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Turismo
Férias
dos peladões
Pacotes de viagens especiais para nudistas
estão em alta nos EUA e na Europa

Juliana
Simão
A
indústria do turismo vive um período difícil
no Hemisfério Norte, causado pela recessão, pela guerra
no Iraque e pelo terrorismo. A exceção são
os pacotes especiais para nudistas. No ano passado, o número
de viagens de quem gosta de passar as férias em pêlo
cresceu 25%, enquanto o turismo em geral só aumentou minguados
3%. Nos cálculos da Federação Internacional
de Naturistas (naturistas é como os peladões chamam
a si próprios), esse negócio movimentou 400 milhões
de dólares. O valor pode parecer pequeno num mercado total
de 475 bilhões de dólares, mas é um dos nichos
mais promissores do ramo, depois do turismo gay e do de aventura.
No Brasil há poucas atrações turísticas
especializadas em receber nudistas o maior hotel do gênero
está sendo construído no Rio Grande do Sul. No Hemisfério
Norte, as opções são bem mais variadas. Além
de clubes e praias em quantidade, há cruzeiros marítimos
e pousadas. Existem resorts cinco-estrelas no Caribe e na Espanha
e até acampamentos para crianças nos Estados Unidos.
A Disneylândia do nudismo é Cap d'Agde, um balneário
francês no Mediterrâneo. Os 10.000 habitantes andam
nus todo o tempo, mas se cobrem nos dias frios. Diz-se, em tom de
brincadeira, que o único serviço em falta na cidade
é o de lavanderia, por motivos óbvios. São
dez resorts, cinqüenta restaurantes e bares, discotecas e três
shopping centers nos quais roupa é um acessório dispensável.
Nos EUA, há campeonatos de tênis (os jogadores usam
apenas cintos com velcro na cintura para carregar as bolinhas),
boliche, em que a única vestimenta obrigatória são
os sapatos, e até um cassino em que o traje exigido é
apenas a pele do corpo.
A filosofia básica do naturismo, que surgiu na Alemanha,
no início do século XX, é que se trata da única
forma de ficar em harmonia com a natureza. "Sem roupa, tornamo-nos
mais livres dos preconceitos e das amarras sociais", teoriza o gaúcho
Celso Rossi, porta-voz do movimento no Brasil. Uma das coisas que
intrigam a maioria das pessoas aquelas que andam o mais bem-vestidas
que podem é quais são os códigos de
aproximação sexual num ambiente em que todos andam
pelados. Se depender da ideologia nudista, esse aspecto essencial
da existência pode ser uma decepção. Como os
índios, os naturistas mantêm códigos severos
para prevenir demonstrações sexuais explícitas
em quem não tem a roupa para disfarçar. Os namoricos
precisam ficar na base do olhar e da conversa. Em certa medida,
os peladões contam com o desinteresse natural provocado pela
nudez permanente. A libido costuma ser mais bem estimulada pelo
dissimulado. "Visto-me para quem me dispo", escreveu a feminista
francesa Simone de Beauvoir, que sabia o valor erótico de
andar vestido.
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