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Polícia
Um
morto e um ferido
Assassinato e agressões a estrangeiros
no Rio de Janeiro ameaçam o turismo

Ronaldo
França
O
turista alemão Herbert Freyberger, de 59 anos, foi assassinado,
na semana passada, quando passeava por uma das regiões mais
bonitas do Rio de Janeiro. É o caminho que leva ao Cristo
Redentor, cartão-postal da cidade. Ao tentar resistir a um
assalto, levou um tiro na cabeça e morreu, horas mais tarde,
no hospital. Freyberger e um amigo estavam no Rio iniciando a viagem
que fariam pela América do Sul. No dia seguinte, foi a vez
de um casal de turistas americanos ser assaltado, em Santa Teresa,
bairro próximo ao centro da cidade. O funcionário
público Hugh Failing, de 55 anos, levou uma coronhada na
cabeça porque, ao ser abordado, teria demorado a entregar
uma filmadora. Além da evidente gratuidade com que se praticaram
os atos violentos, os dois casos têm em comum o potencial
de dano que fatos como esses podem causar ao país. Se a imagem
do Brasil no exterior sempre foi reduzida a mulheres nuas, exotismos
e futebol o que está longe de ser atraente ,
nos últimos anos a violência urbana tratou de piorar
a paisagem.
Na semana passada, as agências de notícia alemãs
registraram o assassinato de forma moderada. O caso foi assunto
no Der Tagsspiegel, de Berlim. Sua reportagem fez referência
à presença de uma máfia das drogas no Rio de
Janeiro. Também lembrou os ataques e as ameaças que
fecharam as portas do comércio, em março deste ano,
quando ônibus foram incendiados em vários locais da
cidade por ordem do Comando Vermelho. Um estudo realizado pelo Control
Risk Group, empresa multinacional especializada em gerenciamento
de segurança, classifica o Rio de Janeiro e São Paulo
como cidades cujo risco para a segurança dos visitantes é
comparável ao de centros reconhecidamente violentos, como
Cali e Medellín. Acima delas estão somente as cidades
afetadas por ataques terroristas.
"Um
crime como esse joga fora um ano de trabalho de marketing realizado
para vender o país no exterior", avalia o ex-ministro de
Esporte e Turismo Caio de Carvalho. Um exemplo do estrago que a
violência pode causar foi a série de atentados contra
turistas em Miami, no início dos anos 90. As agências
de viagem alemãs cancelaram vôos e pacotes em tal proporção
que foi necessária uma intervenção do governo.
A cidade investiu 12 milhões de dólares em publicidade
na Alemanha para resgatar sua imagem no país. Mesmo assim,
o fluxo de turistas alemães demorou um mês para se
regularizar. Ações como essa podem até remediar
a situação. A diferença é que o Brasil
não tem recursos financeiros para iniciativas assim
o que se gasta anualmente com a promoção do turismo
no exterior não chega aos 10 milhões de dólares,
somando os investimentos públicos e privados. Cada vez que
um turista é assaltado ou leva um tiro, a já combalida
indústria do turismo no país sai ferida.

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