Edição 1814 . 6 de agosto de 2003

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Transportes
A calçada a jato

Em teste numa estação de Paris a esteira
rolante de alta velocidade para pedestres

 
RATP
Passageiros na nova esteira: avisos para evitar quedas

A tecnologia moderna é capaz de conduzir passageiros de um canto a outro do planeta em alta velocidade. Mas não é de grande ajuda quando se trata de transportar considerável número de pessoas em distâncias de apenas algumas centenas de metros. A solução para esse dilema pode ser a esteira de alta velocidade – trottoir roulant rapide, em francês – em funcionamento experimental desde o ano passado na enorme Estação de Montparnasse, em Paris. Instalada no corredor que conecta as plataformas de trem com as de metrô, percorre 180 metros e atinge 9 quilômetros por hora, velocidade três vezes maior que a de uma esteira rolante comum e equivalente à dos ônibus urbanos na capital francesa. A distância é vencida em apenas dois minutos, em lugar dos quatro nas esteiras convencionais, redução respeitável quando se considera que 110.000 pessoas passam pelo corredor diariamente.

Os engenheiros franceses levaram dez anos e consumiram 4,5 milhões de dólares para desenvolver um sistema que não atirasse os passageiros de cara no chão. A solução foi uma esteira dividida em três seções. Na primeira, de aceleração, com 10 metros de extensão, o passageiro é levado sobre um tapete formado por rolamentos. A velocidade inicial é de 2,2 quilômetros por hora, comparável à de uma caminhada leve. Cada rolamento é ligeiramente mais rápido que o anterior. Quando se chega à etapa seguinte, a da esteira de borracha de alta velocidade propriamente dita, com 160 metros, já se está bem próximo dos 9 quilômetros por hora. Na outra ponta, a da saída, dá-se o processo inverso, com rolamentos de desaceleração. O truque do sistema é a forma como se passa de uma seção para outra. Com os pés firmes no chão, o passageiro desliza rapidamente por um friso de metal. Se levantar o pé nesse momento e tentar caminhar, será tombo na certa.

Desde que começou a ser testada, no ano passado, a esteira turbinada já causou alguns pequenos acidentes. Mudanças no friso instalado entre as seções e a sinalização ostensiva, com avisos luminosos e alertas transmitidos por alto-falante, diminuíram significativamente as quedas. "As pessoas ainda estão aprendendo a usar a nova esteira, e habituar-se a um equipamento desse tipo leva algum tempo", diz o projetista do sistema, Anselme Cote. "A mesma coisa aconteceu com as escadas rolantes no século XIX e com as esteiras rolantes no século passado." O período de testes terminará em outubro. Se for aprovada, o trottoir roulant rapide será instalado em outros pontos de grande movimento de pedestres, como os aeroportos.

 

 



 

 
 
 
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