Edição 1814 . 6 de agosto de 2003

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Ambiente
Cada vez mais limpo

Acidentes ecológicos escondem
uma boa notícia: o país avançou
no controle da poluição


José Edward

 
Divulgação
Aspersores borrifam água e controlam a espuma no Rio Tietê

Três fenômenos recentes – espuma no Rio Tietê, vazamento de produtos químicos no Paraíba do Sul e nuvens de fumaça sobre a Amazônia – representam exceções, muito evidentes, de uma nova regra na questão do meio ambiente: o Brasil melhorou em termos de controle de poluentes. No início da década de 1990, algumas das maiores siderúrgicas – Usiminas, Mannesmann, Açominas, Acesita e Belgo-Mineira – lançavam, juntas, 149 toneladas de poeira e fumaça na atmosfera diariamente. Agora expelem 2 toneladas desses poluentes por dia. Nesse período, investiram 250 milhões de dólares na instalação de filtros de alta tecnologia e treinamento de pessoal. A Petrobras, outra célebre vilã do meio ambiente, também agiu: registrou em 2002 um dos menores volumes de vazamento de óleo de sua história: apenas 197 metros cúbicos, contra 5.500 em 2000. Para isso, investiu 5 bilhões de reais e instalou sensores de vazamento em 85% de seus dutos. A empresa agora tem barreiras flutuantes que coletam óleo, em lugar de apenas contê-lo, e um helicóptero com sistema de raios infravermelhos para detectar poluição na água até à noite.

"Houve uma revolução em termos de despoluição", garante o ex-ministro José Carlos de Carvalho, titular de Meio Ambiente no fim do governo Fernando Henrique e atual secretário da pasta em Minas Gerais. O ar que se respira na maior e mais congestionada cidade brasileira também está mais limpo (veja quadro abaixo). Medidas adotadas a partir de 1986, melhorando a qualidade dos combustíveis e determinando a produção de automóveis menos poluentes, reduziram em 97% a emissão de gases tóxicos na atmosfera nos centros urbanos. Em São Paulo, o índice de poluição do ar é 17,5% mais baixo que o de 1985, mesmo com um aumento de 146% da frota desde então. Muito desse progresso se deve à lei de crimes ambientais, aprovada em 1998. Para grandes e médias empresas já foram emitidos 850 certificados ISO 14001, o atestado de qualidade ambiental.


A legislação prevê penas também para autoridades negligentes, e dois episódios recentes ilustram uma nova postura. No acidente do Paraíba do Sul, os governadores Aécio Neves, de Minas Gerais, e Rosinha Matheus, do Rio de Janeiro, foram pessoalmente ao local e anunciaram medidas imediatas, ao lado da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A fábrica poluidora levou multa de 50 milhões de reais e comprometeu-se por escrito a reparar os danos. No caso de Pirapora do Bom Jesus, a espuma que cobriu a cidade foi produto de uma falha num sistema para controlá-la que funcionou bem até então. De corpo presente, o governador Geraldo Alckmin anunciou a liberação de 3 milhões de reais para uma estação de tratamento de esgoto na região, entre outras providências. Na despoluição do Tietê já foi aplicado mais de 1 bilhão de reais. O tratamento de esgoto nas áreas ao longo do rio passou de 24% para 65% e já há peixes em cidades bem próximas da capital. Ainda está longe o dia em que os paulistanos poderão pescar na cidade, mas pelo menos respirar melhor à margem do rio já não é uma perspectiva tão distante.

 
 
 
 
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