Edição 1814 . 6 de agosto de 2003

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Internacional
A fuga para Amã

Duas filhas e nove netos de Saddan Hussein deixam o Iraque e obtêm asilo na Jordânia

 

 
AP

Raghad, a mais velha: ela diz que Saddam é um "bom pai"



Em Profundidade: A Era Saddam

Foi a segunda fuga de Raghad e Rana para a Jordânia. Na quinta-feira passada, acompanhadas de nove crianças, as duas filhas de Saddam Hussein receberam asilo no palácio do rei Abdullah, em Amã. Na primeira fuga, em 1995, elas acompanhavam os maridos, Hussein Kamel e Saddam Kamel, que também eram irmãos. Ambos tiveram cargos importantes no regime do sogro – Hussein era responsável pela indústria militar e Saddam, um dos chefes da Guarda Republicana, a tropa de elite do regime –, mas se desentenderam com o cunhado Udai (a causa teria sido a divisão dos lucros do contrabando de petróleo) e fugiram para salvar a vida. Seis meses depois, Udai foi porta-voz de uma oferta de anistia, e todos voltaram para Bagdá. Logo que chegaram, os genros viram-se forçados a aceitar o divórcio e, no dia seguinte, foram assassinados.

AFP
Rana: nada a dizer sobre o irmão Udai


Para sobreviver no ambiente de intrigas bizantinas e crimes em que vivia a primeira-família do Iraque, Raghad, de 35 anos, e Rana, 33, tornaram-se viúvas invisíveis. Só voltaram a ser vistas em público na semana passada, em Amã. Diz-se em Bagdá que nunca mais falaram com Udai, a quem responsabilizavam pela morte dos maridos. Em entrevistas na Jordânia, elas elogiaram Saddam Hussein como "bom pai, amoroso e com um grande coração" e queixaram-se de que ele foi traído por seus auxiliares – mas se recusaram a falar dos irmãos, mortos no mês passado por tropas americanas. Rana contou que a última reunião em família ocorreu sete dias antes da guerra. Na noite em que Bagdá caiu, Saddam enviou um carro para levar as filhas e os netos para um esconderijo nos arredores da cidade. Nenhuma das duas está na lista dos procurados pelos Estados Unidos. Também não há ordem de prisão para a mãe delas, Sajida, nem para a filha mais nova do ditador. Como é da tradição árabe, as mulheres da família Hussein não se envolviam em política.

 

 
 
 
 
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