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André
Petry Mensagem dos Correios para Lula
"O
problema é que, em seu governo, presidente, há ministros que,
à luz do seu pacote anticorrupção, deveriam ser afastados.
Assim, presidente, não há pacote que resista"
Presidente Lula: existe uma torcida coletiva para que o senhor não esteja
envolvido nessa lama toda. Parece que os 52 milhões de brasileiros que
votaram no senhor em outubro de 2002 estão, neste momento, cruzando os
dedos para que não se tenham enganado em relação a um aspecto
sobre o qual, a rigor, nem nutriam dúvidas o de que o senhor faria
um governo de respeito à ética e à moralidade pública.
Em nome dessa torcida coletiva, presidente,
tome uma providência: transforme suas palavras em atos de tal modo que um
e outro passem a andar no mesmo sentido. O que fica mal, presidente, o que gera
dúvidas e desconfiança, o que acaba deixando aquela torcida com
um receio danado de estar na arquibancada errada é verificar que suas palavras
e seus atos andam numa estrada que, de repente, se bifurca e os atos vão
para um lado e as palavras vão para o outro.
O senhor já disse que investigaria tudo, que cortaria na própria
carne, que não sobraria pedra sobre pedra. O senhor já disse que
"nenhum governo na história republicana" fez "20%" do que o seu tem feito
no combate à corrupção. O senhor já disse tudo o que
o país precisava ouvir. Agora, é a vez de seus atos entrarem em
sintonia com suas palavras. Por exemplo: o senhor chegou a mandar imprimir uma
edição extra do Diário Oficial da União, com
uma página apenas, só para publicar uma medida provisória
e, assim, evitar a instalação da CPI do Mensalão no Congresso
Nacional. Logo o senhor, que, num discurso recente dirigido a uma platéia
de agricultores, disse que os parlamentares deveriam investigar tudo e arrematou
assim: "Que criem quantas CPIs quiserem criar!".
Agora mesmo, presidente, alguns de seus mais próximos correligionários,
como o presidente do PT, José Genoíno, e o ex-ministro José
Dirceu, se empenharam em evitar que a CPI dos Correios quebrasse o sigilo bancário
das empresas de Marcos Valério, acusado de ser o operador do mensalão.
Presidente: repita aos seus liderados que sua ordem é para investigar tudo,
sem ficar pedra sobre pedra, e isso inclui examinar as contas de Marcos Valério.
O senhor prometeu, naquele discurso aos agricultores, que seriam feitas investigações
"contra quem quer que seja, sem bravata". Repetindo: sem bravata. São palavras
suas. Presidente: o senhor acaba de
lançar um pacote contra a corrupção, apertando o torniquete
contra roubalheiras de servidores públicos. É bom que seja assim.
O problema é que, em seu governo, há ministros que, à luz
do seu pacote anticorrupção, não poderiam ser mantidos no
cargo. Assim, presidente, não há pacote que resista.
O senhor tem prometido um duro combate à corrupção e o senhor
sabe que boa parte das roubalheiras é comandada pelos partidos por meio
de seus apaniguados nos cargos públicos. Mesmo assim, o senhor acaba de
oferecer quatro ministérios ao PMDB. Ao PMDB, presidente! O PMDB é
o partido de Romero Jucá, que está sob suspeita de desvio de dinheiro!
O PMDB é o partido do ministro que cuida dos Correios. Dos Correios, presidente!
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