Edição 1814 . 6 de agosto de 2003

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Cidades
Os novos baianos

Celebridades, empresários e estrangeiros
aquecem o mercado imobiliário da Bahia


Diogo Schelp

 
Divulgação
Projeção em computador de lançamento em frente da marina de Itaparica: 20% dos compradores não moram na Bahia

DOS ARQUIVOS DE VEJA
"Bahia de todas as tribos" (7/2002)
Pelourinho: de alma nova (28/8/2002)
VEJA Noite Salvador: a vida cultural e serviços sobre a cidade

Sol, festas, praias, boa comida, vida cultural variada e arquitetura histórica são algumas justificativas para um fenômeno no mercado imobiliário da Bahia. É visível e mensurável o aumento de portugueses, alemães, espanhóis, paulistas, mineiros e cariocas que estão comprando casas e apartamentos em alguns empreendimentos no Estado, sobretudo nas melhores localizações. Nos últimos cinco anos, o mercado local de imóveis de luxo cresceu à taxa anual de 5%. "Há três anos, estrangeiros e moradores de outros Estados compravam 10% dos imóveis novos", afirma a consultora imobiliária Josinha Pacheco. "Agora compram até um terço de alguns lançamentos." O lugar preferido dos forasteiros que investem em Salvador é o Corredor da Vitória, o trecho da Avenida Sete de Setembro que tem o metro quadrado mais caro da Bahia, para lá dos 3.000 reais. A localização dá acesso rápido à orla e aos bairros tradicionais e tem vista para a Baía de Todos os Santos. Quem mora ali pode fugir de engarrafamentos descendo até o píer, de teleférico ou bondinho, e embarcando numa lancha. Um dos proprietários ilustres, com apartamento num prédio lançado quatro anos atrás, é o ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo David Zylbersztajn, que mora no Rio e passa temporadas no imóvel.

Walter Pontes/Cooper Photo/Caras
José Simão: respirando em seu apartamento na Ladeira da Barra


Um xodó de artistas e empresários do sudeste no Corredor da Vitória é um conjunto de lofts de até 140 metros quadrados – e preço até 535.000 reais. Fica pronto no ano que vem. Os músicos João Bosco, Emílio Santiago e Ronaldo Bastos, todos morando no Rio, já garantiram o seu. "Até músicas com referências à Bahia já estou fazendo", conta João Bosco. Duas vezes por mês, o colunista satírico da Folha de S.Paulo, José Simão, viaja para um fim de semana prolongado no apartamento que comprou na Ladeira da Barra, outro ponto muito procurado pelos novos baianos. "Ao contrário do que acontece em São Paulo, em Salvador eu consigo respirar", afirma. O empresário Abel Reis, de 41 anos, carioca com residência em São Paulo, também comprou um loft. Como ele, grande parte dos compradores pensa em mudar-se com a aposentadoria.

Além da capital, esse tipo de comprador tem se interessado por imóveis nas praias mais bonitas do Estado. Na Praia do Forte, loteamentos evaporam diante da procura de estrangeiros, especialmente de portugueses e espanhóis. Trancoso, no litoral sul, tornou-se sucursal da alta sociedade paulista e carioca. "Na primeira oportunidade, vou comprar um terreno em Trancoso", promete o apresentador Marcos Mion, que já esteve olhando a planta de um apartamento na capital avaliado em 450.000 reais – no mesmo prédio pelo qual tiveram interesse o colega Serginho Groisman e o estilista Fause Haten. Todos moradores de São Paulo com um pé quase na Bahia.

 
 
 
 
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