O durão sucumbe

Clint Eastwood fracassa ao dirigir drama de tribunal

Apesar do título, que remete a um filme de terror, Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal (Midnight in the Garden of Good and Evil, Estados Unidos, 1997), em cartaz em circuito nacional, é um drama de tribunal. Nos papéis centrais estão John Cusack e Kevin Spacey, dois bons atores. Na direção, Clint Eastwood. Se os créditos apontam para um programão, o que se vê na tela é apenas uma história arrastada. Um assassinato em Savannah, cidade do sul dos Estados Unidos que teve sua época de ouro muito tempo atrás e hoje tenta disfarçar a decadência, desperta a curiosidade de um jovem escritor. Mais que no crime em si, o escritor está interessado é no ambiente insólito da cidade, povoada por tipos esquisitos, gente que faz vodu ou anda com moscas presas ao corpo por barbantes.

Em cinco décadas de cinema, o ator e diretor Clint Eastwood fez de tudo. Trabalhou em filmes de diferentes gêneros, em sua maioria ruins de doer, e encarnou personagens de gosto duvidoso, como Bronco Billy e Dirty Harry. Quando ninguém esperava, o durão dirigiu uma obra-prima como Os Imperdoáveis (1992), na qual também atuou, e demonstrou seu lado sensível em As Pontes de Madison (1995). Agora, perdido num território que definitivamente não é o seu, desperdiça uma boa chance de continuar a surpreender.

C.M.




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