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Economia
e Negócios
A
multiplicação dos pães
A Casa do Pão de
Queijo duplica o faturamento em três anos e abre franquia
no exterior 
Adriana
Souza Silva
Leo Feltran
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O
empresário Alberto Carneiro Neto aposta que o pão
de queijo está a caminho de se globalizar
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Arthêmia
seria uma vovó como todas as outras, que conta histórias
e mima os netos, não fosse por um talento muito desenvolvido:
criar receitas. Foi ela quem, depois de várias tentativas,
chegou à mistura de queijo, leite, ovos, manteiga e amido
de mandioca que se tornou o sucesso de vendas da Casa do Pão
de Queijo, a maior rede brasileira de franquias de alimentação.
Com 400 lojas espalhadas por 22 Estados, a Casa do Pão de
Queijo perde, no Brasil, apenas para a gigante americana McDonald's.
Está presente em Portugal, mantém uma fábrica
na Espanha e tem planos de chegar ao México e aos Estados
Unidos ainda neste ano. Além disso, foi a rede de franquias
da área de alimentação que mais cresceu em
número de lojas no Brasil desde 2000. O faturamento também
aumentou em ritmo alucinante, cerca de 30% ao ano, enquanto a média
de crescimento do setor ficou em 9%.
O neto de Arthêmia, o empresário Alberto Carneiro Neto,
esteve em Portugal para acompanhar a abertura das cinco lojas-piloto
em 2001. O diretor-presidente da franquia descobriu que a concorrência
com o pastel de nata local é alta, que os clientes preferem
as lojas com mesas e que as vendas só ocorrem em lugares
bem movimentados. Com a fase de testes quase concluída, ele
agora está mais seguro para vender seu modelo de loja aos
empreendedores portugueses. Em junho, foi inaugurada a primeira
franquia em Lisboa. "Não importa quanto tempo demore, mas
o pão de queijo será um produto globalizado", diz
Carneiro Neto.
Além da receita de vovó Arthêmia, morta em 1997
aos 92 anos, o sucesso da Casa do Pão de Queijo se deve a
um fermento adicionado no fim de 1999. Na época, as 150 lojas
da rede, concentradas no Rio de Janeiro e em São Paulo, consumiam
quase toda a produção da fábrica. Ou seja,
havia muito mais empreendedores dispostos a abrir uma franquia da
Casa do Pão de Queijo do que a empresa estava preparada para
receber. O único modo de garantir o surgimento de novas franquias
era aumentar a produção de pão de queijo. Como
não tinha o capital necessário, Carneiro Neto vendeu
70% da empresa para um fundo de investimentos do então banco
Patrimônio, hoje Banco Pátria. Com 10 milhões
de reais em caixa, uma nova unidade industrial foi inaugurada em
Itupeva, interior de São Paulo, e mais três centrais
de abastecimento no Rio, em São Paulo e na Bahia
surgiram para dar conta do abastecimento de outros Estados.
A expansão da Casa do Pão de Queijo foi turbinada
por dois fatores. Primeiro porque o investimento inicial para o
franqueado abrir uma loja é baixo. Custa a partir de 35 000
reais, contra o 1,5 milhão de uma franquia do McDonald's.
Segundo porque a operação requer um espaço
pequeno, cerca de 30 metros quadrados, em média. Como bem
sabem os franqueados, investir também tem seus perigos. O
empresário Wallace Bastos, da loja do ParkShopping, em Brasília,
fatura cerca de 27.000 reais, mas sofre com os altos custos de mão-de-obra
e do aluguel, que consome um quarto de seu faturamento. Além
de trabalhar o dia inteiro atrás do balcão, Bastos
precisa ficar de olho nos concorrentes.
A rede Rei do Mate, que saltou de 64 lojas em 2000 para as atuais
136, ataca com o copão, uma porção de 160 gramas
de minipães de queijo dentro de um copo. A estratégia
da segunda colocada no ranking de franquias de cafeterias foi bem
recebida e hoje representa 20% do faturamento da rede. A Casa do
Pão de Queijo se firmou como líder nesse segmento
do fast food nacional, mas seu consumidor típico é
disputado por outras seis franquias, que juntas somam cerca de 500
lojas no país. "Na hora da fome, o consumidor não
vai andar um quarteirão a mais só para comprar o pão
de queijo de determinada marca", diz o consultor de franchising
Marcelo Cherto. A criação da primeira loja da Casa
do Pão de Queijo foi o resultado do encontro de dois nomes
da gastronomia paulistana. Foi Belarmino Iglesias, fundador e dono
do Rubaiyat, de São Paulo, um dos melhores restaurantes de
carne do Brasil, quem descobriu o potencial comercial do quitute
de Arthêmia. Certa noite, ao jantar na casa da família
Carneiro, Belarmino gostou tanto do pão de queijo que encomendou
alguns quilos de massa para o couvert de seu restaurante. O sucesso
foi tamanho que animou os donos a abrir em 1967 a primeira loja
da Casa do Pão de Queijo.
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