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Agricultura
O
Brasil da solução...
Divulgação
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de soja no Estado de Mato Grosso: onde estão os
latifúndios improdutivos? |
...
e o Brasil do problema
José Doval/Zero Hora/AE
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| No
Rio Grande do Sul, produtores rurais observam passagem de marcha
dos sem-terra |
Enquanto o agronegócio distribui riqueza,
o MST defende a distribuição da miséria

Alexandre
Secco
Nos
últimos dez anos o Brasil se habituou a quebrar recordes
de produção agrícola. Na semana passada, o
IBGE informou que a próxima safra de grãos deve atingir
120 milhões de toneladas, 23% maior que a do ano passado.
Nos últimos doze meses, o comércio de produtos agrícolas
com outros países deixou um saldo positivo de 72 bilhões
de reais. Estão no Brasil alguns dos campeões mundiais
de produção e de produtividade de culturas, como a
soja, a cana-de-açúcar, a laranja, o café.
O dinheiro originado na agricultura movimenta desde a venda de máquinas
agrícolas até a de aviões e computadores. O
agronegócio é o retrato do Brasil da solução:
já representa 30% do PIB e gera quase 40% dos empregos, somando-se
todas as oportunidades de trabalho relacionadas, da lavoura à
indústria de alimentos.
O campo produtivo vive com os nervos à flor da pele por obra
do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, agrupamento que
prega uma sociedade utópica, "socialista e igualitária",
mas adota atitudes menos poéticas, baseadas no terror. Invade
propriedades, saqueia, mata animais, destrói patrimônio
alheio e rouba. A violência do MST deveria ser reprimida pelas
autoridades, mas, para espanto de quem produz, não é
o que se vê. O órgão do governo encarregado
da reforma agrária dentro da lei e da ordem foi entregue
a simpatizantes do movimento. Na semana passada, em vez de se reunir
com as secretarias de Segurança nos Estados para estudar
meios de conter os exageros do MST, o ministro Miguel Rossetto procurou
o presidente Lula em busca de mais verbas para apaziguar líderes
rurais que não querem a paz.
Parece incrível, mas o MST se posiciona contra o nivelamento
por cima dos dois brasis existentes no campo. O exército
de João Pedro Stedile condena o atual modelo do agronegócio,
que emprega, gera receitas e movimenta a economia, e não
demonstra nenhuma preocupação com o lucro nem com
a produtividade. O MST quer (e tem conseguido) cada vez mais verbas
para sustentar um modelo duvidoso de reforma agrária. Considerando-se
despesas diretas e indiretas no assentamento de 500.000
famílias, o governo Fernando Henrique Cardoso gastou em oito
anos perto de 25 bilhões de reais, segundo cálculo
do ex-presidente do Incra Francisco Graziano. Isso dá 50.000
reais por família valor suficiente para comprar dois
táxis. E quanto retiram da terra as famílias assentadas
a um preço tão elevado? Não tanto quanto os
taxistas. Apenas os donos de lotes mais bem-sucedidos atingem o
patamar de um salário mínimo mensal. Como a quantia
é irrisória, surgiu o "reenfileiramento". O governo
dá terra a uma família, os filhos pequenos dos assentados
crescem, casam-se e voltam às fileiras do MST para conseguir
o próprio lote. Quanto mais terra o governo dá, mais
terra precisará dar. É uma equação que
não se fecha e só serve mesmo como bandeira revolucionária.
E há ainda dois problemas adicionais, o primeiro deles de
ordem prática. Os latifúndios improdutivos são
cada vez mais raros no Brasil. Os que sobraram se localizam na região
amazônica ou em áreas de terra imprópria para
o cultivo. Neste ano, a diretoria do Incra no Paraná realizou
vistorias em setenta fazendas à procura de imóveis
improdutivos para desapropriar. Até agora, nenhuma foi declarada
improdutiva. Em Pernambuco, das 28 fazendas vistoriadas, apenas
seis foram consideradas improdutivas. O outro problema é
mais profundo. Quase todos os países fizeram algum tipo de
reforma agrária. O Brasil é um dos últimos
a enfrentar a questão. Entre 1910 e 1940, o governo mexicano
fez algo parecido com o que o MST defende. As grandes propriedades
foram repartidas em pequenas unidades, e as famílias recebiam
ajuda do Estado para plantar. Com a mecanização da
lavoura, as pequenas propriedades tocadas com trabalho braçal
enfrentaram dificuldade para sobreviver. Não podiam competir
com fazendas cultivadas com tratores. Em meados da década
de 80 constatou-se a falência do sistema. Segundo muitos especialistas,
a reforma agrária não faz mais sentido econômico.
Fazia quando o cultivo do campo era apenas uma atividade braçal
e o plantio de grandes propriedades era difícil. Parte da
cúpula do governo federal já percebeu isso, mas não
sabe como tratar o assunto com o PT e com os seguidores de Stedile.
Com
reportagem de Tiago Lethbridge
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