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Especial
Eles têm o poder

Carlos
Graieb
Oscar Cabral
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NESTA
EDIÇÃO

Ranking com os nomes
mais poderosos do
showbiz nacional |
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O
sucesso na vida artística tem várias formas de manifestar-se: dinheiro,
celebridade, aclamação pela crítica, influência entre os colegas
de profissão. Nem sempre essas benesses vêm juntas. A fama pode
não se traduzir em fortuna, boas vendagens podem não coincidir com
elogios da crítica, e assim por diante. Mas existem momentos em
que todos ou boa parte desses fatores se combinam. Nesse ponto feliz
de sua carreira, o artista passa a desfrutar de algo mais: poder
para ditar regras, impor tendências e realizar os projetos que desejar,
da maneira como desejar. Quem pode se gabar desse status no Brasil
hoje em dia? Nesta edição, VEJA apresenta um ranking
com os nomes mais poderosos do showbiz nacional.
É
a primeira vez que isso é feito na imprensa brasileira. Do
grupo humorístico Casseta & Planeta, que encabeça
a lista, ao maestro John Neschling, que a encerra, são quarenta
personalidades da televisão, da música, do cinema
e da literatura, numa combinação surpreendente.
Rankings de artistas são uma tradição na imprensa
americana. Da irreverente Entertainment Weekly, dedicada
ao showbiz, à Forbes, especializada em negócios,
passando pela glamourosa Vogue e pela apimentada People,
diversas revistas publicam, a cada ano, listagens que mensuram o
poder dos famosos. Mais frívolas ou mais sisudas, as listas
costumam ser uma leitura curiosa, uma espécie de guia de
como funciona o mundo da cultura e do entretenimento na atualidade:
artistas e criadores divertem, põem idéias em circulação,
estimulam a fantasia do público, como sempre fizeram, mas
também são agentes de um mercado bilionário.
Só no ano passado, o mercado de mídia e entretenimento
americano movimentou 479 bilhões de dólares. No Brasil,
onde não há um levantamento global, o faturamento
somado dos setores cinematográfico, fonográfico, editorial
e televisivo se aproximou dos 12 bilhões de reais em 2002.
Dilmar Cavalhero/Strana
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Uma das listas americanas mais recentes foi a da Forbes, divulgada
em meados de junho. Voltada para celebridades em sentido amplo (o
que inclui também esportistas), ela trouxe uma figura inesperada
no topo, a atriz Jennifer Aniston, estrela do seriado Friends.
Jennifer bateu nomes como Steven Spielberg e Tom Hanks, eternos
candidatos ao poder supremo no mundo do entretenimento, ou, entre
as mulheres, Julia Roberts, considerada a maior estrela do cinema
americano. O resultado se explica pelo método empregado pela
Forbes para auferir os resultados. Jennifer se saiu bem nos
dois quesitos que compunham a pesquisa: ganhos em 2002 e exposição
na mídia. "Ela embolsou 35 milhões de dólares
no ano passado e embelezou mais capas de revista do que qualquer
outra personalidade", registrou a publicação. Dinheiro
e aparições na imprensa foram os critérios
que a Forbes escolheu porque eles permitem comparar personalidades
saídas de mundos tão distintos quanto o golfe e o
rap. Para fazer o seu ranking restrito aos artistas, ao contrário
do que acontece na revista americana , VEJA também
levou em conta esses fatores, mas acrescentou alguns elementos à
equação.
Cada
candidato a figurar na lista de VEJA recebeu notas que iam de 1
a 5 em cinco quesitos diferentes: ganhos totais na carreira, ganhos
nos últimos dois anos, presença na mídia, influência
nos negócios e influência artística. Os quesitos
tinham pesos diversos: peso 2 no primeiro e no terceiro casos, e
peso 3 nos demais. Explica-se. Em relação aos ganhos,
a intenção era dar mais valor ao sucesso presente
do que ao patrimônio acumulado ao longo dos anos. Foi uma
maneira de garantir que artistas em ascensão tivessem presença
na lista ao lado de veteranos com carreira já firmada. As
notas estão em relação direta uma com a outra.
Xuxa, por exemplo, é dona da maior fortuna do showbiz brasileiro.
Com um patrimônio de cerca de 250 milhões de reais,
recebeu, obviamente, nota máxima no primeiro quesito. Ela
desce um degrau, contudo, em "ganhos recentes", já que fatura
menos hoje em dia do que no auge de sua trajetória. O raciocínio
se inverte no caso de uma jovem atriz como Mariana Ximenes. Seu
cofrinho ainda não está cheio até a borda,
mas as moedas começaram a cair em ritmo acelerado nos últimos
tempos. Para medir os ganhos de cada artista, computaram-se fatores
como vendagem de discos e livros, cachê e número de
shows realizados, salário na televisão e cachê
publicitário. Esse último fator, por exemplo, se revelou
importante para estabelecer a posição ocupada na lista
por atores e atrizes jovens e de fina estampa. Galãs
como Reynaldo Gianecchini e beldades como Carolina Ferraz podem
ganhar fortunas participando de eventos e comerciais, independentemente
do prestígio de que desfrutem no trabalho propriamente artístico.
Um peso menor também foi dado à presença na
mídia, porque esse tipo de exposição nem sempre
redunda em poder. São bem conhecidos os casos de celebridades
que causam mais barulho pelas estripulias da vida pessoal do que
pelos seus feitos profissionais. O discreto ator Tony Ramos consta
da lista apesar da nota baixa nesse critério; a espevitada
Luana Piovani quase ficou de fora, apesar da nota 5. Duas avaliações
foram feitas: número de menções na internet,
segundo o programa de buscas Google, e número de referências
nas revistas VEJA, Caras e Contigo, sempre ao longo
dos últimos doze meses.
Arthur Cavalieri/Strana
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Os dois critérios restantes são a influência
nos negócios e a influência artística. O primeiro
procura aferir o nível de autonomia de cada artista na hora
de realizar seus projetos, ou o cacife de que cada um dispõe
no momento, digamos, de discutir um novo contrato. Duas mulheres
que aparecem nas primeiras posições do ranking receberam
nota máxima nesse quesito e servem como bons exemplos: a
cantora Marisa Monte e a atriz Fernanda Montenegro. Marisa, sozinha,
conseguiu alguns feitos notáveis no ambiente musical. Ela
é dona de sua própria obra, ou seja, cada faixa que
gravou pertence a ela, e não ao acervo de sua gravadora,
a EMI. Se um dia resolver mudar de casa, Marisa leva consigo os
seus discos. A cantora ainda inovou na maneira de produzir CDs,
e já há quem comece a imitá-la: em vez de esperar
que a gravadora banque os seus custos de produção,
ela tira esse dinheiro do próprio bolso e depois "vende"
o produto acabado à gravadora, que cuida do marketing e da
distribuição. Fernanda Montenegro tem atividades no
teatro, no cinema e na televisão e nesta última
consegue o que poucos conseguem, ser altamente seletiva em relação
aos trabalhos que aceita e negociar seu salário de maneira
especial. Sem vínculo de emprego com a Rede Globo, ela só
discute seus ganhos caso a caso com um representante da cúpula
da emissora. Dona de um currículo único, aí
incluída uma indicação ao Oscar de melhor atriz,
Fernanda Montenegro também é um bom exemplo de personalidade
com alto quociente de influência artística, o último
critério avaliado. O mesmo se pode dizer de Rubem Fonseca,
o mais imitado entre os escritores brasileiros vivos, e alguém
cuja obra é tida em alta conta pela crítica literária.
Numa lista dedicada a artistas, a excelência puramente estética
tinha de ser levada em conta, assim como a capacidade de indicar
caminhos e servir de modelo para outros. Em todas as áreas
da cultura há figuras de grande renome que, no entanto, não
são presenças tão vivas quanto já foram
um dia. É o caso, por exemplo, do casal de atores Tarcísio
Meira e Glória Menezes, que acabou não aparecendo
no ranking. Eles pertencem à faixa salarial mais alta do
elenco da Rede Globo e desfrutam de enorme respeito, mas seus trabalhos
já não causam o frisson e a repercussão de
outrora. O mesmo se pode dizer do cantor Gilberto Gil. Ele detém
atualmente um poder político considerável como ministro
da Cultura, mas sua influência artística repousa em
grande parte em feitos passados, e não atuais.
Para
chegar aos quarenta nomes desta lista de poder, partiu-se de um
universo bem maior de figuras ligadas ao showbiz, incluídos
aí alguns empresários. Esse é o modelo empregado,
por exemplo, pela revista Entertainment Weekly, que divide
o seu ranking entre artistas e executivos. Na reta final, contudo,
VEJA optou por deixar de fora editores e executivos de gravadora
aqueles que atuam nos bastidores da indústria cultural.
Jornalistas também ficaram de fora (inclusive aqueles cujo
trabalho se confunde com o de apresentador), assim como diretores
de televisão que em geral têm muito menos autonomia
para impor sua "visão autoral" do que os diretores de cinema.
Feita essa primeira poda, restaram cantores, instrumentistas, cineastas,
atores, atrizes, escritores e apresentadores, que tiveram suas notas
registradas e calculadas até uma média final. A média
3 era de corte; caíram todos os que ficaram abaixo dela.
Para efeito de desempate, levou-se em conta o momento na carreira
de cada um, que podia acrescentar ou retirar até um décimo
da média um "reloginho" mostra, ao lado das fotos,
se o artista está em alta, em baixa ou estável. O
que faz lembrar que a lista é uma foto instantânea.
Há carreiras com subidas e descidas abruptas, assim como
artistas que se mantêm no topo por anos e anos a fio (como
Roberto Carlos, que parece estar entrando, contudo, num declínio
lento). Daqui a um ano, outros nomes certamente entrariam num ranking
semelhante, alguns sumiriam e muitos mudariam de posição.
O mundo do showbiz não pára.
Com reportagem de Isabela Boscov, Marcelo Marthe,
Ricardo Valladares e Sérgio Martins
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