Edição 1814 . 6 de agosto de 2003

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Polícia
Um morto e um ferido

Assassinato e agressões a estrangeiros
no Rio de Janeiro ameaçam o turismo


Ronaldo França


O turista alemão Herbert Freyberger, de 59 anos, foi assassinado, na semana passada, quando passeava por uma das regiões mais bonitas do Rio de Janeiro. É o caminho que leva ao Cristo Redentor, cartão-postal da cidade. Ao tentar resistir a um assalto, levou um tiro na cabeça e morreu, horas mais tarde, no hospital. Freyberger e um amigo estavam no Rio iniciando a viagem que fariam pela América do Sul. No dia seguinte, foi a vez de um casal de turistas americanos ser assaltado, em Santa Teresa, bairro próximo ao centro da cidade. O funcionário público Hugh Failing, de 55 anos, levou uma coronhada na cabeça porque, ao ser abordado, teria demorado a entregar uma filmadora. Além da evidente gratuidade com que se praticaram os atos violentos, os dois casos têm em comum o potencial de dano que fatos como esses podem causar ao país. Se a imagem do Brasil no exterior sempre foi reduzida a mulheres nuas, exotismos e futebol – o que está longe de ser atraente –, nos últimos anos a violência urbana tratou de piorar a paisagem.

Na semana passada, as agências de notícia alemãs registraram o assassinato de forma moderada. O caso foi assunto no Der Tagsspiegel, de Berlim. Sua reportagem fez referência à presença de uma máfia das drogas no Rio de Janeiro. Também lembrou os ataques e as ameaças que fecharam as portas do comércio, em março deste ano, quando ônibus foram incendiados em vários locais da cidade por ordem do Comando Vermelho. Um estudo realizado pelo Control Risk Group, empresa multinacional especializada em gerenciamento de segurança, classifica o Rio de Janeiro e São Paulo como cidades cujo risco para a segurança dos visitantes é comparável ao de centros reconhecidamente violentos, como Cali e Medellín. Acima delas estão somente as cidades afetadas por ataques terroristas.

"Um crime como esse joga fora um ano de trabalho de marketing realizado para vender o país no exterior", avalia o ex-ministro de Esporte e Turismo Caio de Carvalho. Um exemplo do estrago que a violência pode causar foi a série de atentados contra turistas em Miami, no início dos anos 90. As agências de viagem alemãs cancelaram vôos e pacotes em tal proporção que foi necessária uma intervenção do governo. A cidade investiu 12 milhões de dólares em publicidade na Alemanha para resgatar sua imagem no país. Mesmo assim, o fluxo de turistas alemães demorou um mês para se regularizar. Ações como essa podem até remediar a situação. A diferença é que o Brasil não tem recursos financeiros para iniciativas assim – o que se gasta anualmente com a promoção do turismo no exterior não chega aos 10 milhões de dólares, somando os investimentos públicos e privados. Cada vez que um turista é assaltado ou leva um tiro, a já combalida indústria do turismo no país sai ferida.

 


 

 
 
 
 
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