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Carta ao leitor
Publicidade e democracia
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| Anúncios em VEJA: uma das bases da
liberdade de expressão |
O surgimento com destaque no cenário
da corrupção do nome de Marcos Valério, detentor
de participações em duas agências de publicidade
em Belo Horizonte, jogou uma injusta e irreal sombra de desconfiança
sobre toda uma atividade. Como as demais profissões, a de
publicitário incorpora em suas fileiras pessoas de todos
os gradientes éticos. É um erro colossal, porém,
generalizar o julgamento negativo feito sobre a publicidade brasileira
tendo como base apenas as trampolinices de Valério. Em boa
medida, os elogios que a imprensa tem recebido pelo trabalho de
faxina da coisa pública no Brasil devem ser divididos com
a publicidade. A preciosa liberdade de expressão não
existe no vácuo. Ela precisa de uma base material que lhe
dê sustentação. Essa base é uma sólida
e variada carteira de anunciantes, cujo suporte financeiro permite
às publicações praticar um jornalismo crítico
e independente.
Os anunciantes e os leitores, que compram
a revista em banca ou por assinatura, são as duas únicas
fontes de receita de VEJA. A revista tem o orgulho de reconhecer
o papel fundamental que seus milhares de anunciantes e centenas
de agências de publicidade exercem na garantia de que VEJA
possa ser a cada semana "as vistas da nação"
como descreveu a imprensa o jurista e estadista Rui Barbosa (1849-1923).
Ao discursar na abertura do 30º Festival Iberoamericano de
Publicidade, realizado em Buenos Aires há seis anos, Roberto
Civita, presidente do Grupo Abril, que edita VEJA, disse que "sem
a publicidade seria impossível manter a multiplicidade dos
meios de informação que divulgam idéias, defendem
pontos de vista diferentes, denunciam a corrupção
e estimulam o debate político". Dirigindo-se aos publicitários,
ele concluiu: "Toda vez que estiverem engajados em planejar, criar,
produzir e veicular um simples anúncio, lembrem-se de que
estão assegurando a perpetuação da liberdade
e da democracia".
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