ele. Mas isso só acontecerá em 4 de setembro, depois que todas as seqüências que ele deixou gravadas tiverem ido ao ar. Roteirista da série, o escritor Cláudio Paiva já começa a dar forma ao episódio sobre a morte de seu Flor. "Vou centrar toda a história na personagem Nenê, de Marieta Severo. Ela vai refletir bastante sobre a perda do pai, que, na ficção, terá ocorrido um mês antes", diz ele.

Dois episódios de A Grande Família que vão ao ar nas próximas semanas terão seus títulos trocados, porque os nomes originais se tornaram de mau gosto: A Volta dos que Não Foram e A Morte do Falecido. O segundo episódio foi o último que Rogério Cardoso gravou até o fim. A trama gira em torno da inauguração de um ofurô, ou banheira japonesa, na casa de um vizinho da família Silva. Cardoso não entrou no ofurô. "Ele não estava à vontade, não queria ficar nu, e pediu para fazer suas cenas do lado de fora", conta o diretor Maurício Farias.


Rogério, com Pedro Cardoso: uma das últimas cenas

Não é a primeira vez que a Rede Globo registra a morte de um ator enquanto o programa de que ele participa está no ar. Em 1972, quando faltavam 28 dias para o desfecho da novela O Primeiro Amor, Sérgio Cardoso morreu de infarto. O autor Walter Negrão optou por substituí-lo. Cardoso apareceu saindo por uma porta. A cena foi congelada e uma homenagem foi lida pelo ator Paulo José. Depois a porta se fechou e, quando a cena recomeçou, entrou Leonardo Villar, que foi recebido por todo o elenco. Em 1983, Jardel Filho, protagonista de Sol de Verão, morreu no meio da novela. Uma viagem repentina serviu de explicação para o sumiço do personagem Heitor. Manoel Carlos, autor da história e muito amigo de Jardel, sentiu-se incapacitado para levar a novela adiante e, por isso, ela foi encurtada. Numa série como A Grande Família, a perda de um ator é mais fácil de ser contornada – embora não seja menos dolorosa. "Vamos homenageá-lo continuando a fazer o que ele mais gostava: humor", diz Paiva.

 
 
 
 
topo voltar