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Ambiente
Cada
vez mais limpo
Acidentes ecológicos escondem
uma boa notícia: o país avançou
no controle da poluição

José
Edward
Divulgação
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| Aspersores
borrifam água e controlam a espuma no Rio Tietê
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Três
fenômenos recentes espuma no Rio Tietê, vazamento
de produtos químicos no Paraíba do Sul e nuvens de
fumaça sobre a Amazônia representam exceções,
muito evidentes, de uma nova regra na questão do meio ambiente:
o Brasil melhorou em termos de controle de poluentes. No início
da década de 1990, algumas das maiores siderúrgicas
Usiminas, Mannesmann, Açominas, Acesita e Belgo-Mineira
lançavam, juntas, 149 toneladas de poeira e fumaça
na atmosfera diariamente. Agora expelem 2 toneladas desses poluentes
por dia. Nesse período, investiram 250 milhões de
dólares na instalação de filtros de alta tecnologia
e treinamento de pessoal. A Petrobras, outra célebre vilã
do meio ambiente, também agiu: registrou em 2002 um dos menores
volumes de vazamento de óleo de sua história: apenas
197 metros cúbicos, contra 5.500 em 2000. Para isso, investiu
5 bilhões de reais e instalou sensores de vazamento em 85%
de seus dutos. A empresa agora tem barreiras flutuantes que coletam
óleo, em lugar de apenas contê-lo, e um helicóptero
com sistema de raios infravermelhos para detectar poluição
na água até à noite.
"Houve
uma revolução em termos de despoluição",
garante o ex-ministro José Carlos de Carvalho, titular de
Meio Ambiente no fim do governo Fernando Henrique e atual secretário
da pasta em Minas Gerais. O ar que se respira na maior e mais congestionada
cidade brasileira também está mais limpo (veja
quadro abaixo). Medidas adotadas a partir de 1986, melhorando
a qualidade dos combustíveis e determinando a produção
de automóveis menos poluentes, reduziram em 97% a emissão
de gases tóxicos na atmosfera nos centros urbanos. Em São
Paulo, o índice de poluição do ar é
17,5% mais baixo que o de 1985, mesmo com um aumento de 146% da
frota desde então. Muito desse progresso se deve à
lei de crimes ambientais, aprovada em 1998. Para grandes e médias
empresas já foram emitidos 850 certificados ISO 14001, o
atestado de qualidade ambiental.
A legislação prevê penas também para
autoridades negligentes, e dois episódios recentes ilustram
uma nova postura. No acidente do Paraíba do Sul, os governadores
Aécio Neves, de Minas Gerais, e Rosinha Matheus, do Rio de
Janeiro, foram pessoalmente ao local e anunciaram medidas imediatas,
ao lado da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A fábrica
poluidora levou multa de 50 milhões de reais e comprometeu-se
por escrito a reparar os danos. No caso de Pirapora do Bom Jesus,
a espuma que cobriu a cidade foi produto de uma falha num sistema
para controlá-la que funcionou bem até então.
De corpo presente, o governador Geraldo Alckmin anunciou a liberação
de 3 milhões de reais para uma estação de tratamento
de esgoto na região, entre outras providências. Na
despoluição do Tietê já foi aplicado
mais de 1 bilhão de reais. O tratamento de esgoto nas áreas
ao longo do rio passou de 24% para 65% e já há peixes
em cidades bem próximas da capital. Ainda está longe
o dia em que os paulistanos poderão pescar na cidade, mas
pelo menos respirar melhor à margem do rio já não
é uma perspectiva tão distante.
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