Edição 1814 . 6 de agosto de 2003

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Turismo

Férias dos peladões

Pacotes de viagens especiais para nudistas
estão em alta nos EUA e na Europa


Juliana Simão

A indústria do turismo vive um período difícil no Hemisfério Norte, causado pela recessão, pela guerra no Iraque e pelo terrorismo. A exceção são os pacotes especiais para nudistas. No ano passado, o número de viagens de quem gosta de passar as férias em pêlo cresceu 25%, enquanto o turismo em geral só aumentou minguados 3%. Nos cálculos da Federação Internacional de Naturistas (naturistas é como os peladões chamam a si próprios), esse negócio movimentou 400 milhões de dólares. O valor pode parecer pequeno num mercado total de 475 bilhões de dólares, mas é um dos nichos mais promissores do ramo, depois do turismo gay e do de aventura. No Brasil há poucas atrações turísticas especializadas em receber nudistas – o maior hotel do gênero está sendo construído no Rio Grande do Sul. No Hemisfério Norte, as opções são bem mais variadas. Além de clubes e praias em quantidade, há cruzeiros marítimos e pousadas. Existem resorts cinco-estrelas no Caribe e na Espanha e até acampamentos para crianças nos Estados Unidos.

A Disneylândia do nudismo é Cap d'Agde, um balneário francês no Mediterrâneo. Os 10.000 habitantes andam nus todo o tempo, mas se cobrem nos dias frios. Diz-se, em tom de brincadeira, que o único serviço em falta na cidade é o de lavanderia, por motivos óbvios. São dez resorts, cinqüenta restaurantes e bares, discotecas e três shopping centers nos quais roupa é um acessório dispensável. Nos EUA, há campeonatos de tênis (os jogadores usam apenas cintos com velcro na cintura para carregar as bolinhas), boliche, em que a única vestimenta obrigatória são os sapatos, e até um cassino em que o traje exigido é apenas a pele do corpo.

A filosofia básica do naturismo, que surgiu na Alemanha, no início do século XX, é que se trata da única forma de ficar em harmonia com a natureza. "Sem roupa, tornamo-nos mais livres dos preconceitos e das amarras sociais", teoriza o gaúcho Celso Rossi, porta-voz do movimento no Brasil. Uma das coisas que intrigam a maioria das pessoas – aquelas que andam o mais bem-vestidas que podem – é quais são os códigos de aproximação sexual num ambiente em que todos andam pelados. Se depender da ideologia nudista, esse aspecto essencial da existência pode ser uma decepção. Como os índios, os naturistas mantêm códigos severos para prevenir demonstrações sexuais explícitas em quem não tem a roupa para disfarçar. Os namoricos precisam ficar na base do olhar e da conversa. Em certa medida, os peladões contam com o desinteresse natural provocado pela nudez permanente. A libido costuma ser mais bem estimulada pelo dissimulado. "Visto-me para quem me dispo", escreveu a feminista francesa Simone de Beauvoir, que sabia o valor erótico de andar vestido.

 
 
 
 
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